Uma luta política
Jones Manoel acusa os trotskistas de fazerem críticas “moralistas e reducionistas” mostrando completo desconhecimento da história do marxismo e do movimento operário
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Leon-Trotsky
Leon Trótski, segundo mais importante dirigente da Revolução Russa. | Arquivo

O blogueiro do PCB, Jones Manoel, em entrevista à TV 247 no último dia 8 de setembro, afirmou que as críticas dos trotskistas a Stálin são produto de “correntes marxistas que perderam a disputa no século XX para o marxismo-leninismo e fazem uma análise moralista e uma análise reducionista para tentar ganhar espaço nos combates atuais”.

Não há explicação política, não há argumentos, o ouvinte precisa apenas acreditar na palavra de Jones Manoel sobre os trotskistas. Toda a formulação de Trotski e dos trotskistas nos últimos aproximadamente 100 anos é simplesmente desconsiderada. Para alguém que se afirma um “não stalinista” a colocação é bastante stalinista. Mas deixemos os rótulos para depois.

Há duas coisas importantes nessa consideração de Jones Manoel sobre os trotskistas. A primeira é que, segundo o blogueiro, o trotskismo não seria a continuação do marxismo-leninismo. Logicamente, por ele não explicar o porquê, apenas devemos novamente crer nas palavras de jones Manoel. Permitam-nos concluir que, ele mesmo, com suas afirmações categóricas sobre o trotskismo que procuram dar um ar de grande sumidade do tema, também não sabe o que é o “marxismo-leninismo”. A grande esperteza está no fato de que se ele procurasse explicar o tema teríamos certeza de que não sabe do que está falando.

Segundo Jones Manoel, a luta política que se travou na URSS após a morte de Lênin era uma “disputa” entre o que ele chama de “marxismo-leninismo” e os trotskistas. À parte os jargões sem conteúdo, para Jones Manoel o que ocorreu na União Soviética nos anos 20 foi uma disputa entre duas personalidades ou dois times. Não há nenhum conteúdo na análise, não há sequer análise. Novamente, precisamos acreditar na inteligência de Jones Manoel, que tudo sabe sobre o “marxismo-leninismo”.

O grande problema é que não dá nem para acreditar nem para concordar com a afirmação categórica de Jones Manoel. Talvez ele não saiba, mas Trótski, grande dirigente da revolução russa, o segundo depois de Lênin, tem um sem número de artigos, polêmicas, livros, ensaios analisando a luta política que ocorreu após a morte de Lênin. Há também os fatos, a história, a lógica. Jones Manoel desconsidera tudo isso, nem menciona a questão. Para ele, tudo não passou da vitória do stalinismo sobre o trotskismo na gincana soviética. E como Stalin venceu a gincana, então deve ser ele o continuador do marxismo-leninismo.

Logicamente, somos obrigados a obedecer as leis da história e a lógica. Se há alguém ou um grupo que é o responsável pela continuidade do “marxismo-leninismo” são os trotskistas. Não é nossa palavra contra a de Jones Manoel, é a conclusão da luta política que se travou na época e sobre a qual vamos falar brevemente mais à frente.

Outra demonstração de completo desconhecimento não apenas do marxismo mas da própria história do movimento operário e do movimento comunista internacional é a afirmação de que os trotskistas fazem uma “análise moralista e reducionista”. A luta travada por Leon Trótski e os trotskistas por décadas é reduzida por Jones Manoel a um “moralismo”. Se há algum reducionismo aqui com certeza não é dos trotskistas.

Jones Manoel ou ignora de maneira consciente ou simplesmente não conhece a história dessa luta. Mas a maior ou menor ignorância do blogueiro sobre a luta dos trotskistas não muda o fato.

As críticas de Trótski são políticas. Jones Manoel pode não concordar com elas, tem esse direito. Mas a afirmação de que toda a luta política travada por Trotski é moralista é completamente falsa.

Trótski analisa a ascensão da burocracia a partir de análises política, econômica e social. Procura desvendar os mecanismos que levaram à vitória de Stalin e a camada social representada por ele.

Talvez a prova mais cabal de que o moralismo passa longe das críticas de Trotski é sua defesa incondicional da União Soviética mesmo nos anos de maior perseguição sofrida pelos trotskistas. Leon Trótski estabeleceu uma vasta polêmica com a esquerda da época que se recusava a apoiar a União Soviética, confundindo a oposição ao stalinismo com um ataque ao Estado operário. Tais debates são uma aula de política revolucionária e de defesa dos princípios revolucionários contra os ataques do imperialismo.

O marxismo não é uma disputa de opiniões, mas uma ciência. Para jones Manoel, o marxismo é uma conversa acadêmica, um amontoado de conceitos e ideias abstratos sem nenhuma obrigação de serem baseadas na realidade, ou seja, na luta de classes.

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