O PT e a “Frente Ampla”
O PT deve voltar a ser “pragmático”
A esquerda pequeno-burguesa quer convencer o PT a abandonar Lula e a se unir com os golpistas em nome de uma “oposição”ao governo Bolsonaro
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O PT e a “Frente Ampla”
O PT deve voltar a ser “pragmático”
A esquerda pequeno-burguesa quer convencer o PT a abandonar Lula e a se unir com os golpistas em nome de uma “oposição”ao governo Bolsonaro
Noam Chomsky (esquerda) visita Fernando Haddad (direita), em 2018. Foto: Claudio Kbene
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Noam Chomsky (esquerda) visita Fernando Haddad (direita), em 2018. Foto: Claudio Kbene

Matéria publicada no sítio Intercept Brasil pelo jornalista João Filho no último dia 8, sob o título “O PT foi pragmático para chegar ao poder. Mas se recusa a dar as mãos na hora de defender o país”, expressa a política da esquerda pequeno-burguesa e burguesa no sentido de pressionar o Partido dos Trabalhadores a se juntar numa grande “Frente Ampla”, gestada pelo “Centrão”, de “oposição” ao bolsonarismo, com vistas às eleições de 2020 e 2022.

O centro da questão apresentada por João Filho foi a não participação formal do PT no ato ocorrido na semana passada no TUCA – teatro da PUC em São Paulo – denominado “Direitos Já! – Fórum pela Democracia”. Para Filho, “Petistas também participaram do evento, alguns até ajudaram na organização. Mas nenhum dirigente compareceu, o que indica que o partido não irá entrar de cabeça no movimento. Fernando Haddad, que chegou a participar da gestação do grupo em maio, confirmou presença no evento, mas simplesmente não apareceu. Não mandou um recado para ser lido no evento como fizeram outros ausentes, nem mandou um representante. Assim como Haddad, o psolista Guilherme Boulos também participou das primeiras reuniões, mas decidiu não comparecer. Também não havia nenhuma liderança do PSOL presente”.

Como pontuou João Filho, desde maio, um grupo de dirigentes da esquerda pequeno-burguesa vem se reunindo em torno desse movimento pró frente ampla, entre outros, Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (Psol) e Flávio Dino (PCdoB). O objetivo desse movimento desde o seu início é o de constituição de uma frente que vai do PT até o DEM e o PSDB. Ou seja, em nome de uma suposta defesa da democracia unir o PT que teve a presidenta Dilma Rousseff deposta pelo golpe de Estado, o partido enxovalhado por uma campanha sórdida de corrupção, seus dirigentes presos, em particular o ex-presidente Lula, com os patrocinadores de toda essa campanha que foi central para viabilizar o golpe de Estado. Em última instância “virar a página do golpe”. Abrir caminho para a estabilização de um novo regime político saído do golpe. Garantir Bolsonaro até 2022, pelo menos.

Nesse meio tempo, brincar de oposição no Congresso, com os “novos aliados” ajudando Bolsonaro a destruir o País e todas as conquistas econômicas e sociais do povo brasileiro. Como vamos ver, tudo isso com uma boa explicação: Fernando Henrique, Rodrigo Maia, o DEM, o PSDB, o Novo, Kassab, seu PSD, “Paulinho da Força” e seu Solidariedade etc. são  todos são “democratas” que se opõem ao “governo fascistóide de Bolsonaro” que eles ajudaram a “eleger”.

Para o jornalista João Filho, o mundo mudou, “Não se trata mais de esquerda x direita, mas de civilização x barbárie. “Engolir alguns nomes de centro-direita me parece um preço razoável a se pagar pela defesa da civilização. O PSDB e o DEM, os partidos da direita, os pais de Bolsonaro, passam a representar a civilização contra a barbárie representada pelo filho que “saiu de suas entranhas”.

