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Cuba Márcia Choueri

“Superpedido” de impeachment

Uma frente “amplinha”

Esquerda pensou que teria amplo apoio da direita, mas quem apareceu foi a raspa do tacho da política nacional

Joice Hasselmann ao lado de Iago Montalvão (PCdoB), Talíria Petrone (PSOL) e Marília Arraes (PT) – e a Conlutas (PSTU) ao fundo – Foto: CNN

O chamado “superpedido” de impeachment, protocolado na quarta-feira (30) foi uma farsa.

A esquerda pedir o impeachment de Bolsonaro, unida, seria uma medida que por si só não teria grande utilidade, mas não haveria problema, faria parte de uma peça de propaganda. Porém, inserindo a direita, o jogo mudou completamente.

Foi mais um episódio da política de frente ampla que a esquerda, como PCdoB, PSOL e PT, procuram concretizar. Desta vez, com o apoio até mesmo dos pseudorrevolucionários do PSTU, PCB e UP. A esquerda fez grandes concessões para a direita em nome da aliança contra Bolsonaro. Ganhou nessa frente Alexandre Frota, Joice Hasselmann e Kim Kataguiri.

Quem esperava que a direita apoiaria em peso o impeachment de Bolsonaro quebrou a cara. Os ideólogos da frente ampla na esquerda lutam por uma frente “amplíssima”, mas o que conseguiram foram uma frente “amplinha”. Uma frente com a sombra da burguesia, como Trótski se referiu às frentes populares na França e na Espanha há mais de 80 anos.

Afinal, um pedido de impeachment minimamente sério que envolvesse a direita deveria ter as assinaturas dos presidentes de partidos como PSDB, DEM, MDB, PSD, PP etc. Mas quem assinou foram políticos marginais de apenas alguns desses partidos. Políticos que não mandam em absolutamente nada, que não têm poder nenhuma, não têm um real apoio entre a burguesia e menos ainda qualquer base popular.

Joice Hasselmann, por exemplo, recebeu mais de um milhão de votos para deputada federal em 2018. Em 2020, quando candidatou-se a prefeita de São Paulo, obteve míseros 98 mil votos. O que explica essa diferença? É simples: seu apoio era totalmente artificial. Conquistou muitos votos na rabeira de Bolsonaro. Quando rompeu publicamente com o presidente fascista, Joice desnudou-se. Está tão marginalizada que já fez as malas e está saindo pela porta dos fundos do PSL.

O mesmo vale para Kataguiri e o MBL, que quando começou a brigar com Bolsonaro quase foi pulverizado. Frota é um impotente, fugiu para o PSDB mas lá encontra-se solitário. Ninguém mais do PSDB, do PSL ou do DEM de Kataguiri assinou o pedido.

Isso significa que a frente ampla da esquerda murchou completamente. A direita não apoia a frente. Quem está na frente são as sobras da direita, os marginais. A sombra do centrão. Quem está na frente pelo “superpedido” de impeachment não tem voto, não tem poder financeiro e não tem moral nenhum.

Essa desmoralização cai também, portanto, sobre os ombros da esquerda, que está sendo feita de patinho. Até mesmo pela ótica oportunista de partidos como o PCdoB, defensores intransigentes de que a esquerda precisa abrir as portas para a direita, vemos uma grande desmoralização.

A farsa do pedido foi tão grande que deram um jeito de inserir o nome do PCO e de seu presidente, Rui Costa Pimenta, no meio. Mesmo que o PCO tenha denunciado e protestado junto com seus militantes e demais companheiros do lado de fora da Câmara contra a aliança com a direita nesse “superpedido” de impeachment. O PCO não participa de uma farsa dessas.

O desastre, no entanto, é muito maior. Se apenas Joice Hasselmann, Alexandre Frota e Kim Kataguiri e mais alguns “baguás” da direita estiveram presentes no pedido, cabe a pergunta: onde estão os caciques, aqueles que realmente mandam, nos partidos da direita?

Do mesmo lado onde estavam os principais partidos e políticos da burguesia espanhola ou da burguesia francesa em 1936: do lado do fascismo.

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