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Esperar até 2022 para trocar o governo, como prega uma parte da esquerda, é uma política totalmente equivocada. Bolsonaro está destruindo o Brasil e esmagando os direitos do povo, não pode permanecer no poder, o povo tem o direito de arrancá-lo da presidência da República.

Além disso, essa mesma esquerda diz que pedir o Fora Bolsonaro é antidemocrático. Pelo contrário, é democrático derrubar um governo antidemocrático, um governo que está devastando os direitos trabalhistas, roubando a aposentadoria, destruindo a educação, reprimindo e assassinando os trabalhadores urbanos e rurais.

Essa avaliação de que não é o momento de pedir o Fora Bolsonaro não compreende a realidade política atual. Não foi apenas um problema da administração da situação política que levou o governo Bolsonaro à crise. A oposição ao golpe e à direita tem um longo período de amadurecimento através de lutas diversas, desde as mobilizações de 2013-2014 contra o golpe, que levaram ao aumento da polarização (o governo Bolsonaro é um capítulo dessa crise, não um fato isolado dela).

Na verdade são quatro anos de lutas continuadas pelo Fora Bolsonaro, porque o Fora Bolsonaro é a continuação das lutas contra o impeachment de Dilma e o governo golpista de Temer. Por isso Bolsonaro nasceu como um governo fraco, porque já tinha muita impopularidade. Dizer que não há preparação para o Fora Bolsonaro é apagar as lutas dos últimos quatro anos.

A soberania popular, a posição expressa pelo povo diante de um governo, é superior à soberania das instituições. O governo deve servir à maioria da população, se ele não faz isso e a maioria da população percebe isso e pede sua deposição, então é legítimo que ele seja derrubado pelo povo.

Existe uma oposição frontal entre a maioria da população e o governo que foi “eleito” (por uma das maiores fraudes da história do País), em cinco meses de governo.

Se o povo não derrubar Bolsonaro, quem vai dar as cartas é a burguesia, a direita pode se recompor momentaneamente estabilizando o governo Bolsonaro, por exemplo. Se não atacarmos o adversário, será o adversário quem irá nos atacar.

Impeachment e eleições gerais

O Fora Bolsonaro não significa exatamente o impeachment. É preciso ampliar a mobilização popular para tornar o governo completamente inviável, o que já está com meio caminho andado. O que vai impedir que as instituições tirem Bolsonaro, com uma saída por cima, é a constante e ampla mobilização popular.

O movimento popular tem que deixar patente sua solução para a crise no País: nada de manobras, nada de Mourão, e sim eleições gerais (não apenas presidenciais, porque é preciso a queda de todo o regime golpista). Já existe um movimento pelo fim do governo, e o povo tem que apresentar sua proposta para um governo que substitua este. E essa proposta é justamente as eleições gerais.

Para que essas eleições sejam democráticas, é preciso que o povo possa escolher seus candidatos. E Lula era o candidato favorito do povo nas eleições presidenciais, preso ilegalmente para não concorrer e não vencer. Logo, a liberdade para Lula é eixo fundamental dessa luta, Lula deve ser liberto e ter o direito de se candidatar nas eleições gerais, porque essa é a vontade popular.

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