Criseno regime
Nesta última quarta-feira dia 20 de janeiro de 2021, Donald Trump encerrou seu mandato proferindo o seu último discurso como presidente dos Estados Unidos
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Donald Trump e Melania Trump, base aérea Andrews, em Washington 20/01/2021 | Foto: AP Photo/Manuel Balce Ceneta
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Donald Trump e Melania Trump, base aérea Andrews, em Washington 20/01/2021 | Foto: AP Photo/Manuel Balce Ceneta

Na última quarta-feira (20), Donald Trump encerrou seu mandato proferindo o seu último discurso como presidente dos Estados Unidos. O discurso foi marcado por uma afirmação de que “nós voltaremos, de uma maneira ou de outra”. A fala foi ainda marcada pelos agradecimentos aos apoiadores, pelos ataques aos chineses e pelo sentimento de continuidade do seu movimento político que Trump expressava.

O discurso de Trump evidenciou um ponto que já estava claro: a crise política nos EUA não se dissolverá com a posse de Joe Biden. Ao contrário, com o possível aprofundamento da política imperialista sob o governo Biden, o natural é que as contradições internas acentuam-se ainda mais.

Embora seja feita uma campanha no sentido de apaziguar os ânimos e exista muita demagogia do Biden com diversos setores oprimidos, as  contradições internas desses setores apenas crescem com a política imperialista. Política essa que neste momento com o governo Biden assume características mais diacrônicas até mesmo no território norte-americano.

Ciente da tendência à desestabilização do regime político nos EUA, a burguesia imperialista persegue todos os elementos desestabilizadores. A perseguição imperialista a Trump não se limitou aos elementos da direita atingindo amplos setores da esquerda. 

Essa caçada visa impedir Trump de participar minimamente da vida política, e ocorre pelo fato de Trump ter uma grande base de apoio, que é um fator desestabilizador do regime. Sendo o primeiro presidente norte-americano a sofrer dois processos de impeachment. Se o segundo tiver continuidade, ele poderá perder aposentadoria pelo cargo no valor de US$200 mil por ano e o mais importante os seus direitos políticos e nunca mais concorrerá à presidência.

Trump teve contas canceladas, suspensas no Twitter, Facebook, Instagram e Youtube bloquearam as contas de Trump, seguidas de outras redes sociais como Google, Tik Tok, Snapchat, Pinterest, Discord, Reddit, Twitch e Shopfy, somando mais de 120 milhões de seguidores impedidos de interagirem com seu líder. 

Sua rede social Parler, para onde decidiu migrar em resposta à censura sofrida, foi praticamente banida de toda a internet pelas empresas que controlam a web, não podendo mais ser acessada. Para o imperialismo, qualquer um pode falar o que quiser, desde que não tenha consequências políticas, ou seja, desde que não seja ouvido.

Este diário já havia aventado a possibilidade de destruição do bipartidarismo norte-americano há tempos. Há muito era visível a polarização interna nos dois grandes partidos norte-americanos.

Na prática pode haver uma um racha de esquerda no partido democrata e um racha de extrema-direita no partido republicano. As movimentações noticiadas de Trump tentado criar seu próprio partido demonstra essa tendência.

O novo partido proposto por Trump seria dominado por sua linha política, basicamente seria um partido fascista. Esse partido contaria com os setores mais extremistas dos republicanos, sua extrema direita.

O que podemos esperar  do cenário político norte-americano é o aprofundamento da crise política, acompanhada de crises sociais e econômicas. O governo Trump abriu uma nova etapa da crise que abala o domínio da burguesia imperialista e vem acompanhado do acirramento da luta de classes e da polarização política.

Essa crise permite aos trabalhadores verem as entranhas do imperialismo, as engrenagens de funcionamento do mundo atual. Vendo como seus próprios olhos o funcionamento do mundo e sua posição, os trabalhadores podem reagir politicamente.

Cientes de sua posição, os trabalhadores têm a oportunidade de acabar com esse caos social ao qual foram lançados, reerguendo-se da apatia em que foram jogadas por décadas de domínio stalinista, reformista e conciliador das direções operárias dos EUA e do mundo inteiro.

A tendência que se abre é o início de uma nova etapa de lutas operárias, com a possibilidade da construção de um potente movimento proletário. Movimento esse capaz substitui as antigas direções burocráticas por novas e vigorosas organizações revolucionárias dos trabalhadores, que lutam pela independência de classe e pelo rompimento total e violento com a burguesia, no caminho da revolução proletária, do governo operário e do comunismo.

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