A ilusão nos golpistas
Não existe diferença entre o programa político de Bolsonaro e o de Michel Temer ou de qualquer outro elemento da direita tradicional, todos são inimigos da classe trabalhadora
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Golpistas Michel Temer e Jair Bolsonaro | Foto: reprodução

Há alguns dias circula na imprensa burguesa a especulação de que o golpista Michel Temer venha a integrar o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro. A manobra surge como uma estratégia do governo Bolsonaro para sair do isolamento político imposto pela direita tradicional com a qual Bolsonaro nutre algumas divergências superficiais. Neste sentido o principal conselho o ex-presidente golpista é o de que Bolsonaro abandone o radicalismo para fazer uma composição com diversos partidos para criar um “centro expandido”.

A aliança com Temer neste sentido é considerada crucial para a manutenção e reeleição do governo Bolsonaro em 2022 uma vez que buscaria aumentar seu apoio político. Para isto a atuação do ex-presidente ilegítimo se daria sobretudo no campo das alianças internacionais, principalmente no que diz respeito às relações com China e Estados Unidos com cujos chefes de estado Temer guarda uma boa relação, já tendo se reunido diversas vezes com líderes do governo chinês e com o próprio Joe Biden novo presidente dos EUA.

É importante lembrar que Temer é um dos principais elementos da direita tradicional, ou como a esquerda pequeno-burguesa gosta de falar: direita civilizada. Dentre seus feitos “civilizados” podemos citar o envolvimento no golpe de estado contra o Partido dos Trabalhadores em 2016, que deu lugar posteriormente à eleição do governo Bolsonaro; a reforma trabalhista que retirou direitos fundamentais dos trabalhadores; as medidas de ajuste fiscal dentre elas o teto de gastos que congelou 20 anos de investimento do estado em áreas fundamentais para a população; ou ainda a reforma da previdência que foi proposta do governo Temer e conseguiu ter aprovada no próprio governo Bolsonaro retirando mais direitos dos trabalhadores.

Este elemento da direita mesmo tendo concretizado os mais duros ataques à classe trabalhadora, foi por exemplo, convidado por setores da esquerda para participar do vergonhoso 1º de maio virtual com os golpistas, dentre eles o ex-presidente FHC. Para tornar a situação ainda mais vergonhosa para a esquerda pequeno-burguesa Temer recusou o convite.

Ao contrário do que parte da esquerda prega, não existe nenhuma diferença entre o programa político de Bolsonaro e o programa político de Michel Temer ou de qualquer outro elemento da direita tradicional como João Dória e Rodrigo Maia, nomes que a esquerda procura para serem seus aliados contra o “bolsonarismo”. As divergências existentes entre o bolsonarismo e burguesia tradicional não passam de uma divergência de métodos para a aplicação dos mesmos ataques contra a classe trabalhadora, tanto a direita como a extrema-direita são inimigas do povo, com a diferença de que bolsonarismo age de forma mais explícita e a direita tradicional tenta ao aplicar estas medidas fazer algum tipo de demagogia para conter a revolta popular.

Não é muito difícil perceber as afinidades existentes entre estes setores da burguesia, exemplo disso é a implantação da reforma da previdência que veio do governo Temer e foi aprovada no governo Bolsonaro com mudanças ínfimas.  Outro ponto que chama atenção para a total ilusão da esquerda com a aliança de setores da direita é a questão do Joe Biden. Durante a campanha eleitoral dos Estados Unidos a esquerda brasileira de forma bastante confusa passou a defender o então candidato do Partido Democrata, Joe Biden, um forte nome do imperialismo norte-americano responsável diretamente inclusive por diversos ataques à população pobre norte americana como o aumento de repressão; bem como ataques à população de países do oriente médio promovendo a destruição destes países em nome do interesse dos capitalistas. A esquerda prontamente esqueceu  de todo o caráter fascista da política adotada por Biden em nome da demagogia com negros, mulheres etc, levada pelo democrata em sua campanha e que não passa de uma farsa eleitoral.

O mesmo Biden defendido ferozmente pela esquerda brasileira sentava com Temer durante seu governo tendo apoiado o golpe de estado contra o PT e entrega dos recursos naturais do Brasil aos EUA fazendo do Brasil um verdadeiro quintal dos norte-americanos, mesma política aplicada na relação Brasil-Estados Unidos entre Bolsonaro e  Donald Trump. Assim como a política da direita e da extrema-direita é a mesma em relação aos EUA, também é a mesma em todos os demais aspectos.

Embora de um lado tenhamos a direita tradicional tentando se esconder atrás da “civilidade” e se “opondo” ao governo Bolsonaro; e do outro lado tenhamos o bolsonarismo tentando se colocar como algo completamente alheio à política tradicional da direita, o que existe de fato é uma farsa. A direita tradicional não é civilizada e pode ser considerada tão fascista quanto o próprio Bolsonaro, assim como o bolsonarismo não corre por fora da política da burguesia e para se manter lançará mão das mais diversas alianças com a direita tradicional, como vemos acontecer com Michel Temer e até mesmo com Rodrigo Maia que tem sido um sustentáculo do governo Bolsonaro.

Uma coisa é certa: A direita “científica” e “civilizada” defendida pela esquerda jamais poderá ser considerada como aliada contra o bolsonarismo, as divergências entre estes setores da direita serão sempre resolvidas do âmbito da própria burguesia mas nunca considerando realmente os interesses da esquerda ou da população. Sempre que for preciso escolher entre a esquerda e o bolsonarismo a direita “civilizada” escolherá o bolsonarismo. Isto porque sua relação com a esquerda é uma mera manobra política-eleitoral para paralisar a esquerda e desmontar seus setores mais combativos como é o caso da tentativa de destruição do PT e da supressão da figura do ex-presidente Lula para impor no seu lugar uma alternativa da frente ampla, ou seja, elementos com características esquerdistas mas que defenda todo o programa da burguesia contra os trabalhadores.

Diante disto fica evidente que combater o bolsonarismo implica inevitavelmente em combater os setores mais tradicionais da burguesia que são no final das contas os responsável pelo governo Bolsonaro e nunca estarão do mesmo lado que a classe trabalhadora uma vez que são seus inimigos diretos e atacam cada vez mais os trabalhadores em nome dos interesses capitalistas. A luta dos trabalhadores contra a burguesia se dá dentro da própria classe trabalhadora, é aqui que devem se concentrar os esforços da esquerda e não em a aliança com setores da direita que têm como intuito desfazer a mobilização popular.

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