Truques e trapaças dos coxinhas de esquerda nas eleições do Andes parte II: A grotesca farsa da “autonomia em relação a partidos” dos partidos pequeno burgueses PSOL/PCB

Em seus materiais de propaganda, a chapa 1, a chapa da diretoria que negou o golpe, apresenta como único fio condutor o mantra da “autonomia” como principal característica da chapa. Digamos que essa defesa da “autonomia” serve ao mesmo tempo para ocultar o que é realmente a chapa 1 como serve para estimular as posições mais conservadoras da categoria docente.

Dessa forma, utilizando-se uma palavrinha aparentemente inocente e de “ luta” para defender teses tipicamente de direita como o “ apartidarismo” presentes no projeto Escola sem Partido, repaginado no Andes no “ sindicato sem partido”.

Antes de mais nada, é importante logo de inicio afirmar que não existe nem de longe “ autonomia em relação a partidos” no Andes, muito menos na chapa 1, uma chapa controlada por partidos políticos da esquerda pequeno burguesa. A diretoria do Andes nunca respeitou a participação da base, sempre manipulou as resoluções aprovadas em seu próprio interesse, quando queria usava a maioria nas instâncias do sindicato para impor com mão de ferro as propostas já previamente definida nos conchavos entre PSTU, PSOL E PCB, geralmente as “ resoluções” eram versões atenuadas do que era aprovado na “ central sindical” do PSTU.

Truques e trapaças dos coxinhas de esquerda nas eleições do Andes parte II: A grotesca farsa da “autonomia em relação a partidos” dos partidos pequeno burgueses PSOL/PCB

Um exemplo cabal  desse rigido controle da esquerda coxinha sobre as instâncias do sindicato nacional  são os congressos do Andes, com seus filtros políticos impostos pelo PSTU e PSOL de maneira ardilosamente construídos.  Durante o predomínio da ditadura da esquerda pequeno burguesa no Andes, os fóruns do sindicato funcionavam apenas como um jogo de cartas marcadas, como um ritual de legitimação burocrática das decisões da diretoria, apenas o comando de greve do setor das federais  havia algum tipo de participação democrática.

Uma primeira impressão pode indicar a defesa da “autonomia em relação aos partidos” como algo progressista e até mesmo elementar para um sindicato. Afinal, defender o inverso, ou seja, a falta de autonomia em relação aos partidos  seria algo negativo, que levaria a um desvirtuamento do sindicato. Essa maneira de colocar o problema é redondamente equivocada, isso porque o pressuposto induz ao erro, que o sindicato pode estar fora da luta de classes, e assim “autônomo” da influência do desenvolvimento da luta política, expressa na luta dos partidos.

O “apartidarismo” ou “autonomia diante dos partidos” é um dos mitos apresentados pelas camadas médias e dos setores mais atrasados dos movimentos sociais, que confrontados com a luta real, contraditória e “ suja” dos partidos no interior da sociedade de classes, em especial nos sindicatos e no movimento estudantil, advoga a suposta “ neutralidade” das entidades representativas diante da política, e mais especificamente dos partidos. Este sonho irrealizável de “autonomia” do movimento ou sindicato relaciona-se com a própria posição de classe intermediaria da classe média, que acredita que seria melhor se não existisse partidos nem luta de classes. Remete a um posicionamento individualista ou de que um “movimento” ou “ entidade local ou sindical” pudesse não sofrer influências “ externas”.

A reivindicação de “autonomia diante dos partidos” equivale a tradicional e reacionária campanha pelo “apartidarismo”. A esse respeito, a crítica de Lênin é esclarecedora, para o revolucionário russo, somente as pessoas já saciadas politicamente pode se apresentar como “apartidárias”.

“A independência em relação aos partidos não pode, pelo menos, deixar de passar a ser uma palavra de ordem da moda, pois a moda se agarra impotente ao reboque dos acontecimentos, e uma organização sem cunho partidário aparece precisamente como o fenômeno mais “comum” da superfície política; democratismo à margem dos partidos” ( ..)

“A indiferença política não é outra coisa senão a saciedade política. Aquele que está farto é “indiferente” e “insensível” diante do problema do pão de cada dia; porém o faminto será sempre um homem “de partido” nessa questão. A “indiferença e insensibilidade” de uma pessoa diante do problema do pão de cada dia não significa que não necessite de pão, mas que o tem sempre garantido, que nunca precisa dele, que se acomodou bem no “partido” dos que estão saciados. A posição negativa diante dos partidos na sociedade burguesa não é senão uma expressão hipócrita, velada e passiva de quem pertence ao partido dos que estão empanturrados, o partido dos que dominam, o partido dos exploradores” ( Lenin, O Partido Socialista e o Revolucionarismo sem Cunho Partidário).

O movimento sindical, em especial o movimento docente de ensino superior, precisa desenvolver-se num um marco mais amplo de atuação político e sindical. Neste sentido, o Andes precisa ser representativo de amplos setores da categoria docente, buscando representar, envolver e mobilizar inclusive o docente que não tem uma definição ideológica ou política de esquerda. O papel fundamental do sindicato é representar a categoria, quanto mais largo é seu alcance melhor, além disso, a diversidade política, cultural e social precisa se manifestar nas ações do sindicato. Neste sentido, o Andes não deve ser supostamente “autônomo” em relação a partidos, mas permitir um sindicato democrático, em que todas as posições políticas possam se manifestar. As decisões devem refletir democraticamente as posições da base.

