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No último dia 2 de agosto, o portal na internet do jornal Página 13, da Articulação de Esquerda, corrente interna do PT, publicou matéria assinada por Marcos Jacoby intitulada “Sobre a polêmica do impeachment e do Fora Bolsonaro”. O artigo argumenta que não é o momento de defender a derrubada do governo.

Para o nosso autor, é preciso reconhecer que “não há correlação de forças, no momento, capaz de derrubar a coalizão bolsonarista e nem mesmo para o impeachment. Acredito ser equivocadas análises de que Bolsonaro esteja ‘cambaleante’ ou ‘enfraquecido’.” Para a Articulação de Esquerda, o governo Bolsonaro seria forte o suficiente para se manter. Ignorando as evidências demonstradas pelo povo nas ruas. Se Bolsonaro é assim, como explicar que em qualquer evento que reúna uma pequena multidão, Bolsonaro logo se torna alvo de manifestações espontâneas? Como explicar, por exemplo, que a palavra de ordem de Fora Bolsonaro conta com uma adesão quase unânime em todas as manifestações políticas que aconteceram este ano, mesmo com as direções tendo evitado a qualquer custo de chamar tal palavra de ordem?

Ou nossos amigos do Página 13 estão muito insensíveis para a realidade ou estão se esforçando demais para escondê-la. Se todos esses fatos não evidenciam uma correlação de forças favorável o que seria necessário então? O artigo nos dá a indicação do que faltaria então para isso: o apoio da burguesia (!). “Não vejo nenhuma fração expressiva das classes dominantes com disposição, por ora, para tirá-lo do governo e tampouco condições para isso.”

Tal argumento é bastante esclarecer do que pensa a esquerda pequeno-burguesa defensora do fica Bolsonaro. Ele denota uma aliança ou uma latente aliança com a burguesia. Explicando melhor, tal ideia revela que para esses setores da esquerda, a classe operária e as massas em geral deveriam estar a reboque da burguesia ou de alguma fração da burguesia. Tal ideia só pode levar as massas à derrota. Se a burguesia, em algum momento, decidir apoiar a derrubada do governo, será para sabotar essa luta.

É obrigatório, então, que os trabalhadores, através de suas organizações, tomem a dianteira. Isso significa que é necessário saber interpretar o que as massas estão dizendo, é preciso saber que quando, em qualquer tipo de manifestação pública, o presidente é avacalhado as massas querem sua saída. Mas é ainda mais do que isso, a impopularidade de Bolsonaro não é medida apenas pelas manifestações. É preciso ter em conta também o processo político do golpe de Estado, as medidas impopulares, a desmoralização cada vez mais profunda do regime político, as eleições escandalosamente fraudadas que colocaram Bolsonaro no poder, ou seja, a despeito da vontade da esmagadora maioria do povo.

Tudo isso mostra que se a burguesia sustenta o governo Bolsonaro – e devemos concordar que por enquanto essa é a política dominante dos golpistas – é apenas porque sabe que ele é a única maneira, mesmo com toda a crise, de manter de pé o golpe de Estado. Que a mínima turbulência no governo pode colocar em risco todo o regime golpista. Esperar que a burguesia se arrisque nesse nível é absurdo. Se chegar esse momento, será a demonstração de que a situação não só está amadurecida como já está apodrecendo

Nosso autor conclui então que a melhor coisa a se fazer são as lutas parciais: “Nossa energia principal ainda precisa ser canalizada para lutas como a reforma da previdência, as lutas em defesa da educação, contra Moro etc. e acumular mais força.” Dessa maneira, vamos de derrota em derrota parcial até as próximas eleições, quando Bolsonaro já estiver destruído o País e as organizações de luta do povo.

O texto de Página 13 mostra que a pressão pela adoção generalizada pela adoção da palavra de ordem do fora Bolsonaro está enorme. A esquerda pequeno-burguesa se entrincheirou no fica Bolsonaro e se esforça para convencer sua base e o povo.

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