Torturadores, fascistas e ditadores: os 7 heróis de Bolsonaro

pinochet-1

O presidente ilegítimo Jair Bolsonaro é uma metralhadora de besteiras ambulante. Em suas falas, em que destila ódio às minorias sociais e à esquerda, profere frases infelizes sobre a ditadura e costuma idolatrar fascistas tanto brasileiros quanto estrangeiros. Contudo, essa apologia aos torturadores, fascistas e ditadores serve para defender um programa de governo para o Brasil atual que repete um governo militar. Abaixo, seguem, os 7 heróis que suscitam a paixão de Bolsonaro:

1.Augusto Pinochet

Militar chileno que liderou um golpe militar contra o presidente Salvador Allende, em setembro de 1973. A ditadura de Pinochet durou até 1990. Durante este período, foi instaurada uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina que perseguiu milhares de pessoas que fizeram oposição ao seu governo. Muitas destas pessoas foram obrigadas ao exílio ; mais de três mil pessoas foram assassinadas e mais de 40 mil torturadas.

Em relação à economia, assim como propõe o governo Bolsonaro, Pinochet , a partir de estudos de economistas chilenos conhecidos como “Chicago Boys”, propôs uma série de reformas neoliberais que promoveram a desigualdade social do Chile e tiveram um impacto , principalmente, nas classes mais baixas. O legado econômico da ditadura é que, mesmo mais de 30 anos após o seu término, a Constituição elaborada pelo governo militar ainda rege o Chile. Atualmente, a população chilena rejeita a educação particular e a previdência privada, tão enaltecidas durante o governo Pinochet. Faleceu em 10 de dezembro de 2006.

 

2.Emílio Garrastazu Médici

Durante a ditadura militar, após o adoecimento do então presidente Costa e Silva e de uma disputa sucessória que durou algum tempo, em outubro de 1969 foi indicado para assumir a presidência pelo Alto Comando das Forças Armadas.

A censura aos meios de comunicação, a maior concentração de renda, a explosão da dívida externa e o aumento vertiginoso da repressão política são características do seu governo. Transferiu o cargo de presidente para o general Geisel, em 1974. Faleceu em outubro de 1985.

 

3.Alfredo Stroessner

O ditador paraguaio, que comandou o Paraguai entre 1954 e 1989, foi definido por Bolsonaro como um “homem de visão e estadista, que sabia perfeitamente que seu país, Paraguai, só poderia prosseguir, progredir, se tivesse energia (…) Então aqui, a minha homenagem ao general Alfredo Stroessner”.

Filho de um imigrante alemão, Stroessner fez parte ativa de uma guerra civil, em 1947, conhecida como Revolução do Pynandi (pés descalços em guarani) que massacrou a classe trabalhadora paraguaia. Também foi cúmplice de refugiados nazistas.

Ascendeu ao poder por meio de um golpe de Estado, em 1954, pelo partido Colorado. Durante o seu governo, marcado por ser a favor dos EUA e anticomunista, iniciou uma época de dura repressão contra opositores e de controle aos partidos políticos que não estavam de acordo com o seu governo, além de suprimir as garantias previstas na Constituição.

De acordo com os dados do relatório da Comissão da Verdade e Justiça paraguaia de 2008, 3.470 pessoas foram exiladas e 18.772 torturadas durante o governo de Stroessner. Somam-se a estes dados as informações da Coordenadoria de Direitos Humanos do Paraguai (Codehupy) que registra 459 pessoas desaparecidas, 236 adolescentes e crianças presas, sendo que 17 nasceram na prisão. Estima-se que mais de 150 mil pessoas foram presas por razões políticas e que entre 3 e 4 mil pessoas foram sequestradas, torturadas e assassinadas por perseguição política.

Com a descoberta dos Arquivos do Terror, em 1992, vieram à tona vários memorandos internos e documentos em que fica comprovada a colaboração de Stroessner com as ditaduras da América Latina, inclusive, ele participou da Operação Condor que consistia de um acordo militar que foi articulado pelos Estados Unidos que objetivava perseguir os opositores às ditaduras. O Brasil, o Equador, o Chile, o Uruguai e a Bolívia levaram adiante este acordo.

