Contra a Intervenção
A reunião ocorrida na quarta funcionou como uma eleição interna, na qual saíram vencedores o atual reitor, juntamente com Marcos Ferraz e Maria Rita
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UFPR | Foto: Reprodução

Diante do risco iminente da nomeação de mais um interventor em universidade pública, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizou na última quarta-feira (30) uma manobra para a escolha de sua lista tríplice, da qual foi excluído o candidato que havia perdido na consulta à comunidade acadêmica, mas que poderia via a ser nomeado ilegitimamente pelo Ministério da Educação fascista de Bolsonaro.

Horácio Tertuliano Filho, diretor do Setor de Tecnologia da universidade havia se candidatado ao cargo de reitor. Ele era o único candidato a competir com o atual reitor, o professor Ricardo Marcelo Fonseca, que se candidatou à reeleição. Tertuliano Filho, como era de conhecimento geral entre estudantes, docentes e técnicos, não goza de nenhuma popularidade, devido a sua política bolsonarista. Embora ele diga que não gosta desse rótulo, declara seu voto em Bolsonaro e diz exatamente o mesmo que o bolsonarismo diz das universidades. Defende que a universidade tem que se abrir à iniciativa privada, o que pode ser traduzido como defesa da privatização. Diz também que a UFPR é um centro de doutrinação ideológica que, em vez de formar profissionais forma militantes (ótimo seria se assim fosse). Além disso, diz que a universidade é contra o “assistencialismo”, pois, segundo ele, não se pode encher um curso de medicina de cotistas, visto que sua condição econômica não seria adequada para tal curso. Logo se vê que, se Tertuliano diz que não é bolsonarista pouco importa, pois acreditar nisso seria o mesmo que acreditar em um oficial da polícia política de Hitler portando uma suástica no braço que dissesse que não é nazista.

Isso fez acender a luz de alerta na comunidade acadêmica: embora ele não tivesse chances de ser eleito devido à sua impopularidade, poderia vir a ser nomeado pelo governo federal, para cumprir a função de interventor. Essa possibilidade é real, pois desde o fim da ditadura militar havia um acordo informal entre as universidades e institutos federais  de enviar à presidência da República apenas o nome do concorrente mais votado pela comunidade acadêmica, sendo que as chapas perdedoras voluntariamente retiravam-se da disputa. Assim, o único papel do presidente era referendar o resultado da consulta à comunidade acadêmica. Mas não é mais assim que ocorre. Foi formalizado na semana passada, a mudança de posicionamento do MEC, na qual ele exige uma Lista com três nomes. Dessa forma, o nome do candidato bolsonarista teria que ser enviado, como um dos possíveis novos reitores.

Diante dessa situação, o Colégio Eleitoral da UFPR abriu novo prazo para que fossem apresentadas mais candidaturas. Os professores Marcos Ferraz e Maria Rita Cesar, que são vice-reitores, apresentaram então suas candidaturas. Tertuliano, o bolsonarista que não gosta de ser chamado pelo que é, tentou manter seu nome na lista tríplice, impetrando mandado de segurança. A reunião ocorrida na quarta funcionou como uma eleição interna, na qual saíram vencedores o atual reitor, juntamente com Marcos Ferraz e Maria Rita, sendo que seus nomes é que irão compor a lista a ser apresentada.

Trata-se de uma medida que pode pegar a extrema-direita desprevenida temporariamente, mas que em algum momento será superada pelo bolsonarismo. Por esse motivo não devemos nos limitar a ações como essas. O caminho mais seguro para enfrentar a ditadura bolsonarista nas universidades é a mobilização dos estudantes pelo governo tripartite, de modo que a comunidade acadêmica e mais ninguém possa decidir os rumos das universidades.

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