É preciso agir
Setor cuja totalidade de trabalho pode ser feita de casa, patrões genocidas preferem manter 300 a 500 operadores confinados, para proliferação do coronavírus
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trabalhadores em telemarketing
Trabalhadores em telemarketing | Foto: Reprodução

Os patrões das operadoras de telemarketing, no setor de trabalho, estão criando um local onde inúmeros operadores certamente serão contaminados pelo coronavírus e até poderão vir a morrer.

São setores onde os funcionários ficam aglomerados, chegando a ficar em uma sala, de 300 a 500 operadores, sem que haja ventilação, pois nesses locais não existem janelas para que seja realizada a ventilação.

Esses patrões, que detém o monopólio de do tele atendimento, onde, em uma única empresa existem mais de 30 mil trabalhadores, todos vulneráveis ao contágio que poderá levar um contingente enorme de operadores à morte, esses exploradores estão sossegados, em suas casas, de quarentena.

No início, quando começou a surgir os casos de contágio em várias partes do país, os patrões, preocupados única e exclusivamente com o que iriam arrecadar, sequer informavam os trabalhadores da situação, sendo um dos trabalhos mais vulneráveis, devido o número de operadores e as condições de trabalho impostas. Sequer eram fornecidos os insumos básicos para que os trabalhadores fossem, minimamente, protegidos, as pessoas idosas, acima de 60 anos, que tinham diabetes, com pressão arterial elevadas, cardíacas, etc., não eram afastadas do trabalho.

Os trabalhadores realizaram paralisações de atividades espontaneamente, pois estavam receosos do contágio iminente.

Para atender as grandes empresas que se utilizam do tele atendimento, o governo do fascista Bolsonaro decidiu que o telemarketing é essencial, ou seja, que os trabalhadores tem que suportar a situação e se tiverem muita sorte, contrairão o coronavírus e não vão chegar a morrer, porém, um grande número de operadores não terão tamanha sorte.

E, ao se deparar com a quantidade imensa de relatos de trabalhadores das condições que continuam trabalhando, não haverá nada que dê jeito, diante do descaso imposto pelos patrões genocidas.

Conforme artigo da CUT (Central Única dos Trabalhadores) de ontem (26), em Pernambuco, a quarentena decretada no final de março não aliviou o problema. O telemarketing consta do rol de atividades essenciais definidas pelos governos federal e estaduais para manter o atendimento de outros serviços com permissão para funcionar durante a pandemia, e os funcionários de call centers no Recife continuaram a trabalhar, segundo eles, sem ter recebido nenhuma orientação da empresa.

Beatriz, uma das funcionárias, contraiu o coronavírus, foi ao posto de saúde e disseram que não era nada grave, apenas uma “gripezinha” e, depois de uma semana, teve que ser internada.

A empresa Lig, onde Beatriz trabalha, é a segunda maior do segmento em número de empregados: tem cerca de 30 mil funcionários em dez estados do país. Antes da pandemia, até 15 equipes – cerca de 300 pessoas – trabalhavam juntas em uma mesma sala na filial do Recife. Na categoria, a maioria ganha um salário mínimo por uma jornada de 36 horas semanais, o máximo de tempo permitido por causa do estresse decorrente da profissão.

A funcionária estima que ao menos dez dos 20 membros de sua equipe de trabalho apresentaram algum sintoma da doença.

Em um estágio de exploração descomunal dos operadores, cuja maior quantidade é de mulheres, não há por parte dos donos de Lig nenhum sistema para verificar se os funcionários estão contaminados pelo coronavírus, podendo, no entanto, a quantidade muitas vezes maiores do que os mencionados.

Patrões demitem trabalhadores com coronavírus

Não bastasse o total desamparo com que os operadores de telemarketing estão sendo submetidos, quanto à questão da pandemia, quando algum operador apresenta os sintomas, rapidamente os patrões o demitem, como foi o caso da operadora Aline Rodrigues, de 36 anos, também do Recife, trabalhava na empresa Speedmais, onde estava em período de experiência desde fevereiro, foi rescindido depois de ter sido diagnosticada com a doença no dia 5 de abril, contaminada na própria empresa. Seu quadro médico se agravou e ela ficou internada em uma unidade de tratamento intensivo (UTI) do Hospital Ilha do Leite por nove dias, monitorada e com administração de oxigênio via cateter.

Aline foi demitida através de um e-mail enviado pela empresa que trabalhava, sem que houvesse qualquer esclarecimento. Disse ainda que procurou obter informações no sindicato por telefone e o advogado disse que a empresa poderia fazer isso porque eu estava em período de experiência. (CUT – 26/05/2020)

Até o momento, o MPT (Ministério Público do Trabalho) em Pernambuco registrou um total de 763 denúncias de violações trabalhistas relacionadas à Covid-19. Delas, 49 estão relacionadas ao setor de tele atendimento, o que representa 6,4% do total. Já em São Paulo, estado que concentra o maior número de casos da doença no país, os call centers representam pouco mais de 10% das denúncias relacionadas à epidemia. Desde março, o órgão recebeu 1.533 notificações sobre a pandemia, 155 provenientes de funcionários de empresas de telemarketing.

Com quase um terço das denúncias do setor, a Atento lidera a lista de reclamações no estado, com 50 registros. Em seguida, as empresas NeoBPO e Teleperformance, com 28 e 18 denúncias respectivamente, completam o ranking. Os dados abrangem a capital, a região do Grande ABC e a Baixada Santista.

Enquanto os trabalhadores de telemarketing vem sendo expostos a toda a sorte de situações que poderão leva-los ao contágio do coronavírus e, consequentemente virem a falecer por conta disso, os sindicatos, conforme um funcionária relatou, conseguiu falar somente por telefone, mostrando o quanto estão abandonados, inclusive pelo próprio sindicato que deveria estar a postos contra os ataques dos patrões. Os sindicatos estão fechados e a direção de quarentena, da mesma forma que os patrões.

Para impor uma derrota aos patrões do tele atendimento e preservar a vida dos trabalhadores só há uma forma de resolver, ou seja, a paralisação, a greve no setor. Os patrões estão em casa, enquanto os operadores são colocados no olho do furacão. É preciso dar um basta na situação, para que isso ocorra, é imprescindível que a direção dos sindicatos saia da quarentena e mobilize os trabalhadores e deixem o sindicato aberto para organizar a categoria.

É necessário, ainda, a formação de comitês de trabalhadores, para debater e aprovar propostas que solucionem o problema.

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