Uma das heranças políticas deixadas por Stroessner diz respeito a fazer do Paraguai um dos países, assim como o Brasil, com a mais alta desigualdade no que se refere à distribuição de terras. Faleceu em 2006, exilado no Brasil.

 

4.Benjamin Netanyahu

O primeiro-ministro israelense tem em comum com Jair Bolsonaro ser de extrema direita e fazer apologia ao autoritarismo. Ocupando o cargo há 13 anos e tentando se reeleger em abril, seu governo está sob acusações de corrupção desde o ano passado. Ainda existem muitos pontos sobre as investigações criminais sobre acusações de propina e fraude que precisam ser esclarecidos. Em fevereiro, o Ministro da Justiça de Israel anunciou que Netanyahu será denunciado por três casos de corrupção diferentes. Esta decisão passou a ser de conhecimento público semanas antes das eleições nacionais e ameaça a vitória do então chefe de governo. As denúncias contra Netanyahu são pelos crimes de quebra de confiança, recebimento de propinas e fraude. Estas acusações, resultados de mais de dois anos de investigação, só serão apresentadas formalmente depois que for realizada uma audiência com o primeiro-ministro em que ele poderá questionar as provas e se defender. A duração do processo pode ser de até um ano. É a primeira vez que um primeiro-ministro em exercício israelense é notificado por tais acusações. Pelos crimes de quebra de confiança e fraude, a previsão de pena é , no máximo, três anos. No caso do crime de propina, ele pode ser condenado em até 10 anos. Netanyahu alega ser inocente e diz ser vítima de uma “ caça às bruxas” promovida pela polícia, pela imprensa e pela esquerda.

5.Donald Trump

 

A admiração de Bolsonaro por Trump é nítida. Na última visita que fez aos Estados Unidos isso ficou ainda mais evidente. Capacho dos Estados Unidos, Bolsonaro é um lambe-botas de Trump. As semelhanças entre eles começaram durante a campanha eleitoral. O método da campanha, com a utilização massiva das redes sociais e robôs, é uma marca em comum. Outra marca é a desconstrução do discurso do adversário, por meio de fake news como a absurda mamadeira de piroca e kit gay, além do discurso virulento contra todas as pautas referentes aos direitos humanos, principalmente, as que dizem respeito às minorias políticas e sociais.

6.Petro Oleksiyovych Poroshenko

Presidente da Ucrânia desde 2014, o empresário bilionário Poroshenko assinou, no final do ano passado, uma Lei Marcial que submete todas as leis ao controle dos militares golpistas ucranianos.

 

7.Carlos Alberto Brilhante Ustra

O nome do torturador Ustra voltou a ficar em evidência depois que o então deputado federal Jair Bolsonaro, durante o processo de impeachment da presidenta Dilma Roussef, em 2016, leu num pequeno pedaço de papel o nome do torturador ,fazendo uma homenagem à sua memória e chamando de “o pavor de Dilma Rousseff”, que foi presa e tortura por Ustra durante o período da ditadura militar.

Responsável por comandar as torturas no (DOI-Codi), em São Paulo, não poupava nem as crianças. Um dos casos mais conhecidos é o da família Teles. Amelinha Teles foi presa no dia 28 de dezembro de 1972 juntamente com o seu marido César Augusto Teles. Militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi presa pela Operação Bandeirante (Oban) e submetida a sessões de tortura realizadas por Ustra, considerado um herói por Bolsonaro. Ela teve os filhos Edson e Janaína, então com 4 e 5 anos de idade sequestrados e levados à Oban para que vissem o pai e a mãe machucados e os fizessem delatar.

De acordo com a Comissão da Verdade, neste período, foram mais de 434 desaparecimentos e mortes no País. Assim como este caso, existem vários relatos que evidenciam a crueldade e o sadismo de Ustra. Morreu, em 2018, sem ter sido punido por seus crimes.