Tsunami para Bolsonaro

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Carlos A. Lungarzo

São Paulo, 16/05/2019

v  Apesar de ser citado por alguns parlamentares progressistas, ao referir-se ao Bolsonaro, Einstein estava errado quando disse que a estupidez humana é infinita. A demonstração é simples: infinito é aquilo que não tem um ponto máximo. Einstein não conhecia Bolsonaro: ele atingiu o máximo da estupidez.

O capitão do non-think-tank que transformou o Brasil num manicômio teve uma surpresa desagradável no dia 9 de maio. Ele sofreu três derrotas na Câmara de Deputados, uma delas muito importante para seus colegas militares. A demarcação das terras dos indígenas (aquela mulambada que cinco séculos de racismo não conseguiram exterminar) volta ao domínio da FUNAI. Ofendido por esse e outros fracassos, ele ameaçou com um tsunami para a semana seguinte.

O mercado financeiro, sempre ávido de especulação, acreditou na profecia. Mas, os que acreditavam no tsunami não se enganaram. Houve sim um tsunami no dia 15 de maio. Mas não foi econômico. Foi um tsunami de simples seres humanos.

O protesto contra a política de assassinato da educação pública que o governo já começou a executar foi algo nunca visto no Brasil e poucas vezes em outros países. Marés e marés de estudantes, professores, trabalhadores, sindicalistas, intelectuais, políticos e militantes inundaram, pelo menos, 222 cidades brasileiras, acumulando uma massa humana calculada em DOIS MILHÕES de pessoas.

O cenário mais repressivo aconteceu no Rio de Janeiro. A PM não quis informar sobre o número de manifestantes. Contudo, de acordo com as fotos aéreas que foram publicadas, o número de 150.000manifestantes declarado pelos organizadores é perfeitamente razoável, e até pode ser maior.

Na finalização do ato aconteceu uma “confusão”, e um ônibus foi queimado. Seguindo a linha de repressão insana e sangrenta moldada na personalidade psicopática do governador do Rio, a polícia atacou brutalmente. Houve machucados, mas, até o final da noite não se conhecia nenhum caso grave.

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/05/15/cidades-brasileiras-tem-atos-contra-bloqueios-na-educacao.ghtml

O ATO EM SÃO PAULO

O ato na Avenida Paulista foi o maior em muitas décadas. As marés que formaram o tsunami foram alternando, de acordo com as novas ondas que chegavam desde diversos lugares do Estado, e as que se retiravam. Todavia, e apesar da chuva, a multidão formada por grupos compactos, disciplinados e cheios de energia ocuparam toda a área circundante e adjacente ao MASP, onde a atividade se manteve até depois das 21 horas. Um cálculo grosseiro das pessoas que passaram pelo local pode fazer pensar em 500.000 participantes. Em alguns momentos, era possível houvesse, ao mesmo tempo, mais de 200.000.

v  Como na maioria das manifestações, a maioria estava formada por pessoas jovens. A gente fez uma amostragem “doméstica”, sem qualquer pretensão de seriedade, mas apenas para calmar nossa curiosidade. Calculamos que 70% circulavam pela área onde estávamos deviam estar na faixa de 18 a 22 anos. Se nosso cálculo estiver certo (e se for possível sua generalização) eles devem ter começado a escola já neste século, e deviam estar entre os 13 e 17 anos na data das eleições de 2014. Eles seriam adultos plenos durante os vergonhosos dias do golpe de Estado.

Estes cálculos, que são, pelo menos, aproximados, indicam que há centenas de milhares de jovens que cresceram na época em que o Brasil sonhava com ser feliz, e atingiram a plena maturidade quando viram os monstros sem moral, nem inteligência nem cultura, assomar a cabeça de seus esgotos para arrebentar com a democracia. Muitos devem ter assistido, horrorizados, ao espetáculo infame e obsceno de um parlamento com 70% de mercenários subornados, gritavam impropérios e desatinos na frente das câmaras de TV em abril de 2016.

