Racismo e a luta abstrata
Com a crescente radicalização dos protestos dos negros contra a policia e o Estado fascista, burguesia trata logo de fazer demagogia em relação ao racismo e o identitarismo

Por: Redação do Diário Causa Operária

Diante do aumento dos protestos populares contra a violência policial e do Estado, sob o povo negro no Brasil e no mundo, os conglomerados capitalistas junto com a imprensa imperialista, tratam logo de fazer demagogia com a situação da população negra, para tentar barrar a radicalização dos movimentos e organizações e tentar conter as manifestações. Como visto – nos Estados Unidos – com o assassinato dos jovens negros Jorge Floyd, asfixiado enquanto algemado na rua por um policial branco – no Brasil – João Alberto Silveira Freitas, em Porto Alegre, que foi espancado pelos seguranças do supermercado Carrefour até a morte, a burguesia assistiu amedrontada as mobilizações radicalizadas, e por um fio para uma explosão social de grande envergadura.

Nesse momento a contratações de trainees negros por grandes empresas, como a Bayer, BASF, Itaú e Magalu estão sendo amplamente divulgados e de acordo com a imprensa golpista, os resultados são positivos. No entanto essas medidas de ascensão do povo negro em melhores cargos empregatícios, com uma suposta melhora nas condições de trabalho incluindo salários e privilégios, não passa de uma politica orquestrada pelo imperialismo que joga areia nos olhos da população. Para esses setores direitistas e até um certo setor da esquerda pequeno burguesa, essas medidas seriam um meio importante de luta no combate ao racismo, para eles, negros inseridos em classes mais altas da sociedade é a verdadeira luta antirracista.

Ou seja, inserir os negros no sistema capitalista seria a saída, para o que os intelectuais burgueses chamam de racismo estrutural ou cultural, que eles consideram o fator principal para todas as mazelas que sofrem os negros no país. É importante deixar claro que essa politica identitária, muito em voga nos últimos anos, é estritamente orquestrada e de interesse do imperialismo. Em meio as convulsões sociais, a burguesia trata logo de controlar os movimentos e moldando o caráter das manifestações de acordo com o que manda os capitalistas. Sendo que, a inferioridade da situação econômica e social dos negros no Brasil e no mundo é medida estratégica, organizada pelo próprio capitalismo. Sem essa condição de inferioridade dos negros, mulheres e os trabalhadores explorados o capitalismo não se sustenta. O capitalismo é racista, e precisa ser para sua própria sobrevivência.

O discurso da burguesia é de que estariam aumentando os trainees negros. Em contrapartida a essa demagogia, a realidade que se apresenta é bem outra. A polícia continua batendo recordes ano após no número de crimes cometidos contra os negros, as mortes por Covid-19 e falta de assistência atinge em maior grau a população negra, o desemprego, encarceramento em massa, problemas com moradia, transporte, educação, alimentação, os alvos são sempre os mesmos, os negros. Portanto comemorar o número de trainees serve apenas para camuflar a política neoliberal, o golpe de Estado, e o governo fascista e golpista de aberta agressão contra o povo negro. Conforme o neoliberalismo avança, os negros estão em empregos ou funções cada vez mais humilhantes e desvalorizadas.

O movimento negro, para não cair na demagogia da burguesia e ficar a reboque da esquerda pequena burguesa, da direita e extrema direita, não deve se ludibriar com essas manobras. Os verdadeiros militantes do movimento negro não devem esperar nada dessas políticas de conciliação com a burguesia e denunciar aqueles que os tentam ludibriar. É preciso organizar a autodefesa dos negros, com direito ao armamento, dissolver a Polícia Militar, e derrubar o governo Bolsonaro e o regime político golpista. Não será através de meios inócuos, abstratos e até mesmo absurdos que a situação do negro brasileiro vai mudar, somente a luta concreta de mobilização popular e nas ruas, é capaz de dar rumo na luta contra o capitalismo.

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