Frente ampla
Os piores inimigos do povo estão sendo apresentados, em meio à eleição na Câmara dos Deputados como heróis da luta contra o fascismo
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Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Nas últimas semanas, a imprensa burguesa tem destacado este que será um dos espetáculos mais desastrosos e vergonhosos do histórico de colaboração de classes da esquerda nacional nos últimos anos: o apoio da esquerda à candidatura da direita nacional. Todo o palco já está montado: a burguesia já escolheu o seu espantalho — o bolsonarista Arthur Lira (PP) — e os partidos da esquerda parlamentar já prometeram apoiar o candidato abençoado por Rodrigo Maia (DEM), Baleia Rossi (MDB) — ligado aos setores mais lavajatistas do Congresso Nacional.

Sobre o palco, todo dia a esquerda nacional, de mãos dadas com a imprensa burguesa, ensaia o circo que será a votação para a mesa diretora da Câmara dos Deputados. E quem já presenciou o circo, sabe o qual horrível e macabro serão essas eleições.

Na última semana, os 11 partidos que já declararam apoio ao candidato de Rodrigo Maia já no primeiro turno assinaram uma carta com ares pseudopoéticos que mostram uma burguesia cor-de-rosa:

“Enquanto alguns buscam corroer e lutam para fechar nossas instituições, nós, aqui, lutamos para valorizá-las. Enquanto uns cultivam o sonho torpe do autoritarismo, nós fazemos a vigília da liberdade. Enquanto uns se encontram nas trevas, nós celebramos a luz”

(…) Esta não é uma eleição entre candidato A ou candidato B. Esta é a eleição entre ser livre ou subserviente; ser fiel à democracia ou ser capacho do autoritarismo; ser parceiro da ciência ou ser conivente com o negacionismo; ser fiel aos fatos ou ser devoto de fake news”.

De uma hora para a outra, DEM, MDB, PSDB e a direita golpista de conjunto passaram a ser a salvação da humanidade. O triunfo da “luz” contra as “trevas”. Um absurdo que não engana nem mesmo o mais inexperiente da política… Entre os “guardiões da luz”, cabe destacar, está o PSL — principal partido da extrema-direita brasileira!

A carta, contudo, foi apenas um dos muitos ensaios. Em artigo publicado pelo Brasil 247, o articulista do PCdoB, Ricardo Capelli, argumenta que

“terminamos o ano com um raio de luz. Como diz a carta histórica, ‘Somos a União da Democracia e da Liberdade’ (…)”.

É fato que não há democracia ou liberdade com um governo de extrema-direita como o governo Bolsonaro. Mas não é possível simplesmente ignorar como Bolsonaro chegou ao poder: através de um golpe de Estado orquestrado por toda a direita golpista. Não foi Bolsonaro quem derrubou o PT, nem mesmo quem prendeu Lula. Até porque, nem tinha, nem tem, até hoje, poder para isso. Nos últimos 8 anos, quem causou a absoluta maioria dos ataques contra os trabalhadores brasileiros, em todos os aspectos, foi o imperialismo e os seus representantes no Brasil. Não fosse o cartel da imprensa golpista, o aparato de repressão do Estado, o Judiciário golpista, o parlamento de picaretas, a sabotagem e a espionagem internacional e todo tipo de chantagem, a direita jamais teria avançado.

E se a direita tomou a iniciativa em todos esses casos, não é à toa: a política de destruição das condições de vida dos trabalhadores, de ataque aos direitos democráticos e de pilhagem generalizada é uma política que parte de uma necessidade para os capitalistas. Sem partir para uma agressiva política de rapina como a direita tem implementado na América Latina como um todo, o capitalismo entra em colapso total. E Bolsonaro, neste sentido, não ataca os trabalhadores porque é um agente consciente dos interesses da burguesia. É apenas um bobo da corte, um elemento que o imperialismo encontrou para aplicar o seu programa, mesmo em um cenário em que seus representantes estão, todos eles, muito desgastados perante a população.

Que “luzes” poderiam trazer o MDB, o PSL, o PSDB, o DEM etc.? A única coisa que se viu, no último período, foi uma imensa disposição para atacar o povo de todas as maneiras. Todos esses partidos, sem exceção alguma, estiveram envolvidos no golpe de 2016, na reforma trabalhista, na reforma da Previdência, em dezenas de privatizações, na PEC dos Gastos etc. E em qual momento teriam se posicionado em favor da esquerda? Absolutamente nenhum. Não reverteram o impeachment de Dilma Rousseff, não impediram a prisão de Lula e se negam a pautar o impeachment de Bolsonaro.

Segundo José Dirceu, a união com essa direita golpista poderia ajudar a formar uma frente contra Bolsonaro em 2022:

“Há que destacar que a posição do PT unifica os partidos de esquerda – à exceção do PSOL até este momento –, cria as bases para consolidar nossa aliança no Parlamento e abre caminho para uma Frente Popular à semelhança da Frente Ampla Uruguaia ou da experiência portuguesa da Geringonça. Ou pelo menos este deve ser nosso objetivo. Isso sem desconsiderar que o Manifesto assinado pelos partidos traz um compromisso com a democracia contra o autoritarismo e com a independência do Parlamento”.

O PSOL aqui não é exceção. O partido já está comprometido em votar no candidato de Maia no segundo turno. O que, na prática, é a mesma política de quem apoia no primeiro turno, uma vez que estabelece, para os trabalhadores, a direita nacional como uma aliada, e não como uma inimiga.

Além disso, a comparação com o Uruguai é extremamente infeliz: a política de aliança entre a esquerda e os golpistas está levando o país a cair nas mãos da extrema-direita. E por um motivo muito simples: se a esquerda apresenta o voto na direita como alternativa política, ela está se anulando politicamente.

Se as organizações que devem defender os trabalhadores, travar uma luta para que seus direitos sejam atendidos, apresentam como principal política apoiar a direita, que tanto ataca o povo, qual o sentido de se estabelecer um partido ou uma candidatura de esquerda? Absolutamente nenhum. Trata-se, neste caso, de uma esquerda que se tornou apêndice da direita golpista. Uma esquerda cujo melhor a oferecer é aquilo que os trabalhadores já têm: um regime político monstruoso, que os ataca dia após dia.

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