Redes sociais
Editor da Revista Fórum segue defendendo intransigentemente os monopólios da internet contra a extrema-direita norte-americana
Censura-na-web-Twitter-irá-decidir-o-que-é-“conteúdo-manipulado”
Censura no Twitter | Foto: Reprodução
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Censura no Twitter | Foto: Reprodução

Em artigo publicado no dia 10 de janeiro, Renato Rovai, editor da Revista Fórum, voltou a defender os monopólios da internet — como o Twitter, o Facebook e o Pinterest — contra os direitos democráticos do ex-presidente norte-americano Donald Trump. O texto tem como título “O Twitter não erra ao punir Trump e isso não significa todo poder às plataformas” e repete a análise histérica da esquerda pequeno-burguesa internacional de que, contra a extrema-direita, qualquer tipo de aliança ganha legitimidade.

O argumento central de Rovai para defender a censura contra Donald Trump, no artigo, é o de que, como a esquerda é censurada diariamente, não faria sentido defender os direitos democráticos da extrema-direita:

“A resposta para isso é simples, alguém por acaso tinha alguma dúvida ou ilusão de que as plataformas permitiram a movimentos de esquerda convocarem ataques ao congresso americano? Se isso porventura vier a acontecer alguém imagina que Twitter, Facebook e outras redes não vão imediatamente cancelar a conta desses líderes?”

Trata-se de um argumento absurdo. Segundo Rovai, se a esquerda ver um direito democrático ser atacado, ela não deve se colocar contra ele. Isto é, se um partido de esquerda vê a polícia militar esmagando a cabeça de um negro na periferia, ele não deveria se insurgir contra a PM, pois muitos outros negros já foram atacados pela polícia. Esse raciocínio só leva a uma política: a defesa das coisas como estão — isto é, a defesa do regime.

O papel da esquerda não é o de se conformar com o regime, mas sim de organizar a reação contra suas arbitrariedades. E, na medida em que reage a toda arbitrariedade, ajuda a criar um movimento para colocar a ordem vigente abaixo. Na medida em que não reage, dá para a população o seguinte recado: conformem-se com a violência do Estado, com as injustiças e com todos os ataques disparados pela classe dominante.

A esquerda pequeno-burguesa ainda argumentaria, neste caso, que o exemplo do policial agredindo um negro não seria válido, pois a vítima da perseguição no caso descrito por Rovai é a extrema-direita, e não um oprimido. E é justamente aí onde a esquerda se engana e acaba ficando a reboque da política do imperialismo. Só existe direito democrático se o direito valer para todos. Caso contrário, não há direito.

Suponhamos que a política de Rovai fosse transformada em lei. Ela seria, então, descrita da seguinte forma: “é garantida a liberdade de expressão, exceto para aqueles que não obedecerem os padrões morais determinados pelo Estado”. Se por Estado entendermos a ditadura do Judiciário, a polícia, o regime político apodrecido incapaz de lidar sequer com uma pandemia, tem-se, portanto, uma ditadura. É a burguesia quem vai determinar quem tem direito ou não e, portanto, aniquilará o direito de seus adversários.

Trata-se de uma política bárbara. Se assim fosse, se não existisse direito no mundo, a única posição razoável seria a de defender a demolição imediata do Estado e de toda a burguesia. Mas não é isso que Rovai propõe. Pelo contrário: sua política é de fortalecimento do Estado e da burguesia imperialista:

“A decisão do Twitter sabendo que sua rede estava sendo usada para incitar um ataque à democracia nos EUA de suspender o presidente americano foi acertada”.

De um de jeito, ou de outro, a política de Rovai é a defesa do Estado burguês e da ditadura de seus setores mais abertamente pró-imperialistas.

Essa defesa do imperialismo é consciente por parte de Rovai. Em seu artigo, ele deixa claro que a censura é a censura de uma empresa privada contra um presidente da República:

“Se Trump estivesse fazendo o que fez pelas páginas da Fórum, nossa decisão seria a mesma do Twitter, cancelá-lo. O ponto é esse, como diminuir o poder das plataformas privadas e não o de defender que fascistas possam agir nelas sem qualquer tipo de controle.”.

Ora, não é porque uma empresa é privada que ela pode fazer absolutamente qualquer coisa. Em todo o mundo, existem inúmeros presídios privados. Por causa disso, os presos são obrigados a aceitar qualquer tipo de política que venha de seus gerentes? Obviamente que não.

Em segundo lugar, a comparação do Twitter com a Fórum é completamente indevida. A Fórum é uma iniciativa individual, de um grupo de indivíduos que decidiu levar adiante um projeto editorial desvinculado da política oficial do Estado. O Twitter, por sua vez, é um monopólio: não há concorrência. E se não há concorrência, aquele que não se curvar às suas regras, não poderá falar em lugar algum. Ou poderá falar, mas não será escutado.

A defesa dos monopólios das redes sociais se comprova, portanto, como uma defesa da ordem capitalista e da ditadura do imperialismo contra os direitos democráticos mais elementares do povo.

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