Despejo de trabalhadores
Justiça dá ordem de despejo a famílias em meio à pandemia, jogando por terra qualquer vestígio de demagogia
MST
Em destaque: Jornada Nacional em Defesa da Reforma Agrária e dos Direitos Humanos. | Reprodução
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Em destaque: Jornada Nacional em Defesa da Reforma Agrária e dos Direitos Humanos. | Reprodução

Na última quarta-feira (20), em pleno período de pandemia, o Assentamento Che Guevara, do MST em Piranhas (GO), foi vítima de ordem de despejo, expedida pela justiça estadual. Essa decisão, arbitrária e classista, expõe o total descaso do Estado com a vida das pessoas, e escancara o papel do Judiciário enquanto instrumento de ação da burguesia.

Desde 2015, as famílias que fazem parte do assentamento ocupam essa área em regime de comodato com o INCRA, tendo, inclusive, documentos apontando a viabilidade de desapropriação da fazenda para fins de reforma agrária e realizado o empenho de pagamento dela. Apesar de tudo isso, e em meio ao crescimento dos casos de coronavírus no estado, além de toda uma cadeia de produção já estabelecida na comunidade, essas pessoas não tiveram o mínimo possível de direitos respeitados por quem supostamente deveria lhes garantir isso.

Anteriormente, no dia 29 de dezembro de 2020, o jornal Brasil de Fato havia apurado que 6.373 famílias foram expulsas de suas casas durante o período da pandemia, o que representa, em média, 34 famílias que, de repente, encontram-se desabrigadas e sem qualquer perspectiva.

O poder judiciário, em meio ao caos vivido pelo Brasil sob o governo Bolsonaro, aliado aos efeitos da pandemia, que tem levado as organizações populares a recuarem de suas frentes de luta, reafirma seu papel reacionário, de defensor dos interesses da burguesia, autorizando a desapropriação de famílias que, de uma hora para outra, se veem sem um lugar para morar e, no caso de comunidades rurais, com o agravante de não ter mais um pedaço de terra para produzir o próprio alimento.

A violência no campo, que nunca recuou pela articulação de grupos como a fascista União Democrática Ruralista (UDR) – principal articuladora do extermínio de indígenas, quilombolas, lideranças sindicais, políticos, religiosos, advogados populares, e articuladora de uma das maiores frentes parlamentares no Congresso Nacional – cresceu sob o governo golpista e genocida de Jair Bolsonaro, e vem ganhando novos contornos com o ostensivo apoio institucional do mesmo, especialmente através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), hoje nas mãos dos ruralistas, e também, com o apoio explícito do poder judiciário à continua onda de ataques contra a classe trabalhadora, legitimando institucionalmente ameaças e repressão policial .

Vale lembrar que Goiás hoje é governado por Ronaldo Caiado (DEM), figura extremamente reacionária que já presidiu a UDR, o que também ajuda a explicar a pressa em expulsar pequenos agricultores de terras outrora improdutivas nas mãos de latifundiários.

Também fica claro que o recuo das organizações populares durante a pandemia tem servido como elemento facilitador às ações da direita em favor de seus próprios interesses (os interesses da burguesia, à qual pertencem), na crescente supressão de direitos enfrentada pela população na cidade e no campo. Por esse motivo, é necessário que as organizações de esquerda, ocupem as ruas e todos os espaços possíveis, a fim de impedir que essa política criminosa da direita continue.

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