Turquia chama presidente de Israel do que ele é: terrorista

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Um dos conflitos que mais geram tensões e preocupações em todo o mundo é o que envolve judeus e muçulmanos no território de enclave entre Israel e Palestina. Ambos os lados reivindicam o seu próprio espaço de soberania, embora atualmente esse direito seja exercido plenamente apenas pelos israelenses.

A área de disputa entre os dois lados em questão localiza-se no Oriente Médio, mais precisamente nas proximidades do Mar Mediterrâneo, tendo como foco principal a cidade de Jerusalém, um ponto de forte potencial turístico religioso que é considerado um lugar sagrado para várias religiões, incluindo o islamismo e o judaísmo.

Antes da Primavera Árabe de 2011, o mundo muçulmano costumava se unir em bloco em defesa dos palestinos. Porém, esta unidade vem sendo alvo de ataques do imperialismo para que não haja um união que crie resistência aos seus interesses.
A Turquia é hoje, um dos poucos aliados que sobraram ao Hamas – grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza desde 2007.
Nessa guerra entre os dois lados, Israel, com um exército muito superior ao dos palestinos liderado pelo Hamas, e por isso mesmo é sempre mais letal em seus ataques desproporcionais.

E o sofrimento é grande, pois a Faixa de Gaza é um território palestino localizado em um estreito pedaço de terra na costa oeste de Israel, na fronteira com o Egito. Marcada pela pobreza e superpopulação, tem 1,7 milhões de habitantes e está lotada de favelas em uma área de menos de 40 km de extensão e outros poucos quilômetros de largura. Quem mora ali tem uma vida de restrições.
A região foi tomada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e entregue aos palestinos em 2005 para fazer parte do Estado da Palestina. Porém, boa parte das fronteiras, territórios aéreos e marítimos de Gaza ainda são controlados pelos israelenses.
Após o grupo islâmico Hamas assumir o controle da região em 2007, as restrições impostas por Israel à população de Gaza ficaram ainda mais duras.
Os bloqueios criam dificuldades de abastecimento de produtos básicos, como remédios e comida, para a população.
Os palestinos que vivem ali estão sujeitos a uma rotina em que movimentos são restritos, há cortes de energia frequentes e a economia local está em frangalhos. Também há restrições para atividades como agricultura e pesca.
Em meados de 2013, a limitação de movimento foi reduzida ainda mais quando o Egito impôs novas restrições na fronteira de Rafah – que nos últimos anos havia se tornado o principal ponto de entrada e saída de palestinos de Gaza. Só no primeiro semestre de 2013, haviam passado pela fronteira com o Egito 40 mil pessoas.
A taxa de desemprego em Gaza ultrapassa os 40% – entre os jovens é de 50% –, e 21% de seus habitantes vivem em situação de profunda pobreza.
Uma das alternativas aos bloqueios foram os túneis de contrabando, que se proliferaram pelo território de Gaza e eram usados para a chegada de alimentos, dinheiro, armas, combustível e materiais de construção.
O fluxo foi interrompido após operação contra os túneis iniciada em 2013. A consequência foi a escassez desses materiais e a alta nos preços dos alimentos em Gaza. Também causou desemprego nas áreas da construção civil e transportes, que dependem diretamente dos materiais que chegavam pelos túneis de contrabando.
Israel usa os túneis como um dos argumentos para os ataques à Faixa de Gaza. A ação militar terrestre começou em 18 de julho com o objetivo de destruir essas passagens subterrâneas – chamadas por Israel de “túneis do terror”.
O Estado de Israel afirma que os túneis de contrabando também são usados pelo Hamas para preparar plataformas de lançamento de foguetes e para se infiltrar em território israelense.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse no dia 31 de julho que, com ou sem cessar-fogo na região, seu exército irá cumprir a “missão” de destruir os túneis da Faixa de Gaza. “Não irei concordar com qualquer proposta que não permita que o Exército de Israel complete esta importante tarefa para a segurança do país”.
Segundo Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, foram condenáveis as ações dos militares israelenses contra os palestinos, que, conforme noticiaram, chamou de desproporcionais e uma “ataque desumano”.

Mas, em resposta, às acusações da Turquia o premiê israelense negou as acusações e disparou contra ela dizendo que Ancara (a capital da Turquia, também conhecida por Instambul) não tem direito de dar lições ao “exército mais moral no mundo”, e lembrou o que a Turquia fez em Afrin.
Depois de retrucar o premier Netanyaho de Israel, Erdogan resumiu a situação dos israelenses dizendo:
“Netanyahu, você é ocupante. Está lá nos territórios como ocupante. Você é terrorista. O que vocês fizeram em relação aos palestinos está gravado na História. Nós nunca esqueceremos disso. Estou seguro que povo de Israel está insatisfeito e preocupado com suas ações”, resumiu.
Na verdade, devido ao petróleo, fonte essencial de energia para o mundo, o Oriente Médio tornou-se foco de disputa e de crucial importância para o imperialismo. Ter o controle da região implica em assegurar a vitória em qualquer guerra. Com isso, é claro, teria que ter também o controle de escoamento da mercadoria, o que é praticamente a geopolítica de meio mundo.
Isso, certamente é matéria para muitos artigos. Mas, seguramente, Erdogan se referia à criação do Estado de Israel como um marco para essa política na região, cuja imposição na ocupação pelos judeus na região nasce com a ONU e uma proposta solução de consenso, já no prazo final em que a Inglaterra abriria mão de seu Mandato na Palestina. Foi em abril de 1947, quando um Comitê Especial das Nações Unidas propôs a partilha da Palestina em um Estado judeu que esse marco acontece, fincando alí um estandarte imperialista não engolido pelo mundo palestino.
Trata-se, então, de uma luta, que no final de contas, é contra todos os povos do Oriente Médio, visando o domínio do petróleo, e que se esconde por trás de uma guerra santa, cujo verdadeiro terrorista que promove tanta matança e sofrimento, não é o Hamas, mas o próprio imperialismo.