Os ataques fascistas em Curitiba tornam urgente criar comitês de defesa

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Os fascistas estão ampliando seus ataques ao movimento popular e operário, sendo os mais de 20 disparos realizados no Acampamento Marisa Letícia em Curitiba apenas mais um destes. A esquerda ainda permanece iludida com o Estado, buscando na polícia a solução para um problema que se origina sob a cobertura ou atuação do aparato repressivo. Entenda melhor a necessidade da realização de comitês de auto-defesa no trecho a seguir da Análise Política da Semana:

“Um dos acontecimentos mais importantes desta semana se deu na madrugada desta semana quando um grupo da extrema-direita atacou a bala contra o Acampamento Marisa Letícia em Curitiba, ferindo duas pessoas. Uma delas é um sindicalista de São Paulo, que está na U.T.I após ter levado um tiro no pescoço.

O ataque fascista é um fato político da maior gravidade e ilustra uma série de questões da situação política fundamentais que se precisa discutir com muito cuidado. O primeiro dele, mais evidente de todos, é que o movimento proletário e o movimento popular têm sido sistematicamente atacado por organizações do tipo fascista. Existe no país quem negue que há organizações fascistas, mas a própria ação de Curitiba não deixa dúvidas do que está acontecendo.

Quando existe um grupo de pessoas armadas que começa a atacar os trabalhadores e as organizações democráticas, isso daí é uma manifestação de um movimento de tipo fascista. Não há casos isolados, mas uma série deles como o assassinato da vereadora do PSOL no Rio de Janeiro, Marielle Franco. Também houveram vários ataques a representantes de movimentos organizados, sendo que eles vêm se intensificando. Em Pernambuco houve ataque ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e outros assentamentos também já foram alvo. Assim, dá para perceber que nós temos um movimento que está crescendo e tornando sistemático o uso da violência contra as organizações operárias e populares. Esta é uma séria advertência ao movimento operário, popular e democrático.

Aquelas pessoas que falam que não se trata de fascismo, que não há nenhum movimento de extrema-direita no país estão em um delírio político. É preciso que as organizações populares dêem uma resposta correta para fazer frente a este desafio.

É necessário chamar a atenção para o fato que diante do acontecimento em Curitiba, a esquerda publicou notas exigindo que a Polícia faça a segurança dos acampados. É preciso alertar a todos, que o chamado para a polícia proteger os militantes dos ataques fascistas é totalmente sem sentido. Primeiro por que os grupos fascistas agem sob a cobertura policial e também por estes grupos serem integrados por membros das forças de repressão. Então pedir para que o Judiciário e o aparato repressivo do Estado, local de onde saem os grupos fascistas, protejam os trabalhadores, é um contrassenso. Pode-se denunciar que a polícia está envolvida, mas achar que os assentamentos, atos públicos e a esquerda seja defendida pela polícia é coisa de maluco.

Está na hora das organizações de esquerda discutir a organização própria de um movimento de defesa própria. Caso houvesse uma organização deste tipo formada, o acampamento de Curitiba nem teria sido atacado. O local do acampamento é em cima de um barranco, onde os atiradores tiveram que subir para efetuar os disparos. Um mínimo de organização faria com que as pessoas fossem identificadas antes de se aproximar, sendo que as pessoas poderiam ter se colocado em alerta e se defendido.

É um absurdo pensar que as instituições de um Estado que se transforma cada vez mais em um Estado de caráter ditatorial, um regime político que ataca frontalmente o direito de todas as pessoas, vão defender as pessoas de grupos para-estatais.

O caso da vereadora do Rio de Janeiro, que as Forças Armadas falaram que iria ser resolvido em menos de 24 horas, levantaram a ideia de que seriam milícias. As milícias são integradas das forças de segurança, formada por policiais e ex-policiais. Se foi a milícia que atacou a vereadora, foram membros do aparato repressor. E a falta de esclarecimento do problema mostra que vai ficar tudo por isso mesmo, a não ser que se arrume um bode expiatório conveniente. Mas aparentemente, a direita não está muito preocupada em apresentar isso. Não vai acontecer nada neste caso, como nos demais ataques.

Se o movimento operário não se organiza, o que vai acontecer com todos é que a esquerda vai virar uma espécie de alvo humano para a direita. E aí iremos ficar chorando para que a polícia defenda a esquerda, sendo que isso não faz sentido algum. É preciso fazer frente a isso por meio da própria organização dos trabalhadores.”

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