Coronel psolista defende PM
Não há outra revindicação democrática em torno do aparato de repressão do Estado que não seja a extinção da Polícia Militar
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Polícia Militar em ação | Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

Em entrevista publicada pela Deutsche Welle, órgão da imprensa burguesa alemã, no dia 14 de setembro, o candidato a vice-prefeito pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro, o coronel reformado Íbis Pereira, da Polícia Militar, voltou a defender a corporação onde fez carreira. A todo o momento, Íbis Pereira fez questão de deixar claro que é contra a dissolução da PM e que a esquerda deveria “dialogar” com essa que é a principal milícia fascista do País.

A tese do coronel do PSOL aparece no seguinte trecho:

“Quando você vai para a rua gritar ‘não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar’, eu entendo que a rima é boa, e o garoto se sente estimulado a cantar isso, mas é uma tragédia. Impede o diálogo com os policiais, e eu acredito que seja possível dialogar com as instituições”.

Aqui, já há todos os elementos suficientes para entendermos porque Íbis Pereira é contra o fim da PM: porque ele defende as instituições. E se a PM é, ela própria, uma instituição, pedir seu fim seria uma violação ao sagrado regime político burguês. O candidato do PSOL desconsidera que o papel de um partido de esquerda não é defender as instituições podres do regime político, mas sim defender os trabalhadores. Se não fosse assim, teríamos de admitir que o povo não tem o direito de se rebelar contra o Congresso golpista, que derrubou Dilma Rousseff, o Ministério Público golpista, que incriminou o ex-presidente Lula, e todo o Judiciário, que referendou a fraude eleitoral de 2018. Em todos esses processos, não faltou tentativa de “diálogo” pelos setores mais iludidos da esquerda, mas os “digníssimos” representantes das instituições estavam decididos a não lhes dar ouvidos.

A ilusão nas instituições é uma marca antiga da esquerda pequeno-burguesa e dos setores mais atrasados do movimento operário. Isso, por sua vez, não poderia ser diferente, já que há uma pressão da classe dominante no sentido de fomentar essa ilusão. Apenas a luta política, por meio da experiência prática, é capaz de fazer esses setores romperem com as ilusões e evoluírem para uma posição revolucionária. Mas o caso do coronel é diferente.

O coronel da PM não defende a PM por uma ilusão, mas sim porque esse é o seu meio: ele é um representante da instituição, que chegou ao seu mais alto posto no Rio de Janeiro. Íbis Pereira sequer tenta esconder isso:

“Inegavelmente, eu tenho um vínculo afetivo com a instituição. Não nego isso. Se eu tivesse que recomeçar minha vida, eu entraria na PM de novo”.

Se o coronel do PSOL, depois de ter visto com os próprios olhos o massacre diário que a PM realiza contra o povo pobre e negro, tivesse decidido romper com a corporação e militar para defender os interesses dos trabalhadores, seria uma coisa. Mas o que vemos é exatamente o contrário: Íbis Pereira é apenas um elemento da PM que decidiu se infiltrar na esquerda. Obviamente, o ingresso de Íbis Pereira se deu com o consenso da direção do PSOL, que é a favor da política de “frente ampla” e, portanto, também é incapaz de defender os interesses dos trabalhadores. Mas ainda é importante sublinhar que o objetivo do coronel é se apresentar como um representante legítimo da esquerda.

A distância entre Íbis Pereira e os trabalhadores fica explícita quando ele não demonstra qualquer urgência em debater a política sanguinária da PM. Afinal, se fosse um representante do povo trabalhador, que é morto, reprimido e intimidado diuturnamente, a discussão em torno da PM seria uma prioridade. Apenas no Estado do Rio de Janeiro, onde Íbis Pereira comandou a PM, são mais de 100 mortes por mês causadas pela polícia. Esse desinteresse pelo debate sobre a PM fica explícito também nos seguintes trechos:

“Não se pode esperar mudar o modo de produção ou discutir uma reforma. Sem perder de vista esses debates, a gente precisa tentar transformar as coisas com o que temos. Meu esforço é de mostrar que tem jeito de fazer isso, com as instituições que estão aí, melhorando o que precisa ser melhorado, cumprindo a legislação que já está aí e a gente insiste em ignorar”.

“Uma coisa que as pessoas não entendem ­— e este é um problema do modelo de administração militar — é que quando você diz para um policial militar que a PM tem que acabar, está dizendo que ele tem que acabar. Militares são a instituição”.

Por fim, destacamos que a insistência de Íbis Pereira de defender a corporação sanguinária que faz parte é tal que ele tenta atribuir todos os crimes da Polícia Militar na conta do “povo brasileiro”, da “sociedade” e de figuras históricas como os bandeirantes:

“A escravidão construiu o Brasil. É muito mais grave. Pode ser difícil para um estrangeiro entender como isso dói na pele e ainda está vivo. (…) É a marca de um país que naturalizou a desigualdade, bem como a violência, porque ela o constituiu. Falo daquela mais atroz, de um corpo humano torturado como base da economia e do seu modo de produção. (…) A gente ampliou as fronteiras do Brasil caçando seres humanos. As bandeiras foram isso, expedições de 1.500, 2 mil homens se deslocando para caçar seres humanos. Isso moldou uma certa forma de ver as coisas, uma percepção de como problemas devem ser resolvidos por meio da violência, da força. (…) No Brasil, a gente tem dificuldade de planejar as coisas porque ainda pensa como colônia. Uma colônia não planeja, é pensada pela metrópole: olha para fora, não para dentro, para o seu povo. O Brasil ainda precisa se descolonizar”.

Tudo isso para ocultar a realidade: a organização que mais mata hoje no Brasil é a Polícia Militar, com o único objetivo de defender o patrimônio da burguesia e seu regime de terror contra os trabalhadores e a juventude.

 

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