Governo mira em mais vítimas
Luta dos funcionários do Banco do Brasil contra a reestruturação que penalizará 5 mil empregos tem forte adesão pelo país. Mobilização importante para enfrentar mais desmontes.
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Agência do Bairro Amapá, Marabá - PA que será fechada permanentemente, pelo Plano de Reestruturação. | Foto: Reprodução
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Agência do Bairro Amapá, Marabá - PA que será fechada permanentemente, pelo Plano de Reestruturação. | Foto: Reprodução

A semana foi marcada por paralizações de funcionários do Banco do Brasil que estão sob a mira de mais uma investida do governo Bolsonaro contra os trabalhadores. Dessa vez, com a justificativa de virtualização do banco, a direção e o governo lançaram, no dia 11 de janeiro um plano de reestruturação que almeja ceifar pelo menos 5 mil empregos e fechar 361 unidades, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento, além de uma série de mudanças nas carreiras do banco, como a extinção das funções de escriturário e de caixa.

Segundo os organizadores da greve, a maior adesão foi dos caixas do banco que atingiu cerca de 80% da categoria, que será a mais afetada com as demissões previstas. As paralizações ocorreram em agências, postos de atendimento, escritórios e outras unidades do Banco do Brasil, tendo suas atividades pausadas por 24 horas, nesta sexta-feira (29), em todo o país, assinalando que o plano de restruturação é rejeitado por parte dos funcionários.

A contenção de gastos do banco, não se justificam, afirma Hediane Moreno, diretora do Sindicato dos Bancários do Estado do Pará, pois apenas no ano de 2020, mesmo com a pandemia, o Banco do Brasil lucrou bilhões. Ela destacou que a função de caixa humano, que acontece dentro da agência quando vai fazer um pagamento de boleto ou título, não vai mais existir para o bancário, a partir de segunda-feira, 1º de fevereiro, mas que lutarão contra essa determinação do governo.

Para o SINTRAF JF (Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Zona da Mata e Sul de Minas), as novas medidas, como as mais de 5 mil demissões em plena pandemia, fechamento de centenas de agências, postos e escritórios em todo o país, se trata de uma estratégia de desmonte do banco público que é de extrema importância para o desenvolvimento do país e que o plano de reestruturação é uma forma de ampliar os lucros a serem pagos este ano aos acionistas. O movimento sindical também afirma que isso será feito às custas de milhares de famílias de funcionários que ficarão desestruturados em meio à maior crise sanitária, econômica e social do Brasil.

Os protestos foram além da paralisação das agências, ganhando os trending topics do Twitter com a hashtag #MeuBBvalemais. João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), avaliou como muito boa a paralisação, pois muitos bancários entenderam a importância de cruzar os braços. “Não foi uma paralisação contra o nosso trabalho, mas para cobrar respeito e dignidade por parte da direção do Banco do Brasil”.  Fukunaga destacou que nessa semana que se inicia, será avaliada a mobilização e sua continuidade, caso a direção do Banco do Brasil se recuse a dialogar com seus funcionários sobre eventuais mudanças no banco, não sendo descartada uma greve do setor.

O Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região (SEEB) afirma que desde o início da reestruturação, o BB não negociou com o movimento sindical sobre o fechamento de unidades e o fim da função de caixa. Por isso, ao longo dos próximos dias, as manifestações irão continuar para que o banco perceba a importância de dialogar com os seus próprios trabalhadores e com os representantes sindicais.

 

As ameaças aos postos de trabalho, aos funcionários públicos e aos trabalhadores são constantes por parte do governo Bolsonaro e empresários aliados. Os trabalhadores, que nos últimos ano vem perdendo, em série, seus direitos, precisa, se mobilizar para enfrentar estes ataques, com ênfase, contando com o apoio dos sindicatos e de outras categorias, mostrando a força da resistência da classe trabalhadora.

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