TV Mulheres: o ponto de vista de classe como alicerce na luta das mulheres trabalhadoras
TV Mulheres: o ponto de vista de classe como alicerce na luta das mulheres trabalhadoras

TV Mulheres: o ponto de vista de classe como alicerce na luta das mulheres trabalhadoras
No dia 31/12, foi ao ar o último programa do TV Mulheres do ano de 2017, que é realizado pelo Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo e exibido todos os domingos às 19h no Canal Causa Operária TV do YouTube. Neste programa, a apresentadora Perci Marrara efetuou uma retrospectiva dos acontecimentos mais importantes deste ano que passou e que envolveram a questão da mulher. O programa tratou de diferentes temas, como a questão da criminalização do aborto, as mulheres nas prisões brasileiras, o projeto Escola sem Partido, dentre outras.

Poderia ser mais uma retrospectiva dentre tantas outras que foram efetuadas por blogs e sítios na internet. Mas não foi. Isto porque a discussão empreendida pelo Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo diferencia-se da efetuada pela esquerda pequeno-burguesa.

Na verdade, a esquerda pequeno-burguesa tem enveredado por um caminho politicamente confuso, se aproximando dos setores imperialistas. Ora, é muito claro que há uma tendência hoje do imperialismo em tomar as “questões democráticas” (as chamadas “opressões” contra mulheres, negros, LGBTs) para fazer demagogia no mundo inteiro. As grandes corporações e bancos buscam se apresentar cada vez mais como grandes defensores de direitos democráticos: é o caso da coca-cola, que ao publicar fotos de artistas LGBTs em suas latas de refrigerantes tenta se dizer defensora deste segmento social.

Porém estes setores são os que deram o golpe no Brasil, querem impor a política neoliberal no mundo inteiro e, por fim, destruir os direitos da população. É seu desejo desviar a atenção dos setores oprimidos em relação a sua situação real e fazê-los acreditar em supostas “conquistas democráticas”, que, além de demagógicas, são puramente aparência.

Aprofundando a crítica à esquerda pequeno-burguesa, o TV Mulheres trouxe a polêmica em torno da eleição de Donald Trump. Ora, é muito claro que esta eleição fugiu ao controle do setor mais puro-sangue do imperialismo (que apoiava Hillary Clinton), e neste sentido, como Trump é uma figura aliada à extrema direita, o imperialismo usa as suas posições xenofóbicas, machistas e racistas para hoje buscar derrubá-lo. Porém, isto não faz este setor do imperialismo um setor democrático. O problema é que a esquerda pequeno-burguesa (inclusive encastelada nas universidades) também neste acontecimento se aliou à política do imperialismo e bobamente passou a defender Hillary Clinton e o Partido Democrata, como se este fosse realmente democrático, e assim caiu de joelhos ante a manipulação do imperialismo.

O TV Mulheres aponta que há, assim, dois tipos de esquerda em atuação hoje no mundo, e elas também se diferenciam em relação à sua visão sobre a questão da mulher:

Na esquerda assim chamada de pequeno-burguesa, a falta de compreensão do problema da mulher e de como este problema pode ser superado (o que revela confusão) leva a um oportunismo, o de “acompanhar a moda”: esta passa a endossar o que a própria imprensa burguesa diz que está “bombando” no momento. E a imprensa quer nos fazer pensar que o feminismo estaria “na moda”. Pipocam, assim, textos, filmes, vídeos tratando de feminismo em jornais burgueses, assim como em revistas, na televisão e no cinema, produtos de propaganda desta mesma burguesia que busca engabelar a esquerda com um discurso supostamente defensor das mulheres. E boa parte dela cai tolamente neste discurso, chegando ao ponto de defender as supostas “novelas de temas polêmicos” da golpista Rede Globo, por entender que esta emissora teria “contemplado” as bandeiras de gênero e raça, esquecendo que é a Rede Globo um dos setores responsáveis pela destruição dos direitos dos trabalhadores e do patrimônio nacional hoje em curso no Brasil. O fato é que nesta esquerda o debate dos temas de gênero, raça, família e diversidade sexual se dá a partir de uma perspectiva fundada no discurso e não na luta de classes.

Fazendo parte do outro tipo de esquerda, radicalmente crítica ao capitalismo e revolucionária, o PCO realiza sua análise tendo a clareza de que a mudança no discurso não diminui a exploração e opressão das mulheres, e afirma: é a própria luta das mulheres dentro do partido operário que pode transformar suas condições de vida. Isto porque a perspectiva de classe jamais poderá ser obscurecida em favor de argumentos morais. O TV Mulheres busca, assim, afirmar o ponto de vista de classe como alicerce na luta das mulheres trabalhadoras.