Foi interessante encontrar também alunos das escolas das faculdades privadas, de meninos e meninas que procuravam entender a posição dos adultos em relação com a educação, o governo e a manifestação. Houve um grupo de pesquisa de meninas de uma universidade particular que, há algumas décadas, muito antes delas nascerem, era o centro de jovens terroristas de estado armados pela polícia e o exército e financiado por empresários.

A discreta, porém decidida participação de estudantes, pais e professores de escolas particulares merece realce, face às ameaças da Federação dessas escolas, e os esquentados elogios de seu presidente ao atual governo, cuja política de destruição da educação pública, de destruição da previdência e da escola sem partido defende. Ele chegou ao extremo do cinismo, ao dizer que os salários dos professores podem e devem ser rebaixados, porque os que “pagamos somos nós”.

Não é um mistério para ninguém que a enorme maioria de lojas vendas de diplomas escolares e universitários são um dos eixos motores do atual sistema de cleptoestado sob qual vivemos. Por isso, alunos, professores e pais merecem dobro respeito por sua coragem.

https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,federacao-de-escolas-particulares-recomenda-desconto-de-salario-a-professor-que-aderir-a-greve,70002828605

Muitas manifestações recentes, pelas diversas reclamações sociais e política e contra os crimes jurídicos mostraram razoável força, como no caso de Lula-Livre e a Luta contra a Reforma da Previdência. Mas, desta vez, estudantes, professores, pais, sindicalistas, políticos, militantes progressistas e muitas outras pessoas que aderiram por espírito solidário e por dever moral de impedir a destruição total do povo trabalhador, se mostraram muito mais otimistas.

Em particular, os jovens estão fazendo uma experiência inesquecível, como minha geração fez durante as passeatas contra a guerra de Vietnam, nos EUA, ou de solidariedade contra as ditaduras na América Latina. As gerações mais novas, 80, 90 e 2000 também fizeram as suas na luta pelas diretas, e assistiram às que estremeceram a Europa.

A geração dos 2010 serão, em pouco tempo, as que poderão substituir ou adicionar-se aos docentes, técnicos, jornalistas, comunicadores e profissionais diversos, que foram parte (embora não sejam a totalidade) dos que hoje levantam a imagem de que o único objeto da vida é o dinheiro. Se eles mantém sua cabeça aberta, voltarão aos ideias anteriores ao bombardeio neoliberal que transformou toda a sociedade num palácio trilionário rodeado por um fosse onde se afogam milhões de indigentes.

Ontem ficou mais claro do que nunca, que estamos numa encruzilhada da qual podemos (mas sem certeza completa) sair vitoriosos. A vitória depende de muitas variáveis, mas uma importante é a unidade e continuidade da luta.

Esta é a segunda razão que incita o governo a roubar das universidades, visando destruí-las. A primeira, como sempre, é o dinheiro. Mas, uma razão tão importante como essa é o ódio. O governo quer uma sociedade de ignorantes e imbecilizados totais, para poder exercer seu poder.

DISTORÇÕES DA MÍDIA

A mídia brasileira tentou contraatacar para intimidar os potenciais manifestantes dia 15. A mídia que realmente importa neste caso é a TV, pois, apesar da maior capacidade das redes sociais para chegar aos celulares de milhões de pessoas crédulas, as campanhas de redes fakes devem ser montadas a cada momento. A TV, inversamente, entra todos os dias na casa das pessoas, e vazam seus tsunamis de desinformação à vontade.

Não sabemos se a propaganda da mídia fez dessistir da sua participação a muitas pessoas, mas a número de presentes é suficiente para considerar o protesto um megassucesso, que excede até o dos sempre conscientes e combativos franceses.

Vários órgãos da mídia tentaram diminuir a relevância do enorme roubo do ministro da deseducação e seus comparsas, afirmando que durante o governo do PT houve também contingenciamento. Dito seja de passagem, o termo contingenciamento pode ser juridicamente elegante, mas não é o adequado à realidade neste. O que o ME está fazendo com as universidades pública é um roubo. Ele será seguido de outras medidas até exaurir sua resistência, o que permitirá depois privatizá-las.

