Sem direito a quarentena
Cerca de 2 milhões de trabalhadores dos empregos temporários criados durante a safra estão sendo expostos ao coronavírus em condições de trabalho e transporte precários.
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Foto: Rogerio Albuquerque. |

A cada dia mais trabalhadores estão sendo obrigados a voltarem ao trabalho em meio a crise do Coronavírus no Brasil. Mesmo com registros de mais de 800 mortes a cada 24 horas (isso em dados oficiais, sabemos que os números podem ser ainda maiores) nos últimos dias a lista de serviços essenciais feita pelo presidente fascista Jair Bolsonaro não para de crescer. Os operários de diversas atividades estão sendo obrigados a enfrentarem o risco de serem contaminados nos transportes públicos lotados e até mesmo nos seus locais de trabalho, sendo impossível praticar a quarentena que é tão divulgada. Além dos operários que estão nos centros urbanos, temos também os trabalhadores rurais, que também estão sendo obrigados a trabalharem e em condições ainda piores.

Estima-se que 70% do café brasileiro é colhido á mão, e em meio ao pico da pandemia chegou a hora da colheita. Cerca de 2 milhões de trabalhadores dos empregos temporários criados durante a safra estão sendo expostos ao vírus em condições de trabalho precárias. Muitos saem dos seus estados de origem e viajam pelo Brasil em busca de emprego, principalmente para os estados de Minas Gerais e Paraná, ficando na maioria das vezes meses longe de casa. Praticamente esquecidos, os trabalhadores do campo estão sendo obrigados a arriscarem suas vidas para poderem sustentar suas famílias, e é claro, o lucro de grandes agricultores. Além do café, existem vários outros trabalhadores do campo realizando diversas atividades, entre elas a colheita da cana de açúcar, que tem a sua safra no centro-sul do Brasil entre abril e novembro.

As condições do trabalho rural sempre foram questionadas, os trabalhadores são transportados em veículos sucateados, as condições sanitárias são precárias, e o trabalho muitas vezes é exaustivo, onde os trabalhadores passam o dia todo enfrentando o forte sol, a fome e até mesmo a sede para realizarem seus trabalhos, além dos casos de trabalho escravo já registrados nessas condições que são numerosos. Se em condições normais de saúde estes trabalhadores já são extremamente vulneráveis, em meio a uma pandemia a situação fica ainda mais crítica. Como garantir uma higiene adequada de equipamentos, do transporte, e também evitar as aglomerações para que esses trabalhadores não sejam expostos?

Neste momento, os trabalhadores deveriam contar com o apoio dos sindicatos e dos grandes movimentos trabalhistas, mas as instituições que teriam que defender o interesse e a vida dos trabalhadores estão de portas fechadas, aderindo a quarentena e deixando ao relento toda a classe trabalhadora que não tem condições e nem pode realizar o confinamento, porque é obrigado a ir trabalhar. Além disso, os trabalhadores do campo não têm nenhuma garantia de que as condições necessárias de trabalho diante da pandemia serão colocadas em prática porque não há fiscalização.

Assim como os operários urbanos, é necessária a organização dos trabalhadores do campo, juntamente com todos aqueles que estão sendo obrigados a colocarem suas vidas em risco porque o Estado não está interessado em proteger suas vidas, apenas em proteger os interesses da grande burguesia. A união e luta dos trabalhadores é para que todos possam ter condições socioeconômicas necessárias para enfrentarem a crise, seja ela econômica ou de saúde, e somente a derrubada dos governos burgueses e da própria burguesia juntamente com a construção do governo operário é capaz disso.

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