Livre mercado?
Enquanto a esquerda pequeno-burguesa vive suas fantasias eleitorais, a população reage à altura contra a violência do capitalismo
Linha 5, Lilás, do Metro, no sul da capital paulista. | Foto: Edson Lopes Jr./ GESP/Fotos Públicas
Linha 5, Lilás, do Metro, no sul da capital paulista. | Foto: Edson Lopes Jr./ GESP/Fotos Públicas

Na tarde da última quinta-feira um grupo de ambulantes foi filmado reagindo à violência de seguranças do Metrô. O confronto ocorreu próximo à Estação Capão Redondo da linha 5 (Lilás), zona sul de São Paulo.

Nas imagens é possível ver vários seguranças armados com cassetetes, porém levando a pior e sendo postos para correr de volta para a estação. A principal função desses agentes é justamente reprimir a parte da população mais pobre que procura subsistir através do comércio ambulante, oferendo mercadorias de vagão em vagão. Em muitos casos, quando são pegos, esses trabalhadores sofrem agressões físicas e têm suas mercadorias roubadas pelos seguranças.

Com o avanço a crise econômica, que não apresenta sinais de recuperação, a população se vê obrigada a atuar em setores extremamente precarizados. Em seu caminho, a lei e seus violentos porta-vozes: seguranças, policiais, guardas, etc.

Vale aqui evocar o mito do “livre mercado”, tão propagado pelos propagandistas neoliberais. Onde está a liberdade desse mercado? Nos contratos firmados entre o Metrô e franquias que atuam nas estações, em geral oferecendo produtos caros e inacessíveis à maioria dos passageiros? A única liberdade que vemos na prática é a liberdade do estado e dos capitalistas para restringir violentamente as possibilidades de trabalho para os mais pobres.

Não é a primeira vez que cenas similares são registradas e disponibilizadas nas redes sociais. Em geral, quem aparece cumprindo esse papel repressivo é a Polícia Militar, o aparato mais armado e treinado para a repressão no cotidiano, uma verdadeira máquina de matar.

Também não é a primeira vez que os trabalhadores botam seus algozes para correr, mesmo com menos recursos contam com dois fatores importantes, a quantidade e o desespero. A população pobre sempre foi e sempre será maioria no capitalismo, e por estar exposta a situações muito extremas tende a reagir mais explosivamente quando tentam tirar o pouco que possuem.

Esses trabalhadores dão um exemplo prático de como a repressão capitalista deve ser enfrentada, ao invés de resignar e morrer de fome é preciso devolver a violência em dobro. Por isso, é preciso lutar pelo fim da Polícia Militar. Nada de desmilitarização, melhoria de condições, psicólogos para PMs, ou outra invenção qualquer. Enquanto a esquerda pequeno-burguesa flerta com os órgãos de repressão, a população mostra que não aguenta mais apanhar calada.

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