Capitalismo?
Os executivos da LATAM, como bons defensores do “livre-mercado”, recorreram ao Estado e aos impostos dos contribuintes.
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Boeing 777 da LATAM; apesar de atuar na América Latina a empresa recorre à jurisdição dos EUA. | Foto: Anna Zvereva

Simultaneamente ao avanço da pobreza entre os norte-americanos e a súbita queda na qualidade de vida da classe média daquele país, um tribunal especializado em falências dos Estados Unidos resolveu aprovar nesta sexta-feira (18) a doação de US$ 2,45 bilhões para um dos maiores monopólios do planeta.

A Latin-American Airlines (Latam) alegava perante o judiciário estadunidense que a crise que enfrentava devido ao Covid-19 levaria companhia à falência.

“A decisão do juiz James L. Garrity Jr. permite que o grupo (LATAM Airlines) acesse os US$ 2,45 bilhões necessários para enfrentar o impacto da Covid-19”, aponta o comunicado da companhia aérea nascida da fusão em 2012 entre a chilena LAN e a brasileira TAM.

A Latam queria inicialmente US$ 2 bilhões, proposta que foi rejeitada pelo juiz Garrity, que alegou esta incluída na proposta um “empréstimo conversível” que equivaleria a um tratamento “inapropriado” para outros acionistas.

A proposta aprovada ontem excluiu a opção de converter a dívida em ações e elevou o empréstimo federal em US$ 450 milhões através da participação futura de novos financiadores e acionistas minoritários da companhia aérea.

Desde maio a empresa utiliza-se do capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos, uma gambiarra que permite aos capitalistas que não pagam suas dívidas iniciarem uma “reestruturação” sem ter obrigações com os credores. Essa medida significa, na prática, trabalhador demitido e sem receber seus direitos.

O tal plano de recuperação precisará ser aprovado pelo tribunal de falências conforme determina o regramento do processo na corte. O que ocorrerá sem maiores problemas, se tratando de um monopólio estratégico dos transportes.

A LATAM alega que só recorreu ao tribunal de falências dos EUA porque a pandemia do coronavírus derrubou sua receita em 75,9% no segundo trimestre. Mais de 12,6 mil trabalhadores foram demitidos.

 

Desculpa esfarrapada: lucros são recordes

A LATAM Airlines encerrou 2017 com um lucro líquido acumulado de US$ 155,3 milhões, ganho 124,4% maior que o de 2016, enquanto a receita cresceu 6,7%, para US$ 10,163 bilhões.

Em 2018, a mesma LATAM  divulgou que fechou o ano com lucro líquido de US$ 182 milhões, o que representa uma alta de 17,1% em relação aos 12 meses de 2017.

Já em 2019 a companhia aérea teve um Lucro Líquido de US$ 190 milhões.

Apenas nos últimos três anos, portanto, a LATAM lucrou mais de US$ 527 milhões, o equivalente a atuais R$ 2,8 bilhões.

A maior parte desse dinheiro, porém, não fica nos cofres da companhia para situações de emergência como esta da pandemia.

O dinheiro é distribuído aos especuladores da bolsa de valores que além de não produzirem nada ainda ficam com a maior parte da riqueza produzida pelos trabalhadores da empresa.

Estes últimos não podem recorrer aos lucros históricos da LATAM para sequer preservarem seus empregos e acabam demitidos em massa.

Esse é o modelo político-econômico que os capitalistas dizem ser o ideal e o que realmente “funciona”.

Para continuar m’ostrando que o “capitalismo funciona”, entretanto, os executivos da LATAM, como bons defensores do”livre mercado, recorreram ao Estado e aos impostos dos contribuintes em forma de empréstimo que se sabe lá quando será pago e se será.

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