Bahia
Em vídeo publicado pelo Sincotelba, trabalhadores dos correios denunciam a situação de total descaso por parte da ECT
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Protesto dos trabalhadores dos correios da Bahia. Foto: Divulgação/YouTube |

No dia 5 de maio, trabalhadores dos correios da cidade de Salvador protestaram contra a política assassina que vem sendo levada adiante pelos golpistas da direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Conforme vem sendo denunciado por este diário, ao longo dos últimos dois meses, a epidemia de coronavírus no Brasil aumentou ainda mais as péssimas condições de trabalho às quais os ecetistas vêm sendo submetidos.

O protesto foi divulgado em vídeo pelo Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos no Estado da Bahia (Sincotelba)

Os trabalhadores que realizaram o protesto falam a partir do Centro de Distribuição Domiciliária do bairro de Cabula (CDD Cabula), onde já há dois funcionários que testaram positivo para o novo coronavírus. Mesmo com a ocorrência de infectados, a empresa não tomou nenhuma medida para garantir a segurança dos demais trabalhadores. E, o que é ainda pior, sequer está testando os funcionários da CDD para verificar se os infectados transmitiram a doença para os seus companheiros de trabalho.

O CDD Cabula foi o primeiro que apresentou casos confirmados de coronavírus na Bahia. A primeira confirmação de uma pessoa contaminada aconteceu no dia 24 de abril. No entanto, de maneira criminosa, a ECT exigiu que os funcionários continuassem trabalhando normalmente, demorando três dias para serem informados da situação. Em vez de suspender as atividades, de sanitizar o ambiente, de enviar os trabalhadores para casa e de prover assistência médica, a ECT não demonstrou o mínimo interesse na saúde dos empregados. Os trabalhadores, por outro lado, tiveram de pagar 220 reais do próprio bolsos para realizar o teste para o coronavírus.

O resultado dos testes dos demais trabalhadores havia dado negativo para a doença. No entanto, uma segunda pessoa no CDD Cabula foi detectada com o vírus, o que colocou, novamente, todos os funcionários do local sob risco de contágio. Seria necessário, portanto, testar novamente os trabalhadores, uma vez que os testes de outrora perderam totalmente a validade. Por isso, o novo caso confirmado no CDD Cabula acabou sendo o motivo para que os trabalhadores dos correios acabassem perdendo a — quase que inesgotável — paciência e gravassem o vídeo em protesto:

A reivindicação dos trabalhadores é que todos aqueles que tiveram contato com as pessoas que deram positivo ao COVID-19 sejam afastadas para o trabalho remoto, assim como o protocolo de segurança da empresa determina. Nós estamos aqui à disposição da empresa, querendo trabalhar, mas a empresa não está oferecendo segurança para nós, trabalhadores. Por quê? Porque mesmo algumas pessoas da unidade fazendo o teste, foi detectado um trabalhador que estava aqui, conosco, trabalhando diariamente, de novo como positivo, invalidando o teste de cada trabalhador. Quer dizer, os trabalhadores que estão aqui presentes vão ter de fazer o teste tudo de novo. Salientando-se que a empresa em momento algum está disponibilizando teste para os trabalhadores. Os trabalhadores estão pagado do próprio bolso para fazer o exame. Até quando a SE/Bahia vai permitir que os trabalhadores se exponham ao risco iminente de contaminação por COVID-19? Os trabalhadores estão aqui, querendo trabalhar. Mas no momento, a direção aqui não tomou nenhuma posição de como é que vai ficar a vida desses trabalhadores. Estamos aqui querendo trabalhar e a gestão dos Correios não está dando condição de trabalho a nós, trabalhadores. Estamos aqui à disposição, mas a gestão aqui não apresentou até agora, nenhum plano de segurança para nós, trabalhadores. Querem, sim, expor a nós ao risco do contágio por COVID-19. Fica aí o recado à SE/Bahia. Queremos solução!

A denúncia feita pelo Sincotelba dá conta de apenas um, entre as centenas de outros casos de ataques covardes por parte da direção golpista da ECT. Milhares de funcionários estão sendo obrigados a trabalhar mesmo em meio a uma pandemia de um vírus altamente contagioso e com uma taxa de letalidade de, em média, 7 por cento. Já são pelo menos 6 trabalhadores da ECT que foram assassinados pelo total descaso da empresa em relação ao novo coronavírus.

Embora a denúncia do sindicato seja importante, é preciso ir muito mais além para impedir que os ecetistas sejam massacrados pela direita golpista e inescrupulosa que pretende trocar a vida de milhares de brasileiros pela manutenção dos negócios dos capitalistas. É preciso romper com a política que vem sendo levada pela esmagadora maioria da burocracia sindical dos correios, que está se escondendo debaixo da cama, largando os trabalhadores à própria sorte.

É hora de organizar os trabalhadores dos correios, bem como do transporte público, do telemarketing e de todos os outros setores que estão servindo de tapete para que a burguesia e setores da classe média façam o seu isolamento social, para travar uma luta decidida pela derrubada do governo Bolsonaro e de todos os golpistas em seu entorno. É preciso que os trabalhadores, por meio da força, obriguem os patrões a estenderem a quarentena, liberem aqueles que não trabalham em serviços essenciais, dê condições humanas de trabalho, flexibilizem as jornadas e forneçam todo o tipo de assistência médica necessária.

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