Mas, deixemos os apresentadores divagar, e vamos aos documentos, onde os dados da gestão do PT no começo do século estão registrados. Vide:

http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/211-218175739/19253-orcamento-da-educacao-cresceu-2057-em-uma-decada-afirma-ministro

Vou traduzir os dados oferecidos pelo então ministro, Mercadante, ao valor em dólar, por ser uma moeda mais estável. O mais correto seria comparar em termos de custo de vida, mas isso faria nosso panfleto um pouco complicado.

Em 2003, primeiro ano do PT, o orçamento do Brasil para educação foi equivalente a 9,43 bilhões de dólares, com uma aproximação de 1 em mil.

Em 2013, após 10 anos de administração do PT, o orçamento educacional foi de 50,18 bilhões, com a mesma aproximação. Observe-se que nesse período se construíram 18 novas universidades federais, um evento único em qualquer país conhecido.

 O orçamento aprovado para o ano atual, foi de 42,8 bilhões.

Todos os dados foram calculados pelo dólar da época, sem considerar a própria inflação dessa moeda.

Mas, a manipulação da mídia nem sempre é tão sutil como neste caso, onde exige procurar dados e fazer cálculos. Às vezes, a mídia subestima em extremo a inteligência de seus assistentes, e fornece dados que são evidentemente falsos para qualquer um. Veja este vídeo.

https://globoplay.globo.com/v/7616746/?fbclid=IwAR1YMcbVIgK9DFhVvztvx7gUevncTGUfTdz5uV5sn-Sp1-JHzmVCE4O5ZYo

Aos 13 segundos de começado o vídeo da Globo, a apresentadora diz que o bloqueio (roubo) de recursos do orçamento das universidades federais é de 24,84%.

Todos sabem que o valor oficialmente declarado é de cerca de 35%. Em sua brincadeira dos bombons, o ministro reconheceu que era mesmo essa porcentagem. O que acontece é que, em sua mente de 64 neurônios (em total), 35% de 100 bombons eram bombons e meio.

No mesmo vídeo da Globo, a segunda picaretagem é ainda maior. No segundo 24, a apresentadora diz que, tirada essa porcentagem bloqueada, ainda fica do total do orçamento.

86,17 %

O seja, jovens professores; ensinem a seus alunos a nova tabela das operações básicas imposta pela globo: (100¾24,84) = 86,17.

Mas, sejamos claros: mesmo o roubo de 1% do orçamento da educação seria criminoso neste momento. A educação precisa, pelo contrário, ser reforçada. O 30% é um assalto totalmente desvergonhado, mas a realidade ainda é pior.

A agência UOL, insuspeita de descortesia com a direita, afirma que em algumas universidades o corte chega a 54%. As mais afetadas são as da Bahia.

https://noticias.uol.com.br/newsletters/ultimas/uol-resumo-do-dia/2019/05/16/resumo-do-dia—noite—16052019.htm?email&fbclid=IwAR0cBT_l_J50MAjXV4hkVbA6knU5A130_XryuK_H3Rohq3l7kp2ZZsL693U

AS LUTAS CONEXAS

Os atos do dia 15 contra a política genocida do governo mostra também outros traços que os diferenciam de outros que houve nos últimos tempos. Há algumas diferenças de uma cidade a outra, como a repressão violenta do Rio de Janeiro, mas isto foi exceção. Os traços que mostram o progresso dos movimentos de massa no país, são:

1)    Desta vez, todos os diversos movimentos que organizaram os protestos, aceitaram com naturalidade a presença de partidos políticos que tiveram abundante participação em discursos e colocações. Isto é importante porque alguns movimentos nos meses anteriores se manifestavam não apenas como suprapartidários, mas também como anti-partidários, algo que foi duramente imposto a seus militantes em alguns partidos que querem aproveitar os votos do PT nas próximas eleições e se proclamam (falsamente) neutrais. Como pudemos ver na quarta-feira em São Paulo, são bem recebidos estudantes, professores, pais, sindicalistas, operários, cidadãos independentes diversos, junto com partidos políticos, sem que ninguém deva arriar suas bandeiras.

