Balanço do 1º de maio

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Entenda como foram os atos do dia do trabalhador no país de maneira objetiva e concreta. Há um mês da prisão de Lula, manobras eleitorais e manipulações devem ser descartadas para que analisemos quais os problemas dos atos terem sido tão diminutos. Assista a análise feita por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, no trecho a seguir:

“O acontecimento fundamental da semana que temos que analisar aqui é a realização do 1° de Maio, principalmente no Brasil, por que a mobilização feita em torno da questão particularmente no momento em que estamos enfrentando um golpe de Estado e que Lula foi preso é importante para definir o desenvolvimento da situação política.

Já havíamos discutido aqui e analisado, que a direção da Central Única dos Trabalhadores (CTU) havia decidido pulverizar os atos do 1° de Maio. O Partido da Causa Operária (PCO) criticou essa política por que seria importante concentrar esforços em Curitiba, pois Lula está preso lá e a presença massiva por lá daria ao dia do trabalhador um caráter de um grande protesto político. Assinalamos que a falta de concentração, a pulverização, iria reduzir todos os 1° de Maio no país a atos.

Se formos ver, analisando principalmente o ato do 1° de Maio de São Paulo, pudemos perceber que a mobilização foi extremamente pequena. Não se sabe o número exato, pois há uma tendência de todo mundo de manipular os números dos atos públicos, um jogo impulsionado pela direita que a esquerda cai com muita facilidade. Tanto que vimos os atos públicos realizados pela direita na Paulista onde a Rede Globo anunciou um público em que se a Av. Paulista fosse ou 6 vezes maior, não caberia toda aquela gente. Não temos o hábito de ficar aumentando os atos públicos porque é importante que saibamos exatamente qual é a mobilização que está sendo realizada. Se não há um parâmetro claro, uma medição que seja objetiva dos atos, não se pode determinar nem o progresso nem o retrocesso do ato. Caso seja realizado um ato de 10 mil pessoas, que a organização fala que há 100 mil, a única coisa que se está conseguindo não é aumentar a força do movimento, uma declaração de números não aumenta a força de movimento algum, mas confundindo as pessoas.

A maioria das pessoas não têm critérios objetivos para fazer a medição das manifestações, portanto tem a propensão a acreditar naquilo que é mais conveniente. Se alguém falar que há 1 milhão de pessoas na Av. Paulistas e for conveniente, a pessoa fica toda feliz. Vimos no caso da direita, inclusive, que a mobilização da direita, que muita gente da esquerda acabou engrandecendo, líderes dos partidos de esquerda falavam que mais de 90% da população repudiava a Dilma. Depois vimos que a mobilização da direita era feita de maneira muito simples, vimos que as empresas que apoiavam o movimento do Impeachment levavam seus funcionários na Av. Paulista. Em última instância, essa mobilização não tem valor nenhum, é totalmente artificial. A única coisa que dava um ar político para a manifestação era a militância da extrema-direita, que mesmo nesses atos era bastante reduzida. As grandes mobilizações eram artificiais e não representavam absolutamente nada.

Temos que ter algum tipo de medida para entender o que é o tamanho de uma determinada mobilização. Por exemplo, no Brasil todos estão acostumados com os estádios vazios ou lotados. Quem já foi em um jogo de futebol lotado sabe que se você coloca ali 60 mil pessoas é uma quantidade gigantesca de pessoas. Em um estádio lotado é possível ficar até 3 horas para sair do estádio lotado com o carro.

Um dos principais acontecimentos da Argentina no século XX foi a ascensão do Peronismo, como se deu este problema. Peron era ministro do trabalho em um governo militar e os EUA organizaram um golpe, embora muita gente nos ensine que não haja teoria da conspiração, conspiraram e derrubaram o governo para colocar lá um presidente favorável aos EUA. A CGT, que havia sido criado pelo próprio ministério do trabalho, chamou uma greve geral que ninguém acreditou que iria acontecer, mas no dia da greve geral, um dia após o golpe e a prisão de Peron. Os trabalhadores da periferia de Buenos Aires saíram dos bairros periféricos e foram para a Praça de Maio, uma praça gigantesca onde fica o Palácio do Governo. E lotaram completamente o local, causando um impasse, exigindo a presença do Coronel Peron. Isso aí criou um impasse, o golpe ficou em xeque.

Naquela praça os trabalhadores não arredaram o pé, os militares ficaram com medo de atacar e tiveram que libertar Peron. Ele foi até a praça e anunciou que havia um acordo em que ele seria solto, que iria haver eleições e que era candidato as eleições. Depois em uma guerra total com o Imperialismo, Peron foi eleito presidente da República e aí surgiu o peronismo que domina a vida política até hoje.

A grande pergunta é, essa mobilização histórica, que praticamente mudou o curso da história Argentina, as pessoas que estiveram lá calcularam que haveria quantos milhões de trabalhadores? Uma testemunha ocular disse que havia 50 mil pessoas.

As pessoas podem não gostar de nosso critério ao analisar os atos públicos, mas é importante discutir qual deve ser o critério para analisar as coisas. A maioria dos atos do 1° de Maio foi muito pequena. O ato de São Paulo teve algumas centenas de pessoas.

O ato de São Paulo que foi chamado apesar da discussão que foi feita em se concentrar em Curitiba, foi um showmício com grupos musicais tocando e alguns discursos. Mesmo assim não conseguiu reunir nem mil pessoas. A TVT fez uma tomada aérea do ato e dava para contar as pessoas. Então fica a pergunta, para que serviu esse ato? Sem falar que a composição do ato em São Paulo era na maioria de estudantes. O fato é que o ato só tinha estudantes, não havia trabalhadores.

A esquerda que em geral apoia o golpe, faz tradicionalmente um ato na praça da Sé, tal ato não foi pequeno, praticamente não existiu como ato. Teve coisa de 150 pessoas.”

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