Antifa cancelado no Mineirão
Entidade responsável pelo futebol brasileiro quer ter o controle total sobre as demonstrações de apoio dos torcedores. Homenagem a Marielle incomoda os seus dirigentes
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Torcida do Galo quando não precisava da aprovação da CBF para tremular suas bandeiras | Clube Atlético Mineiro
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Torcida do Galo quando não precisava da aprovação da CBF para tremular suas bandeiras | Clube Atlético Mineiro

O Brasil vai avançando a passos largos para uma ditadura fascista. O último passo foi a censura que a briosa torcida do Galo “Resistência Alvinegra” sofreu quando a CBF comunicou ao Atlético Mineiro que não poderia mais permitir bandeiras que mostrem a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018 ou que tenha o termo “Antifa” sejam estendidas nos dentro dos estádios.

A reportagem assinada pela jornalista Isabelle Morais do jornal “O Tempo” explica que as torcidas têm participado da decoração dos estádios para suprir a proibição de público devido a pandemia, contudo a entidade desportiva considerou que estas bandeiras ferem o art. 1° do capitulo 1 das Disposições Preliminares do Regulamento Geral das Competições, pois as bandeiras seriam manifestações político-religiosas, algo que não permitido por este artigo.

Logo homenagear uma pessoa assassinada sem que os mandantes tenham sido identificados ainda que os possíveis assassinos, o PM reformado, Ronnie Lessa, e o EX-PM, Elcio Queiroz, estejam esperando o julgamento ou se caracterizar como uma organização que opõe ao fascismo, esta arma da burguesia para destruir as instituições operárias são atitudes que a entidade que teve como presidente Ricardo Teixeira não pode tolerar.

Esta censura política é intolerável e deve ser repudiada por todos os amantes do futebol e só tem se agravado ano após ano. Já era famosa a repressão que as diversas PM faziam contras as imagens do revolucionário Che Guevara usadas por torcidas como Máfia Azul do Cruzeiro ou a da paulista Guerrilha Azul do Monte Azul.

As próprias homenagens a Marielle Franco no estádio foram bastante combatidas mesmo dias depois do seu assassinato. No Mineirão, três dias passados da sua execução, a PM mineira tomou à força uma faixa com os dizeres “#Marielle Presente“ da torcida Comando Rasta Cruzeiro.

A repressão e a censura às homenagens a vereadora do PSOL se intensificaram durante o segundo turno presidencial quando carregar algo com o termo Antifascista era assumido como ofensa aos policiais ou aos seguranças dos estádios.

Assim todo instante vemos representantes da burguesia como o funcionário da Globo Tiago Leifert ou o técnico da Seleção Brasileira Tite dizendo que futebol e política não se misturam, todavia vemos que mais consciente e sincero é o discurso do representante do Coletivo Resistência Alvinegra ao afirmar para a reportagem do jornal Tempo: “É muito comum ver o povo ser barrado de se manifestar politicamente, com esse discurso de que futebol e política não se misturam, mas ao mesmo tempo cartolas e pessoas do mundo do futebol estão a todo momento se relacionando com o mundo da política em troca de interesses pessoais. O que a gente vê é que política e futebol podem se misturar, desde que não incluam os interesses populares”.

Somente a organização dos torcedores pode fazer frente a esta continua repressão e censura política realizada tanto pelas entidades esportivas como pelas forças policiais. É necessário garantir que qualquer torcedor possa levar a faixa que desejar sem existir um controle que pode ou do que não pode. Mesmo que seja para defender algo tão asqueroso como o fascismo. Isto é efetiva liberdade de expressão.

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