Trabalho escravo
Metade dos funcionários foram contaminados no ano de 2020, inúmeras mortes, este é o resultado da ganância dos donos de frigoríficos no país
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Bois confinados para o abate em frigoríficos
Bois confinados para abates em frigoríficos | Foto: Reprodução

Os patrões do setor de frigoríficos, no Brasil, desde o início da pandemia, quando a Ásia começava a despontar os primeiros casos do coronavírus, Wuhan, na China, já vislumbravam altos valores em suas contas bancárias devido às exportações, principalmente para esse país asiático.

Conforme a revista venal Veja de 30 de janeiro de 2020, os grupo JBS/Friboi e BRF – Brasil Foods, afirmam que a disseminação do coronavírus na China pode ajudar a impulsionar as importações chinesas por seus produtos, ao levantar preocupações quanto à segurança alimentar no país. O presidente da BRF, Lorival Luz, disse que a epidemia pode aumentar as vendas de produtos de carne congelados e processados. “O vírus supostamente teve início em um mercado na China onde eram vendidos animais vivos.

“(…) Todos produtos de carne congelada e processada da BRF passam por checagens de segurança no Brasil antes de serem exportados globalmente.”

Segundo o presidente da JBS, Gilberto Tomazoni, a China elevou importações de carne durante a epidemia de Sars nos anos 2000. As importações chinesas de carne brasileira já saltaram recentemente após um surto de peste suína africana que dizimou o rebanho de porcos do país. Tomazoni disse esperar que os impactos da peste suína sobre o mercado global de carnes tenha seu auge neste ano.

Assim agiram os patrões do setor industrial, onde vêm ocorrendo os maiores números de contágio do covid-19 no país, sendo, inclusive as duas empresas que mais ocorreram contaminação dentro do Brasil.

O Contágio do coronavírus no início da pandemia

A justiça, em março já vinha agindo no favorecimento dos patrões e do governo, como se pode perceber em Santa Catarina, devido ao total descaso do patrões de frigoríficos do grupo JBS/Friboi, a própria JBS e a Seara Aves nas cidades de Forquilhinha e Nova Veneza, em 21 de março, o primeiro caso de contaminação e falta proteção aos trabalhadores foi anunciado, os trabalhadores fizeram greve, os representantes pediram providências à justiça e receberam um não, o que deixaram já, naquele momento, os operários desse setor jogados à própria sorte.

No caso, em pleno sábado, a empresa obteve uma decisão favorável, o que permite a ela a retomada das atividades normais. O grupo JBS, cinicamente emite nota dizendo que “…mantém total foco em garantir a segurança de todos seus colaboradores, adotando rígidos protocolos de acordo com os órgãos de saúde. A decisão reafirma o firme propósito da Companhia de não comprometer a produção e o abastecimento de alimentos de qualidade, atividade essencial ainda mais necessária em todo o país neste momento”.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 12ª Região através da desembargadora Maria de Lourdes Leiria afirma que a atividade econômica é “instrumento relevantíssimo e indispensável ao desenvolvimento nacional” e que determinados segmentos, como a indústria de alimentos, “exercem insubstituível papel vital à estabilização da sociedade, porquanto eventual paralisação implica riscos de graves danos à vida, saúde e segurança”. Estava sendo mostrado qual o tratamento que os trabalhadores teriam diante da pandemia do coronavírus.

Os patrões, os governos e prefeitos escondem os contágios

Em Passo Fundo, cidade do rio Grande do Sul, o governo Eduardo Leite, do golpista PSDB, escondeu um caso de contaminação no frigorífico do grupo JBS/Friboi, onde 62 trabalhadores haviam sido contaminados e havia, inclusive mortos envolvidos. Somente após uma semana do fato consumado, foi que o governador emitiu algo referente ao incidente, no entanto, os patrões tentaram desculpas diversas para ocultar a tragédia. A JBS de Passo Fundo teve suas atividades paralisadas por três vezes, devido ao descaso completo dos donos do frigorífico, que preferiram deixar suas instalações sem nenhuma alteração, sem proteção dos trabalhadores, inobservância da distâncias, falta de insumos, como álcool gel, Luvas e máscaras.

