Fascistas apoiam Bolsonaro
Sobre as vestes do sacerdócio, grupos de extrema-direita encobrem o fundamento no qual se apoiam: os interesses econômicos das classes dominantes
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Membro do IPCO, vertente da TFP no Brasil | Reprodução

Como braço direito da burguesia, o fascismo agrega em torno de si os elementos mais reacionários da sociedade. Esse recurso, no entanto, depende, acima de tudo, de financiamento para que a luta entre a burguesia e o proletariado resulte na completa aniquilação da classe operária. É natural, portanto, encontrarmos sob a forma da moral e dos bons costumes a expressão do retrocesso social. Sobre as vestes do sacerdócio, grupos de extrema-direita encobrem o fundamento no qual se apoiam: os interesses econômicos das classes dominantes. Em matéria publicada no sítio do Uol, desvela-se uma importante fonte econômica do fascismo no Brasil e no mundo.

Utilizando-se do slogan Ajude-nos a libertar o Brasil do aborto, da agenda homossexual e do comunismo!, o bastião reacionário brasileiro insta seus correligionários à abrirem a carteira e depositarem volumosas quantias em nome da luta contra qualquer progresso da humanidade. Atuando como eixo de rotação, a Fundação Skarga – uma das mais destacadas defensoras da moral medieval, age como uma força motriz ao apoiar campanhas ultraconservadoras na Polônia e no exterior. De acordo com a matéria, entre 2004 e 2019, o instituto contou, em grande parte, com recursos provenientes do exterior, principalmente de um endereço em Cracóvia, cidade Polonesa. Ao longo de anos empenhados em fazer rodar para trás a roda da história, os fundadores da Instituição Ordo Iuris da Polônia chegaram a despejar um montante de 10 milhões de euros nas hordas reacionárias católicas radicais pelo mundo afora. No caso do Brasil, segundo dados revelados pela Reporter’s Foundation, desde 2004, foram enviados anualmente 500 mil euros, o que, considerando-se a data de hoje, corresponderia a uma verba anual de R$ 3.179.250,00. Doado para rosários e imagens de Nossa Senhora de Fátima, o dinheiro, assim que chega no país, acomuna em torno do movimento global contra aborto, gênero, LGBTQ etc., o mofo da reação; faz-se, portanto, o uso dos recursos contra todo e qualquer movimento progressista.

No caso do Brasil, o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira (IPCO), localizado em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, é o local de encontro dos cavaleiros do retrocesso. O imóvel, não por acaso, outrora sediava encontros organizados pela Sociedade para a Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) do Brasil, movimento este fundado nos anos 60 por Plínio Corrêa, católico fervoroso e anticomunista inveterado. A TFP, por sua vez, transformou-se em uma rede de organizações responsável pela promoção de valores católicos ultrarradicais, servindo como seita anti-progressista. Amparada por dogmas ainda vigentes na igreja católica, a TFP condena resolutamente relações de mesmo sexo, o uso de métodos contraceptivos, o direito ao aborto e até mesmo o divórcio. Já o IPCO é um clube formado apenas por homens, onde as mulheres não são autorizadas a entrar no prédio e não podem ser membros da organização. Após uma disputa legal, a organização logrou-se como vencedora – atingindo o status de TFP na América Latina. Encarregado de tomar a frente nos temas relativos aos interesses do grupo, Caio Xavier da Silveira é o verdadeiro tomador das decisões. Figura, também, na direção da organização ninguém menos que Dom Bertrand Orleans e Bragança, um dos líderes do monarquismo no Brasil e porta-voz do Ramo de Vassouras da Família Orléans e Bragança.

Com o estímulo e apoio da seção polonesa da TFP, os sacerdotes do retrocesso humano de outras seções viram nas palavras de Slawomir Olejniczak, cofundador da divisão polonesa da TFP, o Instituto Fundação Piotr Skarga (IFPS), a força da reação contra toda o desenvolvimento econômico e cultural da humanidade. Em e-mail encaminhado a todos os membros da TFP, Olejniczak disse:

“Por anos, guiados pela boa vontade e confiança de todos os membros do Conselho da Fundação, a pedido deles apoiamos financeiramente as organizações da TFP no Brasil e em muitos outros países. Ao todo, nosso apoio financeiro chegou a milhões de euros ao longo dos últimos anos. Graças ao nosso apoio fundamental, organizações da TFP foram criadas ou desenvolvidas em países como Austrália, Estônia, Eslováquia, Lituânia, Holanda e Equador. Na Polônia, estabelecemos a organização legal Instituto Ordo Iuris e o Centro pela Vida e Família pró-vida. Além disso, cofinanciamos (sic) a renovação das atividades da TFP no Canadá e na África do Sul”.

Embora atualmente não vivencie seus melhores momentos, o IPCO exerce grande influência no Brasil. Com Dom Bertrand Orleans e Bragança entre os destacados diretores do IPCO, a instituição tem grande afinidade com a autoridades e assessores de Jair Bolsonaro, inclusive seu filho, Eduardo. Basta lembrarmos da ocasião em que o fascista Jair Bolsonaro, durante encontro do G20, citou publicações de Dom Bertrand que contestam a mudança climática.

As aproximações com Bolsonaro não são por acaso; é na figura dele que os grupos reacionários encontram grande facilidade para pôr em marcha uma campanha anticomunista. Essas organizações ligadas à TFP, contudo, avançam mundo afora com certa independência econômica. Sabe-se, com efeito, que sob os auspícios da TFP, uma série de redes reacionárias encontram grande facilidade em obter recursos. As agremiações reacionárias lançam campanhas postais, nas quais enviavam medalhas ou rosários baratos, calendários ou imagens de Nossa Senhora de Fátima para pessoas filiadas e simpatizantes. Evidentemente, esses grupos ligados à TFP cujo apoio à Bolsonaro é visível, possuem fortes ligações com o imperialismo. Bolsonaro, assim como os golpistas, é financiados pelos capitalistas. Em suma, as ligações entre Bolsonaro, os golpistas em geral e a TFP, encontram no imperialismo um lugar comum, onde o objetivo central é propiciar aos capitalistas a escravização moderna da classe trabalhadora e todos os oprimidos.

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