Torcedores contra a ditadura
Em dia de luta antifascista contra a ditadura militar no país, torcedores de futebol saem as ruas contra o golpe

Por: Redação do Diário Causa Operária

A importância das torcidas de futebol se mobilizando politicamente também se fez presente na luta contra as ditaduras de ontem e as ditaduras de hoje. Em São Paulo, algumas horas após o encerramento do ato dos Comitês de Luta contra o Golpe, do Partido da Causa Operária, juntamente a companheiros do PT e outras organizações políticas, contra a ditadura militar, onde também haviam vários manifestantes trajando as camisas de seus clubes de futebol, como Palmeiras, Ponte Preta e Corinthians, em frente ao antigo DOI CODI, local de tortura de milhares de lutadores do povo brasileiro, outros movimentos também foram as ruas.

Em um destes, também importantes atos, mostrando a determinação e vontade de lutar contra o governo fascista de Jair Bolsonaro e demais golpistas, alguns movimentos progressistas de torcedores do Palmeiras saíram as ruas na capital paulista contra a comemoração inconstitucional pleiteada por Jair Bolsonaro e aprovada por decisão do TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região), com Bolsonaro chamando a direita a realizar a atos alusivos à triste e criminosa data nacional do 31 de Março.

Dezenas de torcedores dos movimentos progressistas de torcedores do Palmeiras, mais especificamente: Palestra Sinistro, Porcomunas e Palmeiras Antifascista, se encontraram nas imediações do Estádio Palestra Itália, atual Allians Parque e organizaram um ato sobre a passarela Palmeiras – Arrancada Heróica – 1942, que fica localizada em frente ao shopping vizinho ao estádio.

A Passarela, Palmeiras – Arrancada Heroica – 1942, foi escolhida por esses companheiros neste e em outros atos de luta lá já realizados, por sua relação na luta contra o fascismo. A passarela é em homenagem ao título palmeirense do campeonato daquele ano. Onde na ocasião por determinação do Governo ditador de Getúlio Vargas, que por meio de decreto proibiu qualquer entidade esportiva, cultural de usar nomes relacionados aos países do Eixo e seus apoiadores na Segunda Guerra Mundial (Itália, Alemanha, Japão, Espanha), sob pena de perda de patrimônio, perseguiu inúmeros clubes de colônias imigrantes europeias no Brasil foram obrigadas a mudar de nome, sob a base de terríveis pressões e perseguições, e assim também se deu com o Palestra Itália.

No entanto, à época da perseguição o Palestra Itália (que por conta das pressões já havia mudado o nome para palestra de São Paulo, tentando se livrar das tensões, mas as modificações não foram suficientes, pois as pressões políticas da época eram imensas), se encontrava na liderança do campeonato paulista de 1942 e para o governo federal seria inadmissível um campeão com o nome Palestra Itália.

Frente a tudo isso, as vésperas do jogo decisivo contra o São Paulo Futebol Clube, o Palestra teve que tomar a decisão sob pena de jogar e após reunião da direção palestrina, mudou de nome para Palmeiras e no dia 20 de setembro de 1942, o Palmeiras entrou em campo pela primeira vez com o nome que é conhecido até os dias de hoje, conquistando uma estupenda vitória por 3 x1 e de onde também surgiu uma célebre frase para os palmeirenses “Morreu o líder, nasceu o campeão”. 

Por conta desta bela história, os palmeirenses progressistas escolheram o local para lutar contra a perspectiva de golpe de estado e ditadura militar lançada por Jair Bolsonaro. 

Na página do facebook, de um destes movimentos progressistas, o Movimento Palestra Sinistro, que em Maio do ano passado juntamente a outras torcidas progressistas colocou os fascistas para correr da avenida Paulista, muito bem se colocou do lado da classe trabalhadora e assim assinalou:

“57 anos atrás uma página triste da nossa história começou a ser escrita com sangue e durou longos 21 invernos. 

Nosso país foi tomado de assalto por militares e empresários golpistas que se uniram para depor o presidente João Goulart e instaurar uma ditadura assassina em nosso país.

Hoje, além de relembrar nossos irmãos e irmãs que foram perseguidos, presos, torturados e assassinados, temos de lutar contra um projeto de ditador nazifascista genocida que tenta recontar a História homenageando torturadores de mulheres e crianças!

Assim como bravos palmeirenses do passado, nós resistiremos e lutaremos contra os golpistas dos nossos tempos e não permitiremos que essa tragédia se repita.

Não passarão!”

É necessário o levante das torcidas de futebol antifascistas, trazendo também através de seu exemplo; como o fizeram ontem os palmeirenses; demais setores de torcedores não engajados ampliando a luta contra o golpe de estado, contra a ditadura militar e na defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, o único com poder de arregimentar as mais diferentes forças sociais contra os interesses da direita e da burguesia.

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