Um ministério para atacar a educação

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Em entrevista à revista Veja, uma das principais impulsionadoras da extrema-direita durante o golpe, o ministro da Educação de Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez revelou a idiotice da denominada “ala ideológica” do governo. O novo ministro declarou que, ao lado de Paulo Freire (pedagogo, que por mais que haja críticas contra ele, é reconhecido mundialmente), deveria-se colocar a estátua do guru da extrema-direita, Olavo de Carvalho.

Vélez Rodríguez é um discípulo de Olavo, um fanfarrão psicótico que chegou a afirmar que o refrigerante Pepsi era produzido com “fetos abortados” e que acredita que a América Latina estava controlada por ditaduras comunistas – como a do PT. Pelo nível da loucura, percebe-se que a ignorância é uma característica fundamental dos fascistas.

Porém, apesar de toda a loucura, a extrema-direita é perigosa. Como diria Trotsky, o fascismo tem como objetivo acabar com a “democracia operária”, isto é, aniquilar, esmagar, proibir e reprimir todas as organizações e instrumentos de luta da classe trabalhadora. E isso é outra coisa perceptível na entrevista com o ministro.

Segundo ele, os sindicatos dos professores e a CUT são instrumentos para atacar as reitorias e as instituições de ensino, além de que – junto com os partidos de esquerda – atuariam para promover uma doutrinação comunista generalizada nestes meios. Por isso, Vélez explica que foi procurado por Bolsonaro, com a indicação de Olavo de Carvalho, justamente para combater o “marxismo”.

Isso em si já demonstra o absurdo. Querem implantar um regime de censura nas instituições de ensino. Para a Veja, Vélez declarou que a educação não podia ficar dependendo do dinheiro público. Em outras palavras, deve ser controlada pelos empresários parasitas. Mas o problema não para por aí. Não se trata apenas de um combate ao marxismo, mas de uma luta intensa para proibir todo tipo de ideologia progressista. Como já ficou claro com declarações de outros ministros (a ala ideológica), o que os fascistas querem é instaurar um regime totalmente retrógrada, em que se proíba as críticas à ditadura militar, o ensino das teorias evolucionistas, o formato esférico do planeta terra e assim por diante. Um verdadeiro obscurantismo ao estilo medieval.

Porém, além da censura, o que fica muito claro na entrevista é que o que os fascistas realmente querem é destruir o ensino público em prol do lucro dos capitalistas. E por isso os ataques ao marxismo e aos sindicatos; a censura e a repressão, que querem consolidar com o projeto Escola com Fascismo. Para isso, Vélez Rodríguez teve de diferir um profundo ataque contra todo o povo brasileiro.

Citando-o: “O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem que ser revertido nas escolas”. Isto é, o povo brasileiro é imoral e precisa ser corrigido. A declaração do ministro bolsonarista vai no sentido de desmoralizar toda população brasileira para justificar o tratamento de lixo e os ferozes ataques que serão realizados contra ela; com a destruição das universidades, que para o ministro, deve ser direito apenas das “elites”.

A declaração do ministro é totalmente absurda, ainda mais oriunda de um indivíduo que nem é brasileiro. Precisa haver uma intensa reação contra o governo Bolsonaro. O ministro deixou muito claro que ele está no cargo para atacar todo o povo. Contra a força dos fascistas, a população tem de reagir com suas organizações de luta. A declaração do ministro é uma desmoralização de um povo ao qual ele não pertence, e nesse sentido o colombiano defeca todos os absurdos idealizados por seu patrão: o imperialismo norte-americano.