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Eleições 2022

Temendo Lula, direita tenta “fabricar” um Joe Biden tupiniquim

A burguesia realiza articulações políticas complexas para criar o "Joe Biden brasileiro" como uma alternativa a Bolsonaro. O intuito é impedir a volta de Lula e do PT.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Candidatos da frente ampla – Foto: reprodução

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A restituição dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou o cenário eleitoral para 2022. Lula é o elemento de desestabilização do regime golpista originário do golpe de Estado de 2016 e da fraude eleitoral de 2018, que resultou na chegada de Jair Bolsonaro (ex-PSL, atual sem partido) à presidência da República. Cabe destacar que os partidos burgueses tradicionais (PSDB, MDB, DEM, Republicanos, Progressistas, PTB), que tentam se travestir de “democráticos”, “civilizados” e “anti-autoritários” se unificaram em torno de Bolsonaro para derrotar o Partido dos Trabalhadores (PT) e atacar os direitos dos trabalhadores.

As eleições presidenciais já começaram. A burguesia apoiadora de Jair Bolsonaro busca criar uma alternativa da direita tradicional ao atual presidente fascista. A ideia é fabricar uma espécie de “Joe Biden brasileiro”, um governo burguês, neoliberal e pró-imperialista com uma aparência democrática, moderada, palatável para as classes médias e a esquerda pequeno burguesa. Este governo, por sua vez, se utilizará da demagogia identitária e da questão das mulheres, negros, LGBTs para se afirmar e cooptar setores da população, inclusive da esquerda pequeno-burguesa.

As articulações políticas para fabricar essa figura envolvem uma série de possibilidades. Estão na mesa os nomes de João Doria (PSDB), governador de São Paulo; Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul; Luiz Henrique Mandetta (DEM), deputado federal e ex-ministro da Saúde de Bolsonaro; Ciro Gomes (PDT); Tasso Jereissati (PSDB), ex-governador do Ceará e senador; Rodrigo Pacheco (DEM), presidente do Senado Federal; Michel Temer (MDB), ex-presidente que assumiu após o golpe de Estado que derrubou a presidente Dilma Rousseff (PT); Sérgio Moro (sem partido); Arthur Virgílio (PSDB), ex-prefeito de Manaus.

O principal objetivo da burguesia golpista é evitar a volta ao poder do ex-presidente Lula e do PT. Lula aparece em primeiro colocado em todas as pesquisas eleitorais realizadas pelos institutos da burguesia, que não conseguem esconder sua popularidade, mesmo com as pesquisas extremamente questionáveis. Não é por acaso que a burguesia faz propaganda da Frente Ampla e essas manobras são realizadas com o intuito de criar o candidato para suceder Bolsonaro e impedir a volta do PT, em particular de Lula.

A esquerda colabora com a produção artificial de uma alternativa a Bolsonaro. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é um entusiasta da Frente Ampla, do apoio a um candidato burguês e neoliberal travestido de “democrático”. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) é um partido que faz parte da Frente Ampla e já apoiou candidatos da direita golpista tradicional com o discurso de que se tratava de “derrotar o bolsonarismo”, caso do apoio do deputado federal Marcelo Freixo a Eduardo Paes (DEM) nas eleições municipais do Rio de Janeiro. Por debaixo dos panos, o PSOL apoiou Baleia Rossi (MDB) contra Arthur Lira (Progressistas) na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Por sua vez, a ala direita do PT – Tarso Genro, Jaques Wagner, Fernando Haddad e outros  – atua no mesmo sentido de costurar apoio a um candidato burguês com aparência “democrática”.

As forças burguesas e partidos golpistas estão empenhados na gestação do “Joe Biden Tupiniquim”. Entretanto, há de se considerar que o objetivo é derrotar o PT e impedir a volta de Lula. Caso as complexas articulações políticas falhem, estas forças “democráticas” podem apoiar Jair Bolsonaro novamente, tal como fizeram em 2018.

Os afagos entre Bolsonaro e Joe Biden na Cúpula do Clima são indícios de que o atual presidente, um fascista e genocida, pode ser apoiado pelo imperialismo norte-americano. Fato que revela que os ataques de Biden a Donald Trump são meramente eleitoreiros.

Na atual etapa da situação política e econômica mundial, a burguesia não está disposta a aceitar governos que fazem concessões aos trabalhadores, como são os governos nacionalistas-burgueses na América Latina . Pelo contrário, ela exige uma política ferozmente neoliberal, privatizadora do patrimônio público e das riquezas naturais dos países atrasados. Os direitos trabalhistas, sociais e previdenciários devem ser extintos. Estas exigências são inegociáveis por parte da burguesia, sendo fundamentais para garantir seus lucros e posição dominante enquanto classe.

Em virtude de sua base de massas, o PT e, em particular Lula, são capazes de levar adiante uma política com relativo grau de independência. Eles podem se apoiar nos movimentos populares, sindicatos e nas massas para negociar e impor limites às exigências do imperialismo. A burguesia nem mesmo tolera a perspectiva do retorno das reformas sociais realizadas pelos governos petistas, que não alteraram a estrutura do Estado capitalista e romperam com a política neoliberal.

No atual momento, Lula é uma arma dos trabalhadores e um fator de desestabilização do regime político golpista. Esta é sua característica progressista. Mais uma vez, é preciso destacar que impedir a volta de Lula é o objetivo primordial, nem que para isso seja preciso apoiar Jair Bolsonaro.

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