Monopólios
Este artigo debate com as posições do jornalista da Fórum, Renato Rovai, que apresenta a tese “melhor Biden que Trump” ou Biden contra o “fascismo”
Nova Iorque - EUA, 21/09/2016. Presidente Michel Temer durante encontro com a imprensa brasileira e internacional. Foto: Beto Barata/PR
Biden foi um dos articuladores do golpe no Brasil | Foto: reprodução
Nova Iorque - EUA, 21/09/2016. Presidente Michel Temer durante encontro com a imprensa brasileira e internacional. Foto: Beto Barata/PR
Biden foi um dos articuladores do golpe no Brasil | Foto: reprodução

O caso da censura do Twitter ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, deixou setores da esquerda pequeno burguesa histérica e sem rumo. O caso mais recente é do editor da Revista Fórum, Renato Rovai.

A revista iniciou uma série de ataques ao Diário da Causa Operária, portal de notícias do Partido da Causa Operária na internet, em decorrência da posição do partido contra a censura de Donald Trump e sobre a demagogia do senhor da guerra, Joe Biden.

Em uma live realizada pelo portal Brasil 247 onde debateu com Leonardo Attuch, Renato Rovai apresenta seus “argumentos” sobre a posição do PCO e dissimula completamente a posição do PCO. Um dos pontos que vamos discutir nesse artigo é a afirmação de Rovai sobre o fascismo e o neoliberalismo. Segundo ele,

Por mais que as pessoas queiram igualar, não faz sentido igualar um neoliberal de um fascista. São distintos, privatiza a Petrobrás agora e você estatiza depois. O serviço que um fascista faz você não consegue mudar nessa rapidez. Então a gente tem que ser oposição de neoliberais e fascista, mas os fascistas têm que ser nossos inimigos. É diferente”.

Um neoliberal pode ser até diferente ideologicamente de um elemento fascista, mas não é essencial para um governo ou muito menos implantação de qualquer medida ou política. Para um governo o aspecto mais importante é o apoio de classe e no caso dos governos neoliberais ou fascistas o fundamental é o apoio da burguesia imperialista ou da burguesia de determinado país.

Um governo forte da burguesia só pode ocorrer com o apoio dos grandes monopólios. No caso dos EUA fica evidente que o governo de Donald Trump não tem apoio do setor principal da burguesia imperialista, nos EUA o capital imperialista está com Joe Biden. Essa burguesia que comete as maiores atrocidades pelos países do mundo em defesa de seus interesses.

Donald Trump é um fascista, racista assumido, faz parte de uma corja, mas não conseguiu aplicar sua política e foi retirado do governo porque sua política não estava de acordo com os interesses da burguesia norte-americana.

Outro exemplo é o caso do Brasil com o governo Bolsonaro. Jair Bolsonaro é ideologicamente um fascista, e um representante da extrema direita no Brasil, mas seu governo não consegue aplicar nenhuma medida fundamental porque nesse momento não possui apoio de setores fundamentais da burguesia brasileira. Não por acaso, recentemente o PSDB iniciou uma campanha contra o governo Bolsonaro mostrando o número de privatizações realizadas pelo governo FHC e o número de privatizações do governo Bolsonaro. A diferença é gritante e Bolsonaro não conseguiu privatizar quase nada comparado a FHC. E sempre reforçando o argumento que não consegue aplicar a política de privatizações porque é um governo que neste momento não tem apoio da burguesia nacional.

Assim como Trump, Bolsonaro se apoia em setores da classe média e das forças de repressão do país que deixa a burguesia imperialista em alerta e esse é um dos motivos pelos quais fazem campanha contra eles, porque possuem pouco controle desses governos com elementos fascistas. Preferem pessoas e partidos mais arraigados com a burguesia tradicional como o PSDB, FHC, João Doria e nos EUA, o Partido Democrata, de Joe Biden, Clinton, Obama etc.

Veja o caso de João Doria. Doria é um dos elementos mais repugnantes da política nacional e colocou em prática uma política de extrema direita de privatizações, cortes de verbas em pesquisa na pandemia, cortou UTI quando todos sabiam que viriam uma segunda onda de contaminações ainda pior que a primeira, queria fornecer ração de comida vencida para as crianças das escolas paulistas, incentivou a letalidade policial e criou batalhões de “elite” no interior para matar a população pobre (o que levou a mortes pela polícia dispararem no estado), defende a volta às aulas em plena pandemia e muitas outras coisas. Mas a burguesia o apóia e ainda faz campanha como uma pessoa “científica”, “civilizada” e “moderada”.

Um governo fascista é quando os grandes capitalistas colocam Jair Bolsonaro para aplicar a política de João Doria. Tomam essa decisão quando a crise é muito grande e não conseguem contornar a situação e tem que aplicar uma política mais “agressiva”.

Este fato ocorre no Chile no período de Augusto Pinochet. É público e notório que para o imperialismo aplicar as medidas neoliberais no Chile se apoiou nos elementos fascistas das forças armadas e de repressão. Diante da enorme crise no país, da ascensão de um governo de esquerda e grande mobilização social, a burguesia se apoio de um governo fascista para aplicar suas medidas neoliberais. Para terem seus interesses defendidos, a burguesia em prática uma ditadura fascista para impedir qualquer tipo de mobilização social contrária a seus interesses.

Os grandes capitalistas não utilizam a “carta” do fascismo em qualquer circunstância porque as consequências podem ser muito custosas. As medidas de governos fascistas são muito duras contra a população e em decorrência podem levantar um movimento de oposição muito grande e colocar “fogo” no país. O fascismo é a última opção da burguesia diante da crise e da falta de medidas para solucionar a crise.

No Brasil ocorreu algo semelhante, as políticas neoliberais aplicadas pela burguesia causaram uma enorme pobreza dos trabalhadores e o país virou um barril de pólvora. Essa situação impôs para a burguesia um governo de esquerda e nacionalista, como os governos petistas. Com o agravamento da crise, a burguesia deu um golpe e – não conseguindo impor um candidato próprio dos seus partidos tradicionais – apoiou Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro é um governo improvisado e fruto de uma enorme crise na burguesia brasileira, suas ações estão agravando ainda mais a crise e a burguesia estão buscando formas de substitui-lo de maneira que esta consiga se manter no controle da situação. Mas caso a crise aumente, podem apoiar Jair Bolsonaro abertamente e está implantado um regime fascista.

Fica evidente que, para a burguesia, o fundamental em um governo não é o que o governante está pensando ou tem como ideologia, e sim o apoio aos interesses dos grandes monopólios internacionais. A mesma burguesia que dá aval para Joe Biden cometer a suas atrocidades em contraposição a Donald Trump é a mesma que com o agravamento da crise muda de “lado” e apoia um fascista. Trump ou Biden, quem é pior para os trabalhadores? É a burguesia quem vai decidir, de acordo com as conveniências de cada momento.

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