Um ataque às mulheres: deputados golpistas querem dia contra o aborto no Paraná

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Esta semana mais um ataque foi realizado às mulheres. Na quarta feira, 09, foi discutido, na Assembléia Legislativa, um projeto de lei, oriundo do deputado, golpista, Cobra Repórter (PSD), que visa criar um Dia de Conscientização Contra o Aborto (15 de maio) no Paraná. Participaram grupos contrários e favoráveis a esse absurdo retrógrado.

O objetivo do projeto é que, todo 15 de maio, sejam promovidos seminários e campanhas de informação sobre o assunto. O que se sabe, porém, é que o intuito é reforçar o papel oprimido da mulher na sociedade capitalista. As atividades domésticas são um dos principais determinantes da condição de escravização social da mulher. Concomitante aos cuidados da casa, está o cuidado com os filhos, que nada mais são do que mão de obra que, futuramente, fomentarão o sistema. Desde a infância é imposto às mulheres que seus desejos -sobre seus corpos e vidas estão submetidos as necessidades do sistema que os reprime e oprime diariamente.

Só em 2015, em dados assistidos pelo Ministério da Saúde, 1.664 mulheres morreram após dar entrada em hospitais devido a complicações recorrentes de procedimentos abortivos realizados de forma irregular e clandestina. Seguindo essa mesma estatística, constata-se que, a cada dois dias, uma mulher morre em decorrências dos processos mal efetuados. Um total massacre as mulheres, principalmente se for levado em conta o número de óbitos não registrados enquanto oriundos de abortos. Logo, se fosse uma prática legalizada, diminuiriam o numero de óbitos oriundos de procedimentos precários, sem aparato médico e aparelhagem cirúrgica adequados.

A realidade vista não só no Paraná, mas em todo país, é reflexo do golpe. Mulheres são, cada vez mais, perseguidas, legal e moralmente, por ousarem escolher o que julgam mais conveniente a seus corpos e vidas. Com o aprofundamento do golpe todas são afetadas pelos retrocessos, tanto na conquista de direitos, que jamais lhes deveriam ser negados e questionados, como na perda deles -a exemplo do fim da licença maternidade (a aquelas que querem ou são forçadas a maternidade)-.

A luta das mulheres deve ser a luta política. Nesse sentido, torna-se essencial barrar o golpe. Apenas dessa maneira é possível vetar a retirada de direitos de todas, bem como assegurar conquistas -tal qual o aborto legal e seguro-, além, é claro, da aprovação de leis absurdas como a proposta pelo deputado direitista no Paraná.