UFFS: corte de verbas provoca demissões e paralisação de atividades

uffs

Da redação – O Golpe de Estado vem promovendo uma destruição total do Brasil. Não bastassem as “reformas” do governo que retiram direitos do povo trabalhador como os direitos trabalhistas e a previdência, os golpistas também vem estrangulando as verbas federais para a educação pública, numa clara tentativa de acabar com a educação no país.

Desde a destituição ilegal da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, o governo dos golpistas vem levando adiante uma serie de cortes de orçamento que atingem diretamente o ensino público no país, mais notadamente o ensino universitário que sofreu um corte de verbas que alcançou a marca de 28% em 2017. Um dos casos que mais tem chamado atenção é o da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) que vem administrando estes cortes através da demissão de funcionários e outros malabarismos financeiros.

Os cortes de verba do governo federal prejudica enormemente as atividades da UFFS, visto que torna impossível o reajuste das bolsas de auxílio material dos estudantes, a compra de material, reformas e as viagens dos professores para congressos acadêmicos. Como afirma o coordenador do Sindicato dos Professores da UFFS (Sinduffs) “Este corte no custeio modifica muito a vida da universidade. Nós não temos praticamente recursos para realizar eventos. Além disso, apesar de podermos fazer pesquisa, produzir, temos dificuldade para apresentar resultados em eventos e congressos pela inexistência de passagens e diárias. É difícil o professor financiar com seu próprio salário a participação em um evento internacional, por exemplo”. Além disso, os cortes impossibilitaram que a universidade levasse adiante seus projetos de expansão que incluíam abertura de cinco novos cursos e de dois campi, sendo que um deles seria aberto dentro de uma aldeia indígena. Cabe lembrar que a UFFS foi uma das primeiras iniciativas do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), criado pelo Governo do PT ainda em 2009 e que permitiu que a universidade abrisse campus em três estados diferentes (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) e em ao menos seis cidades.

A Universidade Federal da Fronteira Sul vinha sendo um exemplo de expansão do ensino superior no país, tendo quadruplicado o numero de matriculas em menos de sete anos, e já conta com quarenta e três cursos, doze programas de mestrado e dois de doutorado. O atual reitor da universidade Jaime Giolo explica que além da redução de recursos, o governo também sabota a Universidade na medida em que demora muito para liberar os recursos, inviabilizando sua utilização. Como disse o reitor em entrevista: “Este ano, o capital para investimento da UFFS é de menos de R$ 3 milhões e ainda precisamos abrir licitação para terminar um último prédio. Na lei orçamentária, temos um valor, mas precisa ser liberado, o que demora. Às vezes, é liberado só no fim do ano”. Em 2017, um ano após o Golpe, a universidade teve uma perda real de mais de 50% de seu orçamento, um ataque brutal que dificulta muito a continuidade das atividades.

Para driblar o corte de orçamento a UFFS já desligou 43 trabalhadores terceirizados entre eles seguranças, funcionários da limpeza e cozinha. Também tem sido evitada a contratação de professores temporários para cobrir as licenças dos efetivos, pois isso acarretaria em gastos que a universidade não tem sido capaz de pagar. Além disso, as bolsas integrais para alunos indígenas e aqueles que comprovam dedicação em tempo integral foram suspensas, o que deixa um numero muito grande de alunos sem condições de estudar.

Fica claro, que o processo que vem ocorrendo na UFFS não é um problema particular dessa universidade, mas vem atingindo o conjunto do ensino superior público no Brasil. O plano dos golpistas é privatizar totalmente o ensino superior no país, entregando a educação do povo nas mãos dos capitalistas que apenas querem lucrar com a venda de diplomas. O avanço do Golpe de Estado vem acarretando a entrega total do patrimônio do povo brasileiro na mão da burguesia, assim como a entrega da Petrobrás e do pré-sal, o que são verdadeiros crimes contra o povo.