A prisão de Sergey Sedov
Dando sequência à publicação de textos do revolucionário Leon Trótski, apresentamos, aqui, texto escrito por Trótski sobre a prisão de seu filho Serguei Sedov.
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Da esquerda à direita: Diego Rivera, Leon Trótski e André Breton | Foto: Reprodução

Dando sequência à publicação de textos do revolucionário Leon Trótski, apresentamos, aqui, texto escrito por Trótski sobre a prisão de seu filho Serguei Sedov. O DCO continuará publicando seus artigos, alguns inéditos em português, em razão do aniversário de sua morte.

 

A prisão de Serguei Sedov

 

27 de janeiro de 1937

Ontem, 26 de janeiro, respondi a uma série de perguntas feitas por uma agência de notícias: “Serguei Sedov, nosso filho mais novo, ex-professor do Instituto Tecnológico Superior, é um cientista, nunca demonstrou interesse pela política. A GPU o prendeu em 1934 por ser meu filho; desconhecemos completamente qual tem sido sua sorte”

Hoje, 27 de janeiro, um telegrama nos informa que ele foi preso novamente por uma suposta tentativa… de envenenar operários com gás de gerador! Não posso invejar o homem capaz de inventar semelhante crime…

Há cerca de dois anos, minha esposa escreveu: “Serguei nasceu em 1908… Nas famílias onde os mais velhos se dedicam exclusivamente à política, os mais novos geralmente a rejeitam. Assim que aconteceu em nossa família. Serguei nunca lidou com questões políticas. Nem sequer juntou-se à Juventude Comunista. Na escola, era apaixonado por esportes e pelo circo e era um atleta de destaque. Na universidade, dedicou-se à matemática e à mecânica; após obter o diploma de engenheiro, recebeu uma cátedra no Instituto Tecnológico Superior…”

Sua mãe guarda o livro sobre geradores de luz como uma lembrança do filho a quem não vê há nove anos e de quem nada sabe há três atrás.

A prisão de Serguei é uma resposta às minhas declarações sobre os Processos de Moscou. É um ato de vingança pessoal, totalmente de acordo com o espírito de Stalin.

O revolucionário iugoslavo Ciliga – quem, após cinco anos nas prisões de Stalin, obteve permissão para deixar o país graças a sua condição de estrangeiro – declarou à imprensa em 1930, quatro anos antes do assassinato de Kirov, que a GPU tentou forçar um marinheiro a declarar-se culpado de participação em um ataque contra Stalin, Ciliga descreve a tortura moral a que era submetido todos os dias. Finalmente o soltaram quando ele estava quase louco.

O que farão a Serguei Sedov? O submeterão às torturas insuportáveis para arrancar-lhe a confissão de crimes horrendos e inconcebíveis. Stalin quer que meu filho ateste contra mim. A GPU está disposta a levá-lo à demência. São capazes de fuzilá-lo. Stalin é indiretamente responsável pela morte das minhas duas filhas. Ele sujeitou meu outro filho e meus genros a uma terrível campanha de denúncias. Agora prepara-se para matar meu filho e a dezenas e centenas de pessoas para lançar uma mancha moral sobre a minha pessoa e impedir-me de dizer ao mundo o que sei e o que penso.

Radek, Piatakov e outros são personalidades políticas. Seus destinos estão indissoluvelmente ligados às suas atividades políticas. Mas Serguei Sedov sofre perseguição só porque é meu filho. Por isso, seu destino é incomparavelmente mais trágico.

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