Uma ação inócua
A esquerda tem a esperança de que a burguesia finalmente derrubará Bolsonaro, mas não se trata disso.
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Luciano Huck, apresentador golpista e candidato da Rede Globo | Foto: Repordução
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Luciano Huck, apresentador golpista e candidato da Rede Globo | Foto: Repordução

Na última sexta-feira o apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, chamou um panelaço contra Bolsonaro, junto ao movimento Vem Pra Rua, uma organização lavajatista que até ontem defendia com unhas e dentes o governo Bolsonaro, e que saiu às ruas com dinheiro empresarial para derrubar Dilma. Huck é uma das figuras da frente ampla, um nome cotado pelo centrão para disputar a presidência da República, agora está tentando articular o movimento eleitoral para 2022.

Huck é um dos principais responsáveis pela eleição de Bolsonaro e derrubada de Dilma. Não podemos esquecer que foi ele quem puxou uma vaia em pleno Maracanã contra a ex-presidenta. A demagogia e o oportunismo de Huck já viraram motivo de piada nas redes sociais, onde aponta-se com humor que todos as pessoas envolvidas em algum escândalo têm foto com o global. Mas o verdadeiro crime de Huck segue sendo seu posicionamento golpista, como um capitalista e homem de confiança do imperialismo.

A esquerda pequeno-burguesa está flertando com Huck há muito tempo. Flávio Dino fez reuniões com o apresentador, com Fernando Henrique Cardoso, com Doria e outros notórios direitistas para organizar a frente ampla. Essa frente é como o panelaço de Huck, não tem efeito nenhum contra Bolsonaro, apenas serve para eleger a direita em 2022.

No início de 2020 houve panelaços contínuos durante quase 3 meses e não surtiram nenhum efeito contra Bolsonaro. A única vez que o governo esteve realmente ameaçado foi quando a população saiu às ruas e enfrentou a direita, porém Boulos, representante da esquerda frente-amplista em São Paulo, fez de tudo para sufocar o movimento.

O panelaço de sexta-feira não passou de mais uma manobra eleitoral da frente ampla, e a esquerda pequeno-burguesa apoiou com todas as forças. Airton Faleiro (PA) deputado pelo PT, e a Frente Brasil Popular lançaram em suas redes sociais um chamado para a militância bater panelas em suas janelas.

A principal questão para que as massas possam lutar contra Bolsonaro e o imperialismo é sua independência política, porém essa independência nunca poderá ser alcançada se a esquerda se juntar a Doria, Huck, FHC, Baleia Rossi, Maia e outros. A direita quer apenas retomar o controle da situação, foram eles que elegeram Bolsonaro e se for necessário o farão novamente, como declarou Maia e o presidente do DEM. Se a esquerda continuar fazendo coro com a direita golpista terá muita dificuldade em organizar a população e fazer oposição quando esta conseguir derrubar Bolsonaro e tomar o controle da população.

A esquerda precisa ter uma posição independente da burguesia, denunciar a manobra do centrão e ter uma posição unificada. A única posição popular nesse momento é tirar Bolsonaro e lutar por Lula em 2022, qualquer outra posição levará a esquerda a apoiar um candidato da burguesia. Com toda a propaganda que a imprensa está fazendo por Doria, por Huck e companhia, o resultado esperado pela burguesia é colocar a esquerda a reboque para apoiar um candidato neoliberal e consolidar o golpe.

A burguesia não quer derrubar Bolsonaro, apenas quer pressioná-lo, e ganhar embalo político para 2022. No máximo, se sentir necessidade e conseguir, irá derrubá-lo para colocar em seu lugar alguém parecido, sem nenhum vínculo ou interesse nas reivindicações populares.

Panelaços e simples pedidos de impeachment não mudarão a situação política. É preciso uma ação enérgica da esquerda junto à população. Greves, atos e uma intensa campanha pelos direitos políticos de Lula, por Fora Bolsonaro e todos os golpistas.

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