Tour de golpe: secretário de Defesa dos EUA visita países da região para organizar ataques à Venezuela

mattis mad dog

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, general aposentado James Mattis, também conhecido como “Cachorro Louco” (Mad Dog), chegou ao Brasil na última segunda-feira (13) para se reunir com os ministros brasileiros da Defesa e das Relações Exteriores e, oficialmente, debater assuntos de interesse bilateral e regional.

Lembrando que o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, esteve no País faz apenas um mês e meio, o que teria efetivamente motivado essa vinda do chefe do Pentágono ao Brasil?

Sempre usando a vaga ideia de ‘princípios interamericanos de direitos humanos, Estado de direito e paz’, como valores comuns, os norte-americanos têm procurando dominar a América Latina, começando com o México e com o Caribe, desde o fim do século XIX, quando após declarar guerra à Espanha, em 1898, acaba ‘ajudando’ Cuba a ganhar sua independência, ao mesmo tempo em que um acordo transfere para os EUA a posse dos territórios de Porto rico e Guam e o controle das Filipinas.

Os norte-americanos não deixaram mais de interferir no Continente, seja por meio de multinacionais como a United Fruit Company, a maior representante do imperialismo americano na América Central, que dura praticamente do início do século XX até que governos como a Guatemala e Honduras produzem um movimento operário capaz de confrontar o poder da multinacional e produzir greves capazes de derrubar governos. O ponto mais importante para o fim desse período de dominação via empresariado, já no período da Guerra Fria, se dá com a revolução cubana, e o forte sentimento nacionalista que se instala na América Latina.

Antes disso, porém, no governo do presidente norte-americano Harry S. Truman, uma mudança na política externa dos EUA, inclui a implementação de programas de assistência técnica, com objetivo declarado de, por meio de auto-ajuda, misturando investimentos privados e públicos, promover o crescimento econômico dos países do continente e criar e abrir um bloco comercial capitalista.  No papel, isso estariam implicados o crescimento econômico e mercado relativamente livre com estabilidade política, democratização e uma aliança estratégica com os Estados Unidos da América.

Ganhamos dividas, espiões, controle da opinião pública (por meio de programas de rádio, revistas, jornais), ditaduras, treinamento militar para tortura e dispersão de manifestações populares.

Depois dos processos de redemocratização e o fim das ditaduras militares no Continente latino-americano, e muitos governos dos Democratas nos Estados Unidos, houve um conjunto de mudanças em diversos países, com governos de viés mais progressistas, nacionalistas, e, com o Brasil liderando, derrotas a iniciativas dos norte-americanos em tratados comerciais prejudiciais aos interesses latino-americanos. A criação do Mercosul, da UNASUL, dos BRICs, entre outros, fortaleceram a América do Sul e trouxeram muita preocupação para os imperialistas ianques.

O fato de a Venezuela ter enormes reservas de petróleo, assim como Brasil foi, sem dúvida, a gota d’água para que o imperialismo decidisse retomar o controle absoluto do seu “quintal”. Os Golpes de Estado em Honduras (2009) e no Paraguai (2012) foram testes bem sucedidos, assim como a atuação da mídia e do Sistema de Justiça para criminalizar o Partido dos Trabalhadores e tentar tirar o partido do poder o mais rapidamente possível, em 2005, ainda no primeiro governo Lula, culminando com o Golpe de 2016 no Brasil e a derrubada da Presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores.

A tentativa frustrada de retirar Hugo Chávez do poder na Venezuela, inclusive por meio de assassinato, não faz os EUA recuar. Chegamos em 2018 com uma mudança de governo na Argentina, de viés neoliberal e que ascendeu ao poder após um processo de desgaste contra o governo da Presidenta Cristina Kirchner, com outra tentativa de golpe na Venezuela, com a traição do candidato de ‘esquerda’ no Equador, Lenin Moreno, mais um golpe em Honduras, com as eleições fraudadas. O Golpe de 2016 no Brasil, é importante ressaltar, teve o fim claro de, acima de tudo, retirar o controle estatal sobre o Petróleo brasileiro e anular os avanços sociais no país, além de acelerar como possível a venda de outras estatais, inclusive a estratégica Embraer.

A resistência da Venezuela, ainda cobiçada por seu petróleo, é um alvo prioritário dos EUA. Não resta dúvida de que em face de possíveis mudanças com as eleições brasileiras, faz-se necessário acelerar a derrubada do governo do presidente Maduro, o que já conta com a aprovação e colaboração da sempre serviçal Colômbia, que recentemente elegeu a extrema-direita para o governo.

Além da visita recente do vice-presidente e agora do chefe do Pentágono, é bom lembrar que pousaram no Aeroporto de Manaus duas aeronaves militares norte-americanas, sobre as quais pouca ou nenhuma informação nos foi dada, motivos reais do pouso e o que traziam ou o que teriam deixado. Agora recebemos o chefe do Pentágono, em seu Vigilante Noturno, um monstruoso avião que é, na prática, uma sala de guerra, móvel, para demonstrar que os EUA são poderosos e o Brasil lhes deve obediência e gratidão (por apoiar todos os seus golpes). A visita só pode ser lida como um ultimato para que o país assuma o projeto de derrubada do governo venezuelano.

O Brasil do golpe se mostra um anão no cenário internacional, uma vergonha continental, um capacho sem brio e sem rumo, completamente dominado pelos norte-americanos, como jamais havia sido em toda sua história. É necessário estar atento, pois a covardia do desgoverno Temer e o entreguismo do qual compartilham até os militares no comando das Forças Armadas pode nos colocar novamente em uma nova guerra do Paraguai, em que, em nome de uma nação estrangeira, de seus interesses comerciais, praticamente dizimamos uma população inteira.

Contra o Imperialismo, com a Venezuela.