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Três táticas e uma única capitulação diante de Bolsonaro – Parte 2
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Três táticas e uma única capitulação diante de Bolsonaro – Parte 2
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Em junho, este Diário trouxe matéria debatendo com o líder da corrente psolista Resistência, Valério Arcary, sobre a palavra de ordem do “Fora Bolsonaro”. Na matéria, intitulada Três táticas e uma única capitulação diante de Bolsonaro, mostramos que não há meio termo no que diz respeito ao governo. Ou se está a favor de derruba[-lo, ou se coloca numa posição de “fica Bolsonaro”. Não importa qual a justificativa para não chamar a derrubada do governo, tal política representa uma capitulação diante dos golpistas.

Nesse dia 10 de agosto, no sítio Esquerda Online, Arcary voltou a falar em “três táticas da esquerda”. E mais uma vez, sob a cobertura de estar discutindo as diferentes “táticas” apresentadas para a situação política, ele despeja um caminhão de desculpas para não ter que defender o fora Bolsonaro.

Com sua segunda matéria, Arcary finca o pé no “fica Bolsonaro”. Ele parece estar decidido a ignorar as evidências e abandonar a realidade para sustentar a ideia de que não se deve lutar pela derrubada do governo.

Para tanto, Valério Arcary lança mão desde argumentos caluniosos e fantasiosos sobre a política dos que defendem a derrubada do governo até uma explicação rocambolesca e pseudo-acadêmica sobre uma metodologia de como se deve fazer uma análise de conjuntura correta e que, segundo ele, nos daria a conclusão de que é preciso continuar defendendo o “fica Bolsonaro”.

Ele afirma que “não importa qual seja a situação política” chamar “abaixo o governo, greve geral” é “um mantra anarquista”. Para defender a permanência de Bolsonaro vale até inventar que em “qualquer situação” propor a derrubada do governo é uma política anarquista. Arcary mudou a história para que ela se ajeitasse na sua política. Embora a fórumula, do ponto de vista dogmático, se aplique aos anarquistas, os marxistas podem e devem convocar as massas a derrubar um governo sempre que estiver colocada tal palavra de ordem.

Segundo Arcary, “a melhor palavra de ordem não é a mais radical. A melhor palavra de ordem é aquela que pode colocar em movimento milhões. Por isso, é muito justa a preparação do dia 13 de agosto em torno da defesa da educação pública.” Em primeiro lugar é preciso dizer que existe mais uma série de palavras de ordem mais radicais do que o Fora Bolsonaro, inclusive porque, nesse momento, o povo de maneira massiva já manifesta seu desejo nesse sentido. Partir para a derrubada do governo seria apenas propor uma palavra de ordem que em grande medida as massas já aderiram. Em segundo lugar, dizer que a “educação pública” é capaz de “movimentar milhões” enquanto o chamado a derrubar o governo, não, é uma completa inversão da realidade.

Até agora, o que foi capaz de colocar o povo na rua nas enormes manifestações de rua e o que unificou essas manifestações foi o repúdio generalizado ao governo. Se não, como explicar que tanta gente tenha saído nas ruas para defender a Previdência e depois a educação sem que haja uma política em comum nesses dois movimentos. Como explicar ainda que a política de cortes na universidade pública, que foi o estopim da enorme manifestação do dia 15, pudesse colocar tanta gente na rua se apenas uma pequena parte da população está ligada às universidades?

Segundo Arcary, estaríamos em “condições de inferioridade” diante do governo. Por isso não podemos “disputar de igual para igual, em luta franca e aberta” e deveríamos usar a tática da “acumulação de forças”. Ele não explica o que isso quer dizer exatamente, mas a conclusão e a de que essa acumulação é a junção de derrotas parciais fruto da política de “resistência”, até que cheguemos nas próximas eleições. Até lá, deveríamos abdicar da luta pelo poder político, ou seja, a tarefa das organizações não seria colocar a necessidade da derrubada desse governo fascista que está destruindo o País.