A tentativa tosca de tentar enquadrar a diversidade política e partidária, através de uma campanha retrógrada contra os partidos no Andes, infelizmente não é apenas um oportunismo eleitoral ocasional, mas é algo presente no movimento docente, acentuado devido à crise dos partidos de esquerda tradicionais como o PT, e do jogo de esconde e esconde da esquerda pequeno burguesa como o PSOL na direção do Andes.

A chapa 1 quanto fala em “autonomia “ frente os partidos busca faturar votos explorando o atraso político e o preconceito tipicamente pequeno burguês contra os partidos existentes na categoria docente. Além disso, é importante salientar que a “autonomia em relação a partidos” é mais uma trapaça da chapa 1. Dizendo claramente tratar-se de uma grande fraude e de uma picaretagem política de verdadeiros trapaceiros, pois a chapa 1 é a chapa formada e controlada pelo PSOL, associada alguns militantes do PCB, que excluiu o PSTU (algo extremamente positivo), pois os morenistas estão completamente desmoralizados pelo apoio dado ao golpe da direita.

Questionados sobre a participação de membros da chapa “apartidária” no PSOL e PCB, inclusive não sendo possível esconder que o próprio candidato a presidente pela chapa 1, não é “ autônomo em relação a partidos” , pois nas últimas eleições foi candidato a vereador pelo PSOL , os representantes da chapa 1 apresentam uma resposta padrão, indicando que a chapa ou a pretensa futura direção não segue as posições do PSOL, mas que teria indivíduos com filiação partidária.

Como vimos, a questão não é abstratamente um problema de direito individual, que como tal não se pode evidentemente ser questionado, mas qual o conteúdo da política preconizada pelo partido que dirige a chapa? Na medida em que o debate é escamoteado, os docentes estão sendo ludibriados pela chapa 1, uma vez que é dito que é uma chapa sem partido, quando na verdade é controlada por um partido, ou melhor seguimentos mais coxinhas do PSOL, associados com seu puxadinho PCB.

Por sinal, a campanha da chapa 1 contra os partidos, é realizada  no estilo MBL, pregando o anti-petismo, ( próxima do anti-comunismo) falando em “autonomia em relação a partidos” mas querendo atacar na conversa miúda, através das fofocas sectárias no estilo tradicional dos pequenos burgueses ociosos do Andes. A chapa da oposição é torpedeada como sendo   tão somente uma “chapa do PT e de Lula”, que o “PT quer controlar o Andes”, etc.

Em termos do explicitamente político, é importante que a chapa 2 não entre no jogo do esconde e esconde da chapa 1, é necessário que seja mencionado que sim, a chapa 2 é constituída por militantes políticos, que tem na sua maioria docentes sem filiação partidária, mas tem na sua composição militantes políticos filiados ao PT, PCdoB e ao PCO. A chapa 2 Renova Andes é constituída por aqueles que lutaram contra o golpe, enquanto a chapa 1 é formada por aqueles “ apartidários” da esquerda pequeno burguesa que não somente não lutaram  contra o golpe, como até mesmo negaram o golpe da direita( ajudando os golpistas na sua camuflagem do golpe).

Os acontecimentos que levaram ao golpe e o posicionamento político dos defensores da “ autonomia frente aos partidos” é revelador do verdadeiro caráter da chapa 1.

Em nome de uma suposta “neutralidade” frente a luta política entre a direita golpista e o PT, a esquerda “ radical” que dirige o Andes fez uma frente política com os partidos da direita reacionária para evitar que o sindicato nacional participasse da luta contra o golpe.

Neste sentido, o ‘ apartidarismo”  da esquerda coxinha no Andes, mesmo que praticado de maneira confusa e sem uma consciência plena foi um instrumento contra-revolucionário a serviço da direita golpista, na medida que negava o golpe e não lutava contra a direita.

A neutralidade em política não existe, é preciso denunciar que a chapa 1 ( a chapa da diretoria que negou o golpe) nunca foi  “ autônoma frente aos partidos”. A chapa que representa o continuísmo no Andes é formada pelos  integrantes do grande grupão sem princípios que por seus mesquinhos interesses foram incapazes de lutar contra o golpe, e ainda hoje preferem combater o PT e o governo deposto do que enfrentar a direta.

Mais uma vez recorro ao revolucionário russo, Lênin que de maneira primorosa aponta o verdadeiro sentido dos “ autônomos em relação ao partido” na luta de classe.

“Numa sociedade baseada em classes, a luta entre as classes hostis converte-se de maneira infalível, numa determinada fase de seu desenvolvimento, em luta política. A luta entre os partidos é a expressão mais perfeita, completa e acabada da luta política entre as classes. A falta de cunho político significa indiferença diante da luta dos partidos. Mas essa indiferença não equivale à neutralidade, à omissão na luta, pois na luta de classes não pode haver neutros, na sociedade capitalista não é possível “abster-se” de participar da troca de produtos ou da força de trabalho. E essa troca engendra infalivelmente a luta econômica e, a seguir, a luta política. Por isso, a indiferença diante da luta não é, na realidade, inibição diante da luta, abstenção dela ou neutralidade. A indiferença é o apoio tácito ao forte, ao que domina.” ( Lênin, idem)

No terceira parte, vamos analisar mais truques e trapaças da esquerda coxinha nas eleições sindicais do Andes. Em pauta, vamos abordar como aqueles que falavam ” não existe golpe algum” e votaram que o Andes não deveria se posicionar contra o impeachment, agora subitamente  negam que negaram o golpe, no melhor estilo FHC “esqueçam o que escrevi”.