O discurso da “civilização x barbárie” não saiu da cabeça de Filho, mas é o caldo requentado das eleições de 2018. Haddad, aliás, foi um dos protagonistas desse episódio lastimável cumprido pela esquerda. Bolsonaro era o capeta em forma de gente, era o fim do mundo, mas no dia seguinte às eleições foi aceito como governo legítimo, foi desejado boa sorte ao seu governo. Agora é mais do mesmo, só que com caldo requentado. A “barbárie” agora tem de ser “contido” pelo Congresso. Bolsonaro é a barbárie? Sem dúvidas, mas quem é o carro chefe da reforma d previdência, da nova reforma trabalhista, da entrega da Base de Alcântara, das privatizações, do corte das verbas para os programas sociais, das leis que cada vez mais restringem os já restritos direitos democráticos da população?

E o Lula, hem!? Pobre Lula. Na opinião de João Filho “ a defesa de um ex-presidente que foi vítima de um julgamento político deveria ser uma bandeira fundamental de todos que estão dispostos a defender a democracia, mas não é essa a realidade”. Fazer o que, não é? “Há muita gente no campo democrático que discorda de que essa seja uma boa estratégia no combate ao bolsonarismo. Não há como fugir disso”. Sejamos realistas: “É incrível notar que o partido, que teve seus governos marcados pelo pragmatismo e que se se aliou no passado a partidos que derrubaram Dilma, se recuse a dar esse passo atrás em nome da luta contra a selvageria bolsonarista”. Ou seja, para o autor, é lastimável de que haja uma resistência no PT em abandonar totalmente Lula, como querem os novos aliados “progressistas”.

Como os “nobres democratas” do PSDB, do DEM, do Solidariedade, também do Psol, não “acreditam” que o “Lula livre” unifica, deixa o Lula preso! O problema é a “selvageria Bolsonarista”. PT, esquece o Lula, “seja pragmático”, está na sua essência. “Nós temos o FHC, o Ciro Gomes, temos até o Alckmin”. Veja o FHC, que democrata, já fez muito pelo País. Ele é até professor. Vamos deixar o Bolsonaro governar. Em 2022, damos um jeito nele.

Para lá da ironia, a política de “frente ampla” com os golpistas é de uma calhordice sem igual. Com Lula, nem precisa explicar, mas com o povo brasileiro. O povo que está a clamar pelo fora Bolsonaro e que não tem condições de aceitar até 2022 os duros ataques do governo ilegítimo de Bolsonaro e dos “progressistas” do DEM, PSDB, PSD, Novo etc. que votaram junto com Temer e Bolsonaro tudo o que foi encaminhado contra os trabalhadores e o povo trabalhador, não pode apoiar essa politica.

Por isso esse falso “progressistas” estão a se regozijar com essa esquerda burguesa e pequeno burguesa que que tenta resgatá-los para o centro dos acontecimentos.

Para não ter que assumir como suas, nada melhor para João Filho do que as palavras de uma personalidade que causa “alvoroço” no meio da esquerda pequeno-burguesa mundial, Naom Chomsky, que, presente no evento do movimento Direitos Já, assinalou que “o componente central da esquerda é o PT e o partido ficou desacreditado, parte por motivos certos, parte por má propaganda e campanhas ultrajantes nas redes sociais das quais não se recuperou”.

O PT, de fato, encontra-se em uma encruzilhada. O que João Filho expressa em seu artigo nada mais é do que a política que a direita brasileira, leia-se “Centrão” quer estabelecer em “oposição” ao governo Bolsonaro. Setores da própria direita do PT e o PCdoB são a linha de frente em querer empurrar “goela abaixo” do PT essa politica. O problema é que na outra ponta do Partido tem todo um setor ligado aos movimentos sociais, aos sindicatos e a uma grande base partidária que não vê outra  saída que não seja a luta pela Liberdade de Lula e pelo Fora Bolsonaro. Ao que parece, será difícil estabelecer um acordo. A balança irá pender inevitavelmente para um dos lados.