Um 1º de Maio de festa? Sem luta, sem Lula… mas com cantoras de sertanejo bolsonaristas

simone simaria

O 1º de maio é um dia histórico na luta dos trabalhadores de todo o mundo. Neste momento crítico em que vivemos no Brasil, onde o ex-presidente Lula segue preso injustamente há mais de um ano nas masmorras de Curitiba e todo o povo brasileiro tem sido esmagado pelo governo ilegítimo de Bolsonaro, seria de se esperar que este primeiro de maio de 2019 fosse um dia de atos gigantescos contra o golpe, certo? Infelizmente, não é isso que tem se desenhado.

Reconhecemos desde sempre a importância de festas e atividades sociais, ao contrário da esquerda pequeno-burguesa, que age como se fossem verdadeiros espartanos. Mas tudo tem sua hora e lugar. E a atividade social não deve estar desvinculada da luta política, pelo contrário. Nestas circunstâncias, mesmo com shows e a apresentações culturais, os atos do 1º de maio deveriam ser atos aguerridos, focados na luta contra o governo ilegítimo de Bolsonaro e pela liberdade do presidente Lula.

Há uma série de músicos e cantores de esquerda que participaram dos atos contra o golpe, tais como Chico Buarque, Beth Carvalho, Ana Cañas, Leci Brandão, Chico César e até mesmo Gilberto Gil, dentre muitos outros. Entretanto, fomos todos surpreendidos pela notícia de que esses e outros artistas que participaram da luta contra o golpe e pela liberdade de Lula não são são os destaques dos atos de 1º de Maio, como foram substituídos por cantores controlados por uma verdadeira máfia. Estamos falando dos cantores de música sertaneja, controlados pelos próprios latifundiários bolsonaristas. É o caso sintomático da dupla Simone e Simaria (do cartaz acima), uma dupla sertaneja que, seguindo o script da direita, procuram se vender como imparciais, apolíticos, mas que no entanto desejaram sucesso para o governo ilegítimo do fascista Bolsonaro.

Enquanto isso, há uma pressão enorme para que não se fale em Lula, por conta do “apoio” da Força Sindical e setores da “esquerda” que não lutaram contra o golpe, apoiaram o governo Itamar e não querem luta pela liberdade de Lula. Toda a militância de esquerda pôde constatar o papel de destaque desempenhado pelo infame Paulinho da Força e a sua central sindical, que na realidade é um instrumento da FIESP e dos grandes capitalistas brasileiros e internacionais. Além disso, é publica e notória a posição do PSTU/Conlutas que defendeu o “Fora Dilma” e é a favor da prisão de Lula.

Como se não bastasse, em Curitiba, local onde Lula segue enclausurado injustamente, não há uma grande mobilização sendo convocada em torno da liberdade de Lula. Por conta disto, os militantes do PCO e outros setores estão convocando um  ato em frente à Superintendência da Polícia Federal no Primeiro de Maio.

A direção da CUT – central sindical verdadeira no Brasil, criada como parte da luta da classe trabalhadora, que congrega milhares de sindicatos e é a única em condições de convocar uma verdadeira greve geral –  tem cedido à pressão das outras “centrais”, de modo que em nome de uma “unidade”, as lutas pela Liberdade de Lula e pelo Fora Bolsonaro sejam deixadas em segundo plano.

A CUT deve abandonar esses pesos mortos e enfim alçar vôo em direção à uma gigantesca greve geral, em torno das palavras de ordem que estão na boca do povo,“Liberdade para Lula” e “Fora Bolsonaro e todos os golpistas”,  e que são capazes de unir os explorados e suas organizações de luta de todo o País em uma mobilização que ponha abaixo o regime golpista, derrote a “reforma” da Previdência e todos os ataques dos golpistas contra os trabalhadores.