Temer solto, Lula preso

cms-image-000527539

A prisão de Temer foi política, uma jogada dos procuradores da Lava Jato, em acordo com o juiz Marcelo Bretas, logo após o STF ensaiar, finalmente, uma reação aos abusos, que vem de longe, dos justiceiros da famigerada operação com quartel general em Curitiba.

Como os partidos tradicionais e alguns ministros, como Gilmar Mendes, decidiram bater na Lava Jato, principalmente após ser denunciada a tentativa de membros do MPF em Curitiba administrar um fundo bilionário, fruto de um acordo espúrio com os Estados Unidos para saquear a Petrobras, deve-se ler a prisão do ex-presidente golpista Michel Temer como uma espécie de retaliação da Lava Jato, claramente uma extorsão.

Não se deve esquecer que os responsáveis pelo golpe de 2016, incluindo Michel Temer, Eduardo Cunha, Moreira Franco, Eliseu Padilha, entre outros, tinham uma espécie de aliança firmada com a Lava Jato, pois o objetivo principal era derrubar a presidenta Dilma Rousseff e desidratar o PT, no limite, até extingui-lo.

Nesse sentido, Temer e todos os golpistas estão pagando o preço de um acordo frágil, o que não quer dizer que seja correta a prisão. Não! A prisão foi ilegal e, como em outros casos, a decisão de Marcelo Bretas é tosca, mostrando o descaramento desse grupo da Lava Jato. Não se importam sequer com as aparências. Nesse sentido, temos que denunciar a ação política da Lava Jato, obviamente, que é um instrumento de extorsão política, cujos membros estão cada vez mais sedentos por poder.

No entanto, não podemos esquecer que o grupo golpista que derrubou a presidenta Dilma não merece nem respeito nem consideração. Não há, igualmente, motivo para alinhar-se com eles.

Está claro que, apesar dessa jogada da Lava Jato, Temer e os demais golpistas foram soltos sem nenhum tipo de manifestação, nem do MBL, nem de nenhum militar, nem do Dallagnol, para ficarmos com o mais barulhento dos procuradores da Lava Jato, há uma crise mas os golpistas continuam em relativa coesão.

O caso do ex-presidente Lula é distinto, pois foi preso após a, acelerada, condenação em segunda instância. No entanto, essa ação contra Temer, o escolhido da hora para a Lava Jato mandar recados, indica que Lula deveria ter sido preso antes, não fosse a mobilização popular. A prisão arbitrária de Lula aconteceria logo no começo do processo, não resta dúvida.

Embora a prisão de Lula, como dito, tenha sido efetuada após uma corrida contra o tempo, da qual participaram a Polícia Federal, o MPF, o Juiz Moro e os desembargadores do TRF4, com a devida proteção do STF e das ameaças das Forças Armadas, coordenadas pela imprensa, diferente do caso Temer, não significa que, por isso mesmo, não tenham em comum o fato de serem fruto de uma ação política do Sistema de Justiça.

Temer tem a proteção dos que, nas instituições, o colocaram no poder por meio do Golpe de 2016, mas não tem apoio popular. Lula, por sua vez, tem apoio popular, mas não das instituições. Lula vai continuar preso se não houver mobilização. A Lava Jato não deve ser poupada, ela é instrumento de extorsão política e, mais ainda, um instrumento do imperialismo para promover o caos, facilitando a entrega do país.

A mobilização por Lula Livre implica a derrubada do governo Bolsonaro. Implica também, evidentemente, denunciar a Lava Jato e o fim da operação. Os golpistas também querem o fim da Lava Jato, apenas não sabem como conduzir o enterro, por medo de que isso signifique fortalecer Lula e a esquerda. Para nós cabe manter a mobilização e ampliá-la.

Fora Bolsonaro, Fora todos os golpistas. Liberdade para Lula.