No mesmo estado do Rio Grande do Sul, várias empresas foram interditadas, como ocorreu na cidade de Lajeado, onde os Frigoríficos BRF – Brasil Foods, e Minuano, ou seja, dois grande frigoríficos tiveram suas portas fechadas por 14 dias. Ou mesmo, em Caxias do Sul, onde outra empresa do grupo JBS/Friboi teve 412 casos de contaminação.

O estado contabilizou, no início de julho mais de 6.200 casos de contágio do coronavírus. A situação alarmante com os trabalhadores no setor que, em dado momento, o número de contaminados em todo o Rio Grande do Sul que, 33% dos contaminados eram dos frigoríficos.

No entanto, o estado do Rio Grande do Sul não era um caso isolado, no Brasil, de norte a sul, de leste a oeste era a mesmo situação catastrófica.

Dados dos trabalhadores apresentados ao sindicatos e federações

Em julho, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), as Federações e Confederações, bem como os sindicatos representativos do setor industrial dos frigoríficos, como a Contac, entre outras federações denunciaram que, havia mais de 125 mil trabalhadores contaminados e incontáveis números de mortos e, foi elaborado uma campanha, cujo objetivo era de obrigar os patrões a dar condições do funcionários trabalharem, no entanto, a despeito do tratamento escravo imposto pelos patrões, a situação continuou com a exploração dos funcionários e o contágio continuou aumentando. Estima-se que hoje há mais de 250 mil trabalhadores contaminados, ou seja, uma fatalidade, diante de cerca de 500 mil funcionários trabalhando no setor de frigoríficos.

Os patrões, o governo e a sujeira por debaixo do tapete

Diante do caos instalado no país, do aumento exponencial de contaminação dos trabalhadores, os frigoríficos que, faziam “compromissos de acatarem o Termo de Ajustamento de Condutas (TAC)” junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), uma mera formalidade para se livrarem das fiscalizações, começaram a ser pressionados lá de fora, ou seja, a China interditou vários frigoríficos que exportavam para o pais asiático, no entanto, preferiram o silencia à explicação de suas atrocidades.

Um dos frigoríficos que sofreu a sanção, a Cooperativa Aurora, somente após um puxão de orelhas é que resolveu realizar testes em seus funcionários, no entanto, anteriormente já havia se comprometido com o MPT a realizar os teste em seus funcionários, mas não o fez.

A latifundiária golpista e ministra da agricultura diante da pandemia

Diante da avalanche de denúncias de casos de contaminação do coronavírus, como porta voz do governo golpista do fascista Bolsonaro, a latifundiária, golpista e ministra da agricultura que, no inicio da pandemia dizia que estava preocupada era com a exportação e que esse setor industrial trouxesse dólares para o país, em uma entrevista no meio do ano, disse que a imprensa estava ampliando algo que não ocorria nos frigoríficos, ou seja, os enormes contingentes de operários que estavam sendo contaminados.

Aproxima-se o período eleitoral e país parece que nunca houve coronavírus

No período das eleições, parecia que o coronavírus havia se dissipado, sem haver testes, vacina, etc., como se num passe de mágica, em um artigo de outubro do venal globo, há uma notícia de que, em setembro houve um paro nos casos de coronavírus nos frigoríficos. Uma falácia diante do aprofundamento dos casos que, somente não estavam sendo divulgados.

Depois de passadas as eleições, em dezembro, após esconderem a situação de hecatombe no pais, é destampada a tampa do bueiro, onde desapareceram com a realidade vigente, desde o início da pandemia, pois não havia com esconder por muito tempo essa situação catastrófica.

A retrospectiva do ano indica que somente a mobilização dos trabalhadores dos frios, tendo a CUT como linha de frente, poderá impor uma derrota aos patrões e garantir a sobrevivência da categoria diante da pandemia e da crise capitalista.

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