Censura
Diretor financeiro do Twitter diz que Donald Trump não volta a ter um perfil na rede social nem mesmo se for candidato novamente.
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Twitter e sua política de censura. Ataque aos direitos democráticos da população. | Foto: Reprodução
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Twitter e sua política de censura. Ataque aos direitos democráticos da população. | Foto: Reprodução

Segundo Ned Segal, diretor financeiro do Twitter, o banimento de Donald Trump da rede social em questão pode ser definitivo. Longe de ter qualquer apreço pelo ex-presidente dos Estados Unidos, mas fica claro que as políticas de ataques e censuras promovidos pelos monopólios das redes sociais objetiva criar um pensamento único, sem maiores divergências, ou ainda, um pensamento uníssono de apoio à burguesia imperialista.

Diversas matérias nesse jornal já trataram sobre o assunto da censura de Donald Trump nas redes sociais, o debate é extenso e não custa nada explicar novamente, ou ainda, quantas vezes forem necessárias. A realidade, diferente do maravilho mundo pintado pela ideologia vazia de setores da esquerda pequeno burguesa, é uma só: para haver a censura, alguém tem que ser o censurador e um outro alguém tem que ser, invariavelmente, o censurado.

Setores da esquerda, erroneamente, vêm se manifestando a favor da censura promovida pelas redes sociais a figuras de extrema-direita, dentre elas, Donald Trump. O que esse setor esquece, ou parece ter esquecido, é que historicamente, a esquerda e os trabalhadores são os mais prejudicados pela censura e pelo corte e vigilância do livre fluxo de ideias. É uma questão muito simples: hoje calam um pequeno setor de extrema-direita, com um apelo popular que tende a diminuir com a situação política evoluindo a medida que a esquerda se posiciona de maneira mais incisiva no cenário político. Amanhã a censura praticada contra a extrema-direita cai no colo da esquerda. E quais serão os argumentos para deslegitimar tal ação? Ora, apoia-se com a conveniência e rejeita-se com a situação tornando-se desvantajosa? Qual é o sentido de uma política tão difusa quanto essa?

A censura de Donald Trump não é isolada de um cenário político mais complexo que expõe uma profunda crise na burguesia norte-americana. Nesse sentido, a livre expressão de Trump e a penetrância dessas opiniões em sua base social configuram um entrave para que o regime político se arregimente em torno de Joe Biden, em outras palavras, achar que a censura promovida contra Trump não configura um apoio direto a Biden é de uma inocência tremenda, ou seja, apoiar o Twitter, Facebook e outras redes sociais é saudar a política de terra arrasada que o novo presidente norte-americano vai, com toda a certeza, promover. Dentro desse panorama, a censura apoiada pela esquerda, não representa apenas a defesa de uma arbitrariedade, indica um profundo desnorteamento político.

O PCO, com a guarita que só um partido que defende princípios políticos pode ter, vem cotidianamente se manifestando contra a censura e as arbitrariedades praticadas pelas redes sociais que articulam tais ataques a liberdade de expressão com um só objetivo: controlar o cenário político para favorecer os planos de rapina e as políticas neoliberais de destruição promovidas pela burguesia imperialista. Portanto, acreditamos que o livre fluxo de ideias é fundamental para o avanço político das massas e que toda opinião divergente da nossa deve ser combatida com a adoção de políticas revolucionárias e até onde sabemos, nada é mais contrarrevolucionário que a censura de adversários políticos, notadamente quando esta é executada pelo Estado burguês.

Ademais, o Twitter e as outras redes sociais que censuram os adeptos das asneiras proferidas por Donald Trump, já promovem um verdadeiro silenciamento contra discursos que não são de extrema-direita, muito pelo contrário. O Socialist Workers Party, do Reino Unido já foi censurado no Facebook por defender a causa palestina e a  embaixada da China nos EUA e a Assembleia Nacional da Venezuela tiveram seus perfis fechados pelo Twitter. Aqui vale uma provocação: Juan Guaidó e Leopoldo Lopéz, ambos golpistas e alinhados com o imperialismo e que comprovadamente agem para sabotar o regime chavista da Venezuela estão com suas contas livres e verificadas no Twitter. Por qual motivo eles ainda não foram censurados? Afinal de contas, vindo deles, usando a métrica adotada pelo Twitter, discurso de ódio é que não falta.

Por fim, mas não menos importante, as redes sociais atuam como um monopólio que controla a informação e servem aos interesses do imperialismo, portanto, censurar Donald Trump é um ataque frontal contra os direitos democráticos do povo e abre um precedente para que tais monopólios aprofundem essa ditadura, além de consolidar uma “opinião pública” favorável ao regime vigente, promovendo uma verdadeira caça às bruxas contra setores da esquerda, como já estamos vendo. Cabe a esquerda pequeno burguesa atentar para o fato que o fascismo não é combatido assim, pelo contrário, ele é fomentado dessa forma, invariavelmente, com o apoio dos setores de direita que se dizem democráticos e que abertamente propagam suas políticas, por mais torpe que elas sejam.

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