Carta de um leitor, Felipe Omena

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Felipe Omena (AL) – Parcela da esquerda brasileira ficou surpresa com o voto da deputada PDTista Tábata Amaral referente à reforma da previdência, mais uma medida da extrema direita golpista para retirar os direitos do povo trabalhador. Espantoso, todavia, não é o posicionamento de Tábata, mas o crédito concedido ao seu discurso insipiente e atitude pelega pela esquerda pequeno-burguesa, que continua a depositar confiança na figura politicamente correta da conciliação.

O caso de Tábata é didático: serve para ilustrar a credulidade naqueles que, preconizando que são a favor dos pobres e oprimidos, limpam as consciências burguesas demais para a atitude revolucionária, mas egocêntricas o suficiente para fantasiar que são a vanguarda progressista do país. É a ilusão do reformismo e do fim da opressão às minorias por meios que não são baseados na luta contra o capitalismo, mas na manutenção do sistema de classes, origem material de todos os problemas sociais.

É preciso entender que discursos conciliatórios como o famigerado “nem esquerda nem direita” somente servem para tentar desmobilizar a luta concreta. O fim da opressão à classe trabalhadora e a reformulação do comportamento social só serão alcançados mediante a revolução, pois é intrínseco ao sistema capitalista o jugo de parcela da sociedade sobre outra. O capitalismo não suporta igualdade, pois isso seria contra toda a sua mecânica: é preciso a elevação de uns e o rebaixamento dos demais para que se concretize o seu objetivo.

Distrações como Tábata devem ser evitadas, mas a caricatura é útil para os que ainda não se convenceram de que o único caminho que a esquerda deve seguir é o revolucionário. O momento de crise é propício para a mobilização, e a derrubada do governo golpista de Bolsonaro depende diretamente da liberdade de Lula, para que, a partir daí, a ilusão demagoga seja destruída e a esquerda passe a realizar o confronto direto com o poder, que procura manter o país subjugado ao imperialismo a fim de que o capital continue concentrado em suas mãos.

As falácias oportunistas de Tábata Amaral representam não só a estratégia de seu tutor Ciro Gomes – que lamenta porque a discípula não conseguiu disfarçar -, mas também de grande parte das lideranças esquerdistas que, longe de representarem os interesses dos trabalhadores, visam construir uma sociedade opressora banhada a flores, glitter e ciranda, em detrimento da revolução que propiciará, de fato, o fim da exploração e das barreiras sociais.

Junte-se ao PCO na luta concreta contra a opressão ao operariado e pelo fim do capitalismo, a liberdade de Lula e a derrubada de Bolsonaro e todos os golpistas.