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Um ato por mês: a luta a conta-gotas
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Instalado na cadeira presidencial há quase sete meses, o golpista e fraudulento governo Bolsonaro não passou um só dia sem anunciar ou colocar diretamente em execução um conjunto de medidas que atacaram duramente as condições de vida dos trabalhadores; dos explorados de uma forma geral e também a soberania do país, num claro e aberto favorecimento às forças golpistas, reacionárias e de extrema direita, responsáveis pela conspiração golpista que depôs o governo eleito pelo voto popular em 2014.

Não pode ser desconhecido o fato de que o repúdio popular ao governo vem acompanhando Bolsonaro desde a sua posse, onde por inúmeras vezes setores cada vez maiores da população, em várias situações, hostilizaram o ex-capitão de extrema direita, sendo a mais contundente durante os festejos do carnaval, a maior e mais importante festa popular do país, onde, de norte a sul foi ouvido o refrão, “hei Bolsonaro, vai …..”

Nestes quase sete meses de absoluto caos e tragédia, Bolsonaro e os golpistas fizeram retroceder espantosamente as condições de vida da população pobre do país, atacando direitos fundamentais básicos dos explorados, como os cortes no orçamento e o anúncio da cobrança de mensalidade nas universidades públicas; e o maior e mais vil e perverso dos ataques, expresso no fim da aposentadoria de milhões de brasileiros, com a aprovação do texto-base de “reforma” da previdência, votado em primeiro turno no último dia 10 de julho, sem que houvesse qualquer mínima reação, do ponto de vista da mobilização de massas para enfrentar a ofensiva do governo e do congresso nacional contra os trabalhadores, os aposentados e pensionistas, vale dizer, a maioria do povo trabalhador brasileiro.

Em contraste com a enorme disposição de luta e a inquietante movimentação de centenas de milhões de pessoas país afora, que vem manifestando o desejo de colocar na lata de lixo o governo que vem atacando cotidianamente direitos e conquistas da maioria da nação, está a política deliberada das direções do movimento de massas no país. As massas já demonstraram em várias ocasiões a intenção de chocar-se com a política de fome e miséria do governo, de enfrentá-los nas ruas, de impor uma derrota a Bolsonaro e os golpistas.

Em maio iniciaram-se os protestos e atos contra os ataques do Ministro Weintraub e Bolsonaro contra a educação, quando foram realizadas – num espaço de quinze dias – duas gigantescas manifestações, que levaram milhões de estudantes, professores e populares às ruas, com o repúdio popular contra o governo tomando conta dos atos, onde as palavras de odrem não deixaram qualquer dúvida quanto ao que pensa a maioria da população. “Fora Bolsonaro” foi o grito que ecoou nos quatro cantos do país.

Esta mesma disposição de luta das massas marcou o dia nacional de paralisação, ocorrido em 14 de junho, onde novamente milhares de trabalhadores e populares cruzaram os braços, numa pujante demonstração de vigor e determinação de luta contra o governo. A CUT, equivocadamente, não chamou a realização de atos para marcar o dia 14 de junho, mas onde eles ocorreram, contrariando a orientação oficial da Central, houve uma importante adesão de trabalhadores e populares aos atos.

Essa foi, no entanto, a última iniciativa da CUT, pois não houve qualquer outra ação para dar continuidade aos atos e protestos contra o governo. Isso faz com que a disposição de luta demonstrada pela população se disperse, não evolua, não cresça e não se desenvolva. Os atos espaçados e sem uma sequência imediata entre um e outro mais parecem atos institucionais, dirigidos para pressionar as instituições do Estado (parlamento, justiça) e não tem o efeito de alavancar a luta para o enfrentamento contra o governo.

Para que haja uma verdadeira mobilização que cresça e evolua no sentido de conformar um movimento de grande envergadura, que incorpore cada vez mais camadas da população que desejam enfrentar e derrotar Bolsonaro, faz-se necessário um plano de lutas, um plano de ação que não pode se restringir a manifestações esporádicas, ocasionais. É fato que o governo está debilitado, enfraquecido, com a popularidade em baixa, mas sem um vigoroso movimento permanente de enfrentamento, de confronto, a tendência é que, mesmo cambaleante, Bolosnaro tome iniciativas e continue sua ofensiva contra as massas populares.

Portanto, a mudança de rumos na orientação da luta de massas no país deve ser imediata, pois não há tempo a perder. Ainda há tempo de ir para cima e estrangular Bolsonaro e os golpistas. Mas para isso é necessário romper com  a paralisia, com a orientação equivocada e ineficaz de realizar atos uma vez a cada dois meses, ou mesmo 1 (um) a cada mês. As massas querem lutar, querem ocupar as ruas, desejam enfrentar o governo, derrotar seus planos de fome, miséria e entrega do país ao capital estrangeiro e o imperialismo.

No entanto, as massas populares, a juventude, os trabalhadores; enfim, todos os explorados precisam encontrar um canal de expressão que dê um sentido consciente a este enorme potencial de luta que se encontra represado, bloqueado. Lutas dispersas e isoladas, contra uma e outra medida do governo (educação, previdência) não são capazes de conformar um movimento contra a ofensiva de conjunto do governo, da burguesia e do imperialismo. Somente uma outra orientação, uma nova perspectiva poderá superar o atual estado de paralisia, de atos dispersos, sem um plano de continuidade que aponte para o seu crescimento, seu  desenvolvimento e vá na direção do enfrentamento e da derrota de Bolsonaro, dos golpistas, da extrema direita e do imperialismo.