Demissões
Trabalhadores estão sendo dispensados, sem qualquer garantia ou perspectiva, tendo seus direitos destruídos
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Ato em apoio aos trabalhadores demitidos pela Ford, janeiro de 2021. | Foto: Adonis Guerra/SMABC
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Ato em apoio aos trabalhadores demitidos pela Ford, janeiro de 2021. | Foto: Adonis Guerra/SMABC

O fim da operação da multinacional Ford no Brasil ganhou esta semana um novo capítulo. A empresa, além de fechar as fábricas e tentar se desfazer de todo o maquinário – adquirido com recursos oriundos do BNDES, além de incentivos fiscais – não queria fornecer uma indenização minimamente satisfatória para os seus cerca de 5 mil funcionários no país.

De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), no município de Taubaté (SP), a Ford ofereceu como proposta de indenização 1,1 salário por ano para os trabalhadores horistas e 0,7 para os trabalhadores mensalistas. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do município, os valores estariam aquém daquilo que seria recebido até o final do ano num cenário de estabilidade dos empregos, inclusive devido a acordos trabalhistas de redução de salários e jornadas de trabalho, realizados durante a pandemia.

Para os trabalhadores, o importante não é a indenização, visto que o desemprego assola parcelas cada vez maiores da população, e sim a manutenção de seus empregos, única possibilidade real de sobrevivência a longo prazo.

Em Camaçari, na Bahia, os trabalhadores foram informados pelo Sindicato da categoria de que a empresa propôs pagar 2 salários a cada um. No entanto, a proposta não possui qualquer registro formal. De acordo com a CUT, que acompanha o caso, existe a possibilidade de se articular um projeto legislativo que vise a estatização e consequente nacionalização das fábricas no Ceará, na Bahia e em São Paulo, a fim de garantir a manutenção das mesmas e dos empregos dos trabalhadores. Mas é preciso destacar que a estatização não ocorrerá “por cima”. Afinal, quem vai aprovar este projeto de lei? O Congresso controlado pelos golpistas? Não se deve ter ilusão, a estatização só virá com os trabalhadores aplicando-a na prática, ou seja, ocupando a fábrica.

É curioso notar a omissão consciente do governo genocida quanto a isso, o que evidencia uma vez mais seu papel de completa submissão ao imperialismo. Também fica claro que, além das entidades representativas dos trabalhadores que não há uma articulação política que vise evitar a demissão direta dos 5 mil trabalhadores da Ford e dos cerca de 120.000 postos de trabalhado indiretos – de empresas terceirizadas, que fornecem ou complementam a produção da empresa.

Apenas o poder judiciário, por meio da Justiça do Trabalho, ter se manifestado por meio de liminares, contra a demissão em massa dos trabalhadores, tanto em Camaçari (BA), quanto em Taubaté (SP), não há como os trabalhadores reverterem essa situação através do Judiciário, o poder mais reacionário da República, que nada fez contra as medidas do governo federal que levaram a essas demissões.

Portanto, é necessário que os partidos de esquerda, os movimentos sociais e os sindicatos lancem um programa para barrar as demissões dos 120 mil trabalhadores que ficarão desempregados com o fechamento da Ford. É preciso ocupar a fábrica e defender sua estatização, para que ela continue funcionando independente dos patrões e que todos os empregos sejam mantidos.

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