Música de protesto
Hoje, Bob Dylan completa 79 anos e é um dos maiores representantes da música de protesto
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Robert Allen Zimmerman,  Bob Dylan.
Bob Dylan, em uma apresentação. | Foto: Divulgaçãocader

No dia de hoje, 79 anos atrás, nascia Robert Allen Zimmerman, conhecido mundialmente como Bob Dylan, um dos principais representantes da música de protesto dos anos 1960 e 1970, sendo um dos principais roqueiros vivos até o momento.

Robert Allen Zimmerman, Bob Dylan.

Dylan se destacou por ter feito composições que serviram de trilha musical para uma série de protestos e revoltas naquelas décadas, sendo, ele próprio e suas composições, fruto desta mesma época.

A música título da presente matéria, por exemplo, serviu de hino mundial contra a guerra do Vietnã, conflito desenvolvido pelas forças norte-americanas contra o Vietnã, tendo como vitoriosos os vietnamitas, para a vibração de toda a população oprimida mundial e do próprio Dylan, em 1975.

Essa mesma composição se tornou, também, um hino do movimento dos direitos civis norte-americanos. No excelente documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, chamado No Direction Home , Mavis Staples, uma cantora e ativista do movimento negro, expressou seu espanto ao ouvir a música pela primeira vez e disse que não conseguia entender como um jovem branco poderia escrever algo que capturasse a frustração e as aspirações dos negros, de maneira tão poderosa.

 

Joan Baez e Bob Dylan.

Em seu terceiro álbum, “The Times They Are A-Changin’”, gravado e lançado em 1963, ele incluiu uma canção, “North Country Blues”, que tinha um significado especial para cantor, já que falava sobre a região de Minnesota, onde nasceu e cresceu, descrevendo o sofrimento causado pelo fechamento das minas da região conhecida como Iron Range naquele estado. As populações sem trabalho iam embora, o que criou um série de cidades fantasmas. É o mesmo tema que anos mais tarde também inspiraria uma série de canções de Bruce Springsteen.

Dylan bebe da fonte de Little Richard, falecido recentemente, e tido como um dos reis negros do Rock’n’Roll. Mas também é influenciado e apresentado como um representante do Folk. O que o influencia fortemente, na verdade, são as crises e manifestações políticas daqueles tempos, que produziram verdadeiros gênios musicais, do Rock`n`Roll, como Jimi Hendrix. A luta contra a guerra do Vietnã, a revolta da juventude mundial representada em Maio de 1968, a Primavera de Praga, os movimentos guerrilheiros sul-americanos, a luta de libertação nacional das nações africanas, os Panteras Negras, enfim, esses são, na verdade, os elementos fundamentais da música de Dylan, direta ou indiretamente. 

Hurricane, por exemplo, composta em 1976, é uma denúncia do racismo sofrido por Rubin “Hurricane” Carter. Boxeador negro duramente perseguido pela repressão do sistema judicial racista dos Estados Unidos. Vejam um trecho, livremente traduzido:

“(…)

Bob Dylan visita Rubin “Hurricane”, em 1976.

Todas as cartas de Rubin já estavam marcadas
o julgamento foi um circo de porcos, ele não teve a menor chance
o juiz fez das testemunhas de Rubin bêbados das favelas
e para os brancos que assistiam, ele era um vagabundo revolucionário
e para os negros, apenas mais um crioulo maluco
ninguém duvidava que ele tinha apertado o gatilho
e embora não conseguissem produzir a arma
o promotor público disse que era ele o responsável
e o juri, todos de brancos, concordou”

Bob Dylan possui uma extensa discografia e já recebeu as mais variadas premiações musicais existentes. Muito se fala de sua musicalidade, que é importante, mas, a realidade, é que Dylan representou musicalmente, por muito tempo, os anseios políticos e a angústia da juventude, e é esse o fator essencial de sua biografia. 

Os fãs de Dylan tiveram uma grata surpresa no último dia 26 de março quando o mestre lançou uma nova canção em seu canal no YouTube, “Murder Most Foul”, uma canção épica de 17 minutos, narrando os acontecimentos que rodearam o assassinato do presidente John F. Kennedy. A música traz inúmeras referências musicais, citando desde canções de Elvis, Little Richard, Ray Charles e The Who, entre muitos outros. Três semanas depois foi lançada mais outra canção, “I Contain Multitudes” e finalmente no dia 7 de maio saiu sua terceira canção inédita em seguida, “False Prophet”. Com isso veio o anúncio de um novo álbum, “Rough And Rowdy Ways”, que deve ser lançado em junho deste ano. Será o seu primeiro trabalho com músicas inéditas desde 2012.

Dylan, com o passar dos anos, das décadas, acaba compondo canções mais intimistas, que revelam a própria situação de refluxo da luta do povo. Reflete, também, o esmagamento do movimento de maio de 1968.

Desta geração, muitos morreram junto com o movimento, simplesmente, como Hendrix, Joplin, Morrison… Dylan sobrevive a essa fase, e suas composições, ainda nos dias de hoje, representam a luta febril do juventude contra a opressão, contra um modo de vida imposto pelo capitalismo.

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