Uma observação colateral. Alguns membros de uma esquerda que deve ser respeitada, mas que pretende apagar o componente de classe e reduzi-lo ao componente identitário, insiste em exigir que os partidos não se identifiquem com bandeiras, mesmo que os partidos nunca se tenham recusado a objetar a presença de movimentos apartidários. O argumento é que as conquistas das maiorias unidas pode ser capitalizada pelos partidos e “engolir” pessoas independentes. Em realidade, acontece o oposto. As bandeiras são uma garantia para os independentes de que os que estão agrupados em torno delas são do partido X ou Y. Isso permite que eles estejam alerta e não se deixem “engolir”. Se, por exemplo, você não quer ser engolido pelo PT, será mais fácil se proteger se sabe onde estão os petistas.

2)    A organização, que em boa parte foi espontânea, foi impecável, sem que qualquer incidente fosse registrado. Isto sugere que o governo do Estado de São Paulo, que na prática compartilha o mesmo terrorismo policial que o do Rio e que o governo federal, é mais consciente de que será difícil continuar enganando a população com fatos fabricados.

3)    Abundaram as consignas, cartazes e pronunciamentos abrangendo causas conexas com a luta pela Educação. Uma delas foi a Previdência, sobre a qual a consciência popular está crescendo. Outra é a Liberdade de Lula, cujo caráter fraudulento é evidente para todos.

Isto é fundamental: a alta relevância da educação é porque um povo sem educação está totalmente cativo de seus algozes. Mas essa causa não pode ser separada da luta contra a injustiça em geral. É preciso entender que este governo está empenhado numa campanha de destruição absoluta das classes populares. Aliás, este governo é fraudulento. Ele jamais teria sido eleito sem a cumplicidade do poder judiciário.

4)    Vale mencionar que os grupos para-policiais e vandálicos não se fizeram presente em nenhuma das manifestações. Isso leva a acreditar que o financiamento do caos por parte do governo possa ter diminuído. Em outras épocas, os arruaceiros e vândalos do MBL e análogos estavam presentes em todos os atos. Isto aconteceu até no mês de abril, durante as manifestações em favor de Lula.

A Unidade e Continuidade da Luta

A unidade vista ontem na Avenida Paulista (e em centenas de outros locais) se manifesta no fato da multiplicidade de objetivos. Com eixo na defesa da educação, foram levantadas as consignas contra a reforma da previdência, contra a destruição do patrimônio público, contra a perseguição políticae em favor da democracia que perdemos no golpe de 2016.

Contudo, quando você faz unidade com alguém, tenha certeza sobre a identidade de seus parceiros! Você não precisa ser de esquerda em sentido partidário. Precisa apenas colocar-se alguns princípios:

Estou a favor da igualdade social, de direitos para todos.

Estou contra uma sociedade em que os magnatas dominem tudo, fixem as normas judiciais e políticas, manipulem os deputados.

Estou a favor de um Estado que proteja os cidadãos, que zele pela educação, a saúde, a verdadeira justiça, a segurança alimentar e a igualdade de direitos para todos os grupos sociais, minorias ou maiorias, de qualquer gênero ou profissão.

Estou contra um Estado violento, que imponha a cada pessoa sua maneira de pensar, que se imponha pelo terror, que procure situações de conflito e guerra, que pratique o racismo, que mate, torture, persiga.

Tenho interesse num governo democrático de verdade, onde os políticos não se façam eleger para ter prestígio, para mandar nos outros, para aproveitar da riqueza do estado.

Quero uma sociedade onde as diferenças sociais sejam as menores possíveis, e onde se respeite o trabalho, o estudo, o conhecimento, as atividades construtivas.

Muitas pessoas, jovens e adultas, circularam pela manifestação com o cartaz “Fora Bolsonaro”. Tudo bem, o fato dele ter sido eleitor é uma degradação imensa para qualquer país. Mas, a solução não é que ele vá sozinho. Não caiam na tramoia do impeachmentSe Bolsonaro sofrer um impeachment, será substituição por Hamilton Mourão.

