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Crime de lesa-pátria
Um pós-pandemia com privatizações e liquidação do patrimônio
Sem pudor, governo anuncia plano pró-mercado e contra os trabalhadores para o pós pandemia.
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Crime de lesa-pátria
Um pós-pandemia com privatizações e liquidação do patrimônio
Sem pudor, governo anuncia plano pró-mercado e contra os trabalhadores para o pós pandemia.
Fachada do Serpro em Brasília. Foto original: Elio Gavlinski
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Fachada do Serpro em Brasília. Foto original: Elio Gavlinski
Da redação

A burguesia brasileira tem clara a dimensão da tragédia econômica que o coronavírus provocará no capitalismo nacional. O governo admite uma redução de 4,70% no PIB em 2020, porém, esta é uma previsão muito otimista, há quem diga na própria equipe econômica que a queda pode passar de 7%. Como resposta ao desastre iminente, a equipe econômica está discutindo um plano para salvar os capitalistas brasileiros para ser posto em prática já a partir de agosto. É claro que o plano dos golpistas inclui transferir os custos desta conta para trabalhadores brasileiros.

Segundo o Ministro Paulo Guedes, não se trata de um novo programa, mas a retomada da agenda pró-mercado, isso mesmo, não há nenhum pudor em dizer abertamente que a prioridade é salvar os ricos e não o povo. A referida agenda dará sequencia as reformas do Estado, privatizações, concessões e desburocratização da máquina administrativa, que neste caso, trata-se apenas de um eufemismo para facilitação da corrupção. O Ministro até fala em um programas permanentes para redução do desemprego e da pobreza, mas estas questões ainda estão em fase de elaboração e em seguida reafirma que a prioridade é o mercado.

Privatizações

Uma das falas mais repetidas deste governo, é a que diz da necessidade de promover uma ampla privatização no Brasil, apoiada no mito criado pela imprensa burguesa da ineficiência do serviço público. O governo Bolsonaro comete um crime de lesa-pátria ao entregar setores estratégicos do Estado para a burguesia nacional e pior, para nações estrangeiras. Setores que dizem respeito a segurança e autonomia nacional, como o setor elétrico, representado pela Eletrobras, Combustíveis representado pela Petrobras, isso para citar dois importantes setores ameaçados de privatização.

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Outro setor menos conhecido da maioria do povo brasileiro, mas de importância capital na governança do Estado brasileiro é o de tecnologia da informação, representado por duas importantes empresas públicas, a Dataprev e o Serpro, esta última, a maior empresa pública de TI na América Latina, detêm todo o conhecimento de negócio necessário ao funcionamento do Estado brasileiro, além de dados sigilosos e vitais acerca do governo, das empresas e dos cidadão brasileiros. Para se ter uma ideia da importância do Serpro para o Brasil, basta dizer que sem ele o governo não paga sua contas, não arrecada tributos, não exporta e não importa. A Dataprev por sua vez, desenvolve sistemas que controlam e produzem informações a respeito do Seguridade Social no Brasil, conferindo transparência, governança e prevenindo fraudes numa área tão sensível.

O programa de privatizações de Paulo Guedes vai muito além destes setores citados, avança também sobre os banco público, como o Banco do Brasil e Caixa Econômica, responsáveis por financiar a agricultura familiar que produz alimentos e o programa habitacional, além de serem ferramentas fundamentais na promoção de programas sociais, de fomento e controle da economia pelo governo. O programa é mais que criminoso, é entreguista e antinacional, é um risco para a soberania nacional. Nenhum país sério do mundo pensaria em deixar em mãos privadas e talvez estrangeiras, setores tão vitais para soberania.

Reformas

O secretário de política econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou nesta sexta-feira que se o Brasil não adotar reformas pró-mercado o país seguirá num cenário de baixo crescimento. Este é outro tema recorrente nos governos golpistas, com argumentos falaciosos como gerar empregos e garantir a aposentadoria, os governos golpistas de Temer e Bolsonaro vem promovendo, desde o golpe de 2016, um assalto ao trabalhador brasileiro. A reforma trabalhista destruiu a CLT (Consolidação da Leis do Trabalho), conquista de décadas de lutas da classe trabalhadora e a reforma da previdência condenou o povo brasileiro a trabalhar até a morte.

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Paulo Guedes não quer parar por ai, pretende realizar uma reforma administrativa que na prática será o fim do serviço público no Brasil, significando o aparelhamento definitivo do Estado, com a mudança nas regras dos concursos públicos para atender aos interesses dos capitalistas.

Outra reforma desejada pela burguesia é a reforma fiscal que pretende ser ainda mais generosa com os capitalistas, transferindo a renda dos trabalhadores e concentrando ainda mais a riqueza nas mãos de poucos.

Liquidação do patrimônio nacional

O cerne da política neoliberal é uma brutal diminuição do Estado de forma que, o que sobre, caiba no bolso da burguesia, é uma completa subserviência aos interesses imperialistas que poderão facilmente exercer seu domínio sobre Nações fracas e desestruturadas.

O plano pró-mercado, por meio de reformas e programas de privatizações e concessões, promoverá uma completa liquidação do patrimônio nacional. Sob a mira criminosa dos golpistas estão as empresas públicas, recursos naturais como minério, petróleo e gás, terras agricultáveis, reservas ambientais e sua biodiversidade e tudo mais em que puderem colocar as mãos.

Esse sempre foi o programa dos golpistas, desde 2016, no entanto a crise decorrente das contradições no interior do bloco golpista e a pandemia do coronavírus, impuseram dificuldade para implementá-lo. Os golpistas não desistiram de seu plano de nenhuma forma, estão apenas tomando fôlego para atacar o povo no pós pandemia com mais ferrosidade do que nunca.