Tribo da Amazônia denuncia que militares assassinaram indígenas para construir estrada durante a ditadura

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Os indígenas da etnia Waimiri-Atroari participaram nesta semana de uma audiência pública com membros do Ministério Público do Amazonas e da Juíza Federal Raffaela Sousa dentro de das suas terras para descreverem as atrocidades cometidas contra os povos indígenas e testemunharem contra os militares que realizaram uma grande barbárie. A audiência é em decorrência de uma ação civil pública na Justiça Federal realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2017.

A audiência, primeira realizada dentro Terra Indígena (TI) Waimiri-Atroari, entre os estados do Amazonas e Roraima, e com a presença de uma juíza, tinha como objetivo que os indígenas relatassem as barbaridades cometidas pelo exército brasileiro nas aldeias durante a construção da rodovia BR-174 na década de 70.

Foram seis testemunhas que viveram dentro das aldeias na região durante esse massacre realizado pelos militares. Segundo trecho da matéria publicada no sítio do Ministério Público Federal (MPF) “helicópteros que sobrevoavam as aldeias derramando veneno e detonando explosivos sobre centenas de indígenas reunidos para celebração de rituais de passagem. Sucessivos ataques a tiros, esfaqueamentos e degolações violentas praticadas por homens brancos fardados contra indígenas sobreviventes dos ataques aéreos. Tratores que passavam destruindo roçados, locais de passagem e antigas capoeiras de aldeias centenárias – locais sagrados para os indígenas”.

É importante lembrar sobre os números de indígenas assassinados pela ditadura militar. Segundo os dados da Comissão Nacional da Verdade (CNV) estima que ao menos 8.350 índios foram mortos. Essa comissão investigou violências e outras violações de direitos cometidos entre os anos de 1946 e 1988, trazendo à tona a forma agressiva, criminosa e assassina com que os governos militares tratavam os indígenas.

Esses dados e depoimentos trazem à tona a mesma política assassina dos militares no período da ditadura e que está sendo colocada em prática novamente pelo governo ilegítimo de Bolsonaro.

O fascista Bolsonaro quer matar acabar com os indígenas para entregas suas terras para os monopólios estrangeiros para que suguem as riquezas do Brasil em detrimento da população pobre e trabalhadora. Não é por acaso que anuncio que não irá demarcar “nem mais um centímetro” de terra indígena, abrir terras para o agronegócio, madeireiras e mineradoras sem a permissão dos indígenas.

Sob o argumento de desenvolver o país e tirar os povos indígenas do atraso, o fascista está implantando um projeto genocida e para isso está colocando os militares em diversos ministérios, em especial órgão de assistência aos povos indígenas e responsáveis pelas demarcações como a Funai e Incra, para passar por cima da resistência indígena.

É preciso denunciar a entrega das terras indígenas e formar comitês de autodefesa em cada aldeia e nas TI para enfrentar os pistoleiros e as invasões da maneira que for necessária.