Mourão não têm o aspecto nem a fala delirante de Bolsonaro, não se inflama em seus ataques de ódio, nem se pronuncia de maneira tão bárbara e grosseira. Mas, isso não significa que haja diferença com Bolsonaro em sua ideologia, seus projetos econômicos sociais, e em sua capacidade repressiva. Ele apenas é mais inteligente, mais informado e possui algum verniz social. Sabe falar outras línguas, é conhecido entre os grupos militaristas e imperialistas no exterior e possui influência sobre seus exércitos.

Sugiro que você se pergunte:

É isto importante para mim? Por que preciso um militar que saiba fazer dar certo as atividades típicas do exército, como fazer a guerra, obedecer aos EUA, disponibilizar para os outros as riquezas patrimoniais do Estado Brasileiro?

A figura de Bolsonaro é grotesca, como a de sua família, seu mestre astrólogo, e a maioria de seus ministros. Mas, você sabem quem são seus ministros? Três dos generais que dominam o atual governo foram comandantes da Missão da ONU em Haiti (MINUSTAH), desde 2004 a 2017. O resultado de sua administração foi de 30.000 civis mortos, incluindo mulheres e crianças. Eles foram responsabilizados pelo povo haitiano por massacres em favelas, acobertar o estupro de crianças haitianas (executados também por forças militares de outros países, mas que estavam nas mãos dos brasileiros) e ter negligenciado as epidemias e catástrofes que mataram milhares de pessoas.

A eleição de Bolsonaro, embora fraudada pelo judiciário, foi possibilidade por milhões de pessoas que votaram por ele. Nem todos eram nazistas. Esses nazistas talvez foram apenas 20%. Porém, houve muitos outros que votaram por ignorância, ressentimento, espírito de revanche e também por terror.

É preciso que a eleição de 2018 seja anulada. Há democracia quando governam pessoas honestas, que trabalham, pensam, ensinam e amam. O capital financeiro, o judiciário e o exército só querem dominar o país. A avalanche de políticas de destruição, tanto da natureza quanto das pessoas, continuará, mesmo sem Bolsonaro, pois ele é apenas uma marionete.

Em síntese:

1)    Para os militares, Bolsonaro é o bufão militar que, com suas baboseiras e às de seus ministros civis, mantém distraída a atenção do público.

2)    Para os evangélicos, é o guarda chuva que protege centenas de deputados e políticos ignorantes e vingativos em todo o território do Brasil, e permite aumentar os dízimos.

3)    Para a direita tradicional, ele é um concorrente a um cargo que eles mereceriam, porque eles têm “classe”.

4)    Para a falsa centro-esquerda, ele é alguém que, se for expulso, deixará alguns votos em favor dos aventureiros centristas que, somados aos votos do PT que eles podem roubar, darão o triunfo eleitoral.

Agora vejamos:

Para os (1) e (2) Bolsonaro pode cair, que eles encontrarão um substituto adequado, e todo continuará igual para o povo.

Para os (3), Bolsonaro deve cair, pois eles o substituirão com a direita dos banqueiros, os empresários e os capachos do PSDB

Para os do item (4), há de esperar o momento certo, que talvez seja 2022, e, enquanto isso, meter cizânia contra o PT.

Então, tenham cuidado! Do ponto de vista pessoal, estético, emocional, organizativo, Bolsonaro é uma afronta para qualquer pessoa civilizada. Mas, expulsar ele somente não resolvera. A solução é que os movimentos populares, dos quais os estudantes estão se mostrando vanguarda, obriguem a novas eleições e, daí, a uma nova assembleia para fazer uma nova Constituição.

O movimento do dia 15 deve repetir-se e já foram programados novos atos, mas, como um bom tsunami, deve produzir ondas em todo o mar próximo do epicentro. Então, os manifestantes devem unir-se com os trabalhadores, os camponeses, os favelados, os intelectuais e profissionais progressistas e fazer uma ampla frente progressista.