Uma política contra os negros
Afinal, qual o significado de se ter um negro no alto comando das forças de repressão do Estado? Esse fato, por algum motivo, mudaria o caráter repressor e ultrarreacionário da PM?
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Coronel Ibis Pereira, ex-comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução

Após a divulgação do nome do coronel da reserva Ibis Pereira, negro, ex-comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, como vice na chapa do PSOL à Prefeitura do Rio, o debate sobre a questão do negro ganhou um novo impulso. Afinal, qual o significado de se ter um negro no alto comando das forças de repressão do Estado? Esse fato, por algum motivo, mudaria o caráter repressor e ultrarreacionário da PM?

Um breve histórico da Polícia Militar

Em primeiro lugar, é preciso compreender o papel da PM na sociedade. Criada em 1809, um ano após a chegada de D. João VI, a Polícia Militar (à época chamada de Divisão Militar da Guarda Real de Polícia do Rio de Janeiro), tinha como objetivo a proteção da nobreza recém-chegada de Portugal. O crescimento populacional aliado às mazelas promovidas pela usurpação das classes dominantes levaria – ao fim e ao cabo – a um conflito de grandes proporções entre os exploradores e os explorados. Era preciso, portanto, criar uma corporação que atendesse aos interesses das classes dominantes e mantivesse a população sob um regime de terror, intimidando-a. Pois bem! Com o desenvolvimento histórico, a nobreza foi suprimida para dar lugar a uma nova camada exploradora – a burguesia. Assim como antes, essa posição privilegiada requereu um regime baseado no uso da força para a manutenção da exploração de uma classe sob as demais. A desigualdade social, por sua vez, assumia cada vez mais uma forma explosiva. O controle sob ao aparato repressivo, assim, exigia uma centralização, e assim se deu. Após o golpe de 1964, os militares, necessitando de uma forma de repressão mais eficiente, isto é, mais violenta e de características fascistas, reorganizaram a PM, sendo esta reestruturada pelas Forças Armadas durante a ditadura militar (1964-1985). Concentrou-se, então, todo o aparato de repressão sob a tutela do Estado-maior, tornando-o ainda mais violento.

O caráter classista da Polícia Militar

Dificilmente alguém que tenha participado de algum grande ato público não tenha escutado palavras de ordem pedindo o fim da PM. O “Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Polícia Militar”, virou uma espécie de hino dos oprimidos, uma palavra de ordem que unifica todos os setores explorados pelo Estado capitalista: operários, negros, mulheres, LGBTs, indígenas, sem-terra, camponeses etc., em uníssono, verbalizam uma necessidade imediata, uma reivindicação democrática. Todavia, alguns setores da esquerda ainda defendem a simples desmilitarização da PM, o que, em todo caso, não altera em nada o seu papel enquanto elemento de coerção e de terror ante a população explorada.

Tocando nesse assunto, em entrevista ao canal de notícias Sul21, em maio de 2018, Ibis Pereira respondeu a uma série de perguntas. De acordo com o ex-comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, pedir o fim da Polícia Militar é uma manifestação equivocada, que só acaba afastando o policial militar da causa.

“Acho que devíamos repensar essa palavra de ordem porque ela não é boa. Ela pode ser uma boa rima, mas não como possibilidade de estabelecer diálogo com as instituições policiais”, disse.

Ainda segundo Ibis, a PM é levada a adotar uma postura de guerra. “Isso está presente em Canudos, por exemplo. Canudos, na origem, é uma questão policial, que virou uma guerra. Isso é uma ilustração do que foi a segurança pública ao longo do tempo. Uma sociedade escravocrata, que, ao longo do século XIX, o grande medo era a insurreição dos negros”, afirmou. De fato, o maior medo das classes dominantes era de uma rebelião popular, sobretudo dos negros. Nisso estamos de acordo. E agora? A PM teria mudado de posicionamento?

Basta pegarmos o número de assassinatos cometidos pela PM contra a população negra para vermos que mesmo tendo um negro no alto comando, nada mudou. Se olharmos a corporação, boa parte, talvez a maioria, é formada por negros; negros que assassinam outros negros. Esse sempre foi o papel da Polícia Militar: combater e exterminar a população pobre e negra.

É preciso deixar claro que a Polícia Militar é uma instituição treinada para perseguir o povo negro. A luta de todo o negro deve ser para destruí-la, pô-la abaixo. O fato de trabalhar na corporação, ainda mais acriticamente, é colaborar para o genocídio que a PM provoca diariamente contra os negros.

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