Tiros à caravana de Lula: para derrotar o golpe é preciso enterrar o pacifismo de uma vez por todas

Durante todo o trecho sulista da caravana de Lula, a extrema-direita organizou provocações, agrediu militantes com porretes, facas, chicotes e até tiros de armas de fogo em uma emboscada no meio da estrada.

A polícia nada viu, quando viu nada fez, quando fez foi para proteger a integridade física dos bandos fascistas. A imprensa burguesa minimizou os acontecimentos, comparou com ameaças não concretizadas ao Ministro Edson Fachin, não deu publicidade às cenas mais grotescas. Esta omissão é o apoio velado do monopólio golpista das comunicações aos bandos fascistas.

A direita parlamentar vibrou, a senadora Ana Amélia aplaudiu os capangas, em sua maioria membros do aparato de repressão, o governador de São Paulo culpa Lula pela agressão contra ele mesmo.

Mas a pior conduta não é a da imprensa venal ou da direita cínica, é a da esquerda. Agredidos, algumas lideranças da esquerda pediram que a Polícia investigasse o caso, protegesse Lula. Logo ficou claro, mesmo para o mais desavisado, que policiais fora de serviço estavam entre os fascistas, e que policiais em serviço acobertavam as agressões.

Chegaram a dizer que se alguém morresse ou se machucasse seriamente a culpa seria dos governadores e de Temer. A culpa ser dos golpistas não traria Lula ou qualquer trabalhador de volta do túmulo.

Na esquerda enraizou-se uma mentalidade pacifista, uma mentalidade de que se o povo for agredido ele não tem o direito, e suas direções o dever, de organizar a autodefesa. De que o correto é implorar ao Estado (mesmo que controlado pelos golpistas) que defenda o povo, é uma política errada, ao ponto de poder custar vidas, e irresponsável para com o povo.

A esquerda implorou, nada parece ter mudado. Os fascistas viram que se agredirem sairão impunes, e mais importante, que a esquerda não está se organizando para se defender, estão se tornando mais ousados.

Nenhuma polícia vai impedir o fascismo, principalmente quando os governadores, como Geraldo Alckmin, apoiam o trabalho sujo destas gangues.

É preciso enterrar a política e a ideia de que o povo precisa de protetor. O único interessado em proteger o povo é o próprio povo. Não é a Polícia Militar ou Federal que precisam ser chamadas a proteger as caravanas do ex-presidente Lula, são os operários da CUT e sem terra do MST.

Lula disse que não nascemos para bater, mas que também não vamos apanhar. Ótimo! Levemos isso às últimas consequências! É preciso dizer claramente aos trabalhadores, que não se deve virar a outra face, não se deve confiar na Polícia que não virá, é preciso, sim, criar em cada sindicato, associação de moradia e organização estudantil um comitê de autodefesa.

É preciso chamar os militantes do movimento de massas, unificados nestes comitês, a organizar a defesa das caravanas e atos da esquerda.

Façamos isso agora e da próxima vez que a extrema-direita vier ameaçar uma manifestação, ensinaremos uma lição: as ruas são do povo e não vamos entregá